20 de jul de 2017

O Estranho - Kristen Ashley


Gwendolyn Kidd conheceu o homem dos seus sonhos entre um drink Cosmopolitan e outro durante uma noite de apoio moral à uma amiga bartender. Sem rodeios, ela o levou para sua casa e se entregou àquele estranho sedutor.

Acordar sozinha na manhã seguinte a deixou de coração partido, mas ele voltou para ela na calada da noite. E é assim a um ano e meio: o estranho chega na calada da noite e parte antes do amanhecer. os dois não trocam palavras (na verdade, eles sequer chegaram a trocar nomes), mas, desde a primeira noite, Gwen mal consegue suportar as noites em que ele não a visita.

Quando sua irmã mais nova se envolve, mais uma vez, com as pessoas erradas, Gwen decide procurar o ex-namorado dela e, quem sabe, conseguir ajudá-la, mas tudo o que consegue é se colocar na mira de pessoas ainda mais erradas e definitivamente muito mais perigosas.

Mas ela também consegue fazer com que, pela primeira vez em um ano e meio, ela veja (e fale!) com o estranho à luz do dia.

Hawk precisará sair das sombras que o cercam para proteger Gwen. Sair da confortável zona de conforto que é o papel de amante, e até passar por cima de seus próprios traumas, para ajudá-la. Mas talvez ