16 de nov de 2017

Hotelles, Quarto 1 - Emma Mars


Em algum dos primeiros dias de junho do ano de dois mil e dez, Annabelle Barlet está algemada a uma cama do quarto Josephine do Hôtel des Charmes, em Paris, esperando por um homem desconhecido que está prestes a sair do banheiro da suite. Mas não se engane, caro leitor, essa não é uma cena de terror. Muito pelo contrário.

Mas primeiro, voltemos um ano. Dois mil e nove, também inicio de junho, quando ela ainda era Anabelle Lorand, a poucos meses de se formar na faculdade de jornalismo. Com a mãe com câncer em estágio avançado, Elle está com um cliente no Josephine. Elle é uma hotelles, uma acompanhante de luxo, que aceitou esticar seus serviços com aquele cliente depois de conhecer, em um evento em que conheceu, quase por uma feliz coincidência, David Barlet, magnata das telecomunicações da França e seu futuro marido.

Ainda há outro mistério em sua vida: semanas antes desse cliente em específico, Elle (como todos, inclusive clientes, a chamam) encontrou em sua bolsa um pequeno caderno vazio de capa prateada, e foi apenas uma questão de dias para os bilhetes começarem. Feitos em um papel que claramente pertence ao caderno vazio, os bilhetes que o desconhecido mandam parecem revelar recantos de sua alma e de seus desejos mais profundos (desejos que, por certo, ninguém, além dela mesma, poderia ser capaz de conhecer).

Em meio aos bilhetes misteriosos e a felicidade e a segurança aparente que David Barlet lhe oferece quase de mão beijada, o elemento (mais) desestabilizador parece se concentrar apenas em uma pessoa: Louis Barlet, irmão mais velho de David, que se mostra tão afável em ensinar a Elle segredos que vão desde o bairro de alta classe que passará a ser sua residencia após seu casamento até a mais traiçoeira face da família Barlet.

Hotelles, é mais um daqueles livros que me atraíram pela capa mas que nunca tive coragem de comprar. Vencido o primeiro obstáculo (ele estava disponível no catálogo da Rocco), a leitura foi devagar (pelos meus padrões), mas muito bem aproveitada.

Na ambientação (até então, inédita para mim) da Cidade Luz, onde o erotismo parece estar presente mesmo nos traços mais modernos da cidade, o aprendizado de Elle nos assuntos Barlet e, (por que não dizer), nos de alcova, me remete um pouco à ao processo de aprendizado que Mia Saundres passou em sua jornada (respeitadas as grandes diferenças existentes entre essas duas acompanhantes de luxo).

A bem da verdade, a comparação é bem fraca (mas meu repertório nesse assunto não é dos mais vastos). O caminho percorrido por Elle foi muito mais manipulado do que de Mia, e, no processo, vários planos e sonhos de vida foram se perdendo na teia em que a prenderam.

O Quarto 1 de Hotelles foi diferente de tudo o que já li (ou que me lembro de ler lido) até o momento, e a chave do Quarto 2 já está em minhas mãos.

13 de nov de 2017

Carmim - Catarina Muniz


Poucos livros foram tão recomendados por mim como A Dama de Papel (alguns dos meus amigos não aguentam mais me ouvir falar do livro... mas dois ou três se renderam à leitura e, obviamente, adoraram). 

Dito isso, é difícil não comentar o quão empolgada fiquei ao saber que Carmim sairia em livro físico depois de meses sendo exclusivamente digital.

Vittorio Datelli e a esposa vieram da Itália procurando uma vida melhor para a família. Juntos, eles construíram uma confeitaria italiana que hoje está espalhada por mais de vinte estados americanos e continua tão produtiva como no inicio do projeto.

No dia de seu falecimento, seu neto, Louis Datelli, encontra, no bolso do terno que deveria levar para vestir o avô em seu funeral, uma carta datada de 1982, em que uma tal de Guadalupe escreve que ele nunca mais verá nem a ela, nem à filha que eles tiveram jutos.

Chocado com a descoberta, Louis decide procurar a filha que o avô teve fora do casamento, e as redes sociais acabam por leva-lo a Carmem, uma dentista espanhola que se mudou de Barcelona para Atlanta depois de perder sua mãe por causa do rompimento de  um aneurisma cerebral. 

Para se aproximar de Carmem, Louis marca uma consulta com ela utilizando-se do sobrenome de seu pai (Smith). A primeira consulta o rendeu a descoberta de uma carie profunda. A segunda, três dias depois, o fez descobrir que a Doutora Carmem era uma mulher de longos cabelos cacheados e ruivos e olhos de verde intenso. 

Ele a convida para jantar após a consulta, e o convite lhe rende o telefone dela,  o encontro seguinte culmina em uma transa quase desesperada na cadeira do consultório dela. Daí para frente, todos os finais de semana Louis passa com Carmem em Atlanta, os dois envolvidos em um amor cada vez mais profundo.

A minha empolgação com a leitura durou até, mais ou menos, a página dez, que foi quando percebi que teria sérios problemas com o ritmo do texto por causa do excesso de exclamações. Afirmações ganharam enfase desnecessária ou animação demais e, infelizmente, acabaram transformando dois personagens muito bons em dois histéricos sem causa.

Isso me entristeceu imensamente, por que a história é muito boa (como eu já sabia que seria, a final de contas, á da Catarina Muniz que estamos falando), mas ficou um tanto apagada no meio de tanta exclamação sem sentido.

10 de nov de 2017

O Selvagem - Kristen Ashley


Tessa O'Hara é uma confeiteira de sucesso em Denver. Seus bolos e biscoitos são requisitadíssimos e não existe cliente que não os adorem. Uma tarde, um cara do tipo "homão da po***" (desculpem, mas não há expressão melhor para descrevê-lo) entrou em sua loja e o chamou para um café e ela aceitou. Simples assim, em coisa coisa de menos de trinta segundos.

Mas quatro meses depois Tess descobriu, da pior maneira possível, que Jake Knox, o homem dos seus sonhos era um policial disfarçado incumbido de vigiá-la de perto para descobrir se ela ainda tinha algum tipo de relacionamento (amorosos ou não) com seu ex-marido, Damien Heller, o maior distribuidor de narcóticos da cidade.

Três meses depois o agente Brock Lucas vai a casa dela exigindo a conversa que ela lhe prometera na ultima noite em que fizeram amor (a mesma em que invadiram a casa dela no meio da madrugada para interrogatório na delegacia).

O jogo está contra Brock dessa vez. Tessa já passou por coisas ruins demais por confiar em alguém que não merecia e pagou caro por isso. mas Brock já se deixou envolver demais pela doce Tess para deixar o caso deles morrer em amargura. Ele está determinado a mostrar a ela que eles podem ser tudo o que eles que a vida pode ser doce e repleta de felicidade.

Esse livro teve, contra ele mesmo, ter sido precedido por um das histórias que mais marcaram meu ano (e é bem difícil mesmo competir com Hawk Delgado) e cheguei a ficar com medo de me decepcionar com a autora. Não me decepcionei, ela até atendeu às minhas expectativas, mas Brock não me encheu muuuito os olhos.

É estranho, mas achei difícil montar os personagens na minha mente. Quer dizer, quando Brock fez sua ponta de participação em O Estranho, me pareceu que ele tinha a mesma faixa etária do Hawk (uns trinta ou trinta e quatro anos). Mas ele tem quarenta e cinco e ela quarenta e quatro. Sobrinhas de dezesseis anos de uma irmã mais nova e dois filhos de quatorze e doze anos. 

De um modo geral, e apesar das coisas estranhas, O Selvagem é uma história bacana e bem escrita. Fiquei meio triste por não poder ter o final que eu gostaria (coisas da idade), mas como posso reclamar de um final feliz?

7 de nov de 2017

As Pupilas do Senhor Reitor - Julio Dinis


Um dos objetivos da minha lista de leitura é não me manter presa a uma época ou país, então, ao ver As Pupilas do Senhor Reitor (e, confesso, na falta de outros títulos que se sobressaíssem mais que este) não me demorei a escolhe-lo.

José das Dornas é um lavrador abastado de uma área rural portuguesa do século XVIII que possui dois filhos: Pedro, que, em resumo, é a quem se destina os negócios do pai, e Daniel, que de tudo lhe é diferente do irmão.

Preocupado com o futuro do mais moço, José das Dornas pede conselho ao reitor da paróquia local, e acaba por decidir fazer Daniel seguir o caminho eclesiástico. Em uma tarde porém, o padre vê o menino no campo com uma menina, os dois a passar a tarde em brincadeiras de criança e Daniel à fazer promessas de amor duradouro à pequena pastora.

O reitor, um tanto injuriado com a descoberta, convence José das Dornas a mandar o menino para estudar medicina no Porto, de onde volta, anos depois, formado em medicina e sem nenhuma lembrança da jovenzinha com quem brincava no campo.

Ao voltar, Daniel tem sua vida cruzada com a de Clara e Margarida, duas jovens moças que ficaram sob tutela de padre Antonio após o falecimento dos pais. Daniel apaixona-se pelos jeitos de Clara, que está noiva de seu irmão mais velho, e, vendo todo o desenrolar da trama enquanto sofre calada, está Margarida, a pastorazinha que, desde pequena, nutre por Daniel um amor que o tempo e o desabrochar difícil da vida adulta não deixou esquecer.

Se a trama lhe parece digna de novela das seis, não a toa que ela foi adaptada por duas emissoras (TV Record em 1970 e SBT em 1994). Escrito em 1867, As Pupilas do Senhor Reitor é uma história bonitinha que fica no limiar entre o espírito romântico e a mentalidade realista que produziu tantas boas obras em Portugal.

A leitura não é difícil, especialmente se você tiver a mão um (abençoado) aplicativo que lhe um bom dicionário (tradicional ou de sinônimos). Na verdade, esses pequenos percalços linguísticos me fez aproveitá-la ainda mais (e, de quebra, me forneceu boas pausas durante a leitura). 

O livro é gostoso, tem desafio certo para quem deseja se aventurar na literatura portuguesa. Já pegueis outros títulos do autor para procurar.

2 de nov de 2017

O Carteiro e o Poeta - Antonio Skármeta


A literatura chilena é uma das mais respeitadas da América Latina. Sendo leiga no assunto, aproveitei o embalo e escolhi um dos livros disponíveis de Antonio Skármeta nos lançamentos de Agosto e escolhi O Carteiro e o Poeta, que, de uma maneira ou de outra, possui as bençãos do Premio Nobel Pablo Neruda.

Mario Jimenez é um rapaz de dezessete anos que constantemente inventa resfriados para não seguir o pai em seu ofício de pescador, preferindo muitas vezes ir à cidade para ver filmes ou folear revistas de celebridades.

Em uma tarde, depois de receber um pito do pai por não ter ocupação, ele vê o anuncio de emprego na agência dos correios para o ofício de carteiro. A perspectiva de passar o dia pedalando o atrai, e ele se candidata ao cargo. O trabalho é, unicamente, entregar a correspondência diária ao único letrado na Ilha Negra: o poeta Pablo Neruda.

A aproximação entre esses dois personagens, começa tímida, mas aos poucos se converte em uma inusitada amizade, em que os dois trocam considerações sobre a poesia, Mario busca conselhos sobre como conquistar o coração da garçonete Beatriz e Neruda pede, em seu papel de diplomata da França, que o carteiro grave os sons de sua terra para aplacar a saudade de Ilha Negra.

A história de O Carteiro e o Poeta é suave como a vida no interior, sem acontecimentos abruptos ou grandes reviravoltas do destino, mas é marcante no sentido de mostrar o quanto uma pessoa pode influenciar a outra somente por ele ser a pessoa que é, e o quanto a amizade e a poesia podem modificar os rumos de uma vida.

30 de out de 2017

Gata Branca - Holly Black


Na minha vontade um tanto insana de aproveitar ao máximo meu acesso ao catálogo da Rocco, saí iniciando um monte de séries que tinha vontade de ler. Uma dessas séries foi a Senhores da Morte.

Um Meste é alguém que tem o poder de mudar emoções, memórias e destinos com o mais leve toque das mãos. Aqueles que conjuram sortes inexplicáveis ou que tecem fortes desejos de felicidade são conhecidos como Mestres da Sorte. Mas há aqueles capazes de quebrar ossos, transformar coisas (e pessoas) em outras ou até mesmo matar. Estes são os Mestres da Maldição.

Seja você de que tipo for, manifestar sua habilidade é ilegal. Você é considerado criminoso se descobrirem que você é um Mestre.

Apesar de seus pais e irmãos possuírem o toque mágico, Cassel Sharpe é um adolescente comum que tenta viver uma vida normal apesar da família estar envolvida com o crime organizado. A não ser pelo fato de ter matado sua amiga a facadas quando eles tinham quatorze anos. 

Uma noite ele acorda e se vê no topo no telhado de seu colégio, prestes a perder o equilíbrio e cair rumo à morte certa. Em seus sonhos, perseguia uma estranha gata branca que parecia ser uma constante em meio a vários outros sonhos inquietantes.

Ao ouvir escondido  uma estranha conversa de seus irmãos mais velhos, e de perceber que várias de suas memórias parecem escapar de sua mente, Cassel começa a questionar suas verdades e suas lembranças.

Dizem que a ignorância é uma virtude. No caso de Cassey, é uma marca de manipulação.

No meio de vários livros protagonizados por adolescentes que não parecem ter muita coisa na cabeça, Gata Branca trouxe uma narrativa consistente de um jovem que tentava sobreviver em seu mundo limitado até literalmente se forçar a entrar em um mundo que até então sempre pareceu excluí-lo.

O mundo criado por Holly Black me chamou atenção, e agora estou pensando seriamente no que vou fazer para conseguir o restante da série.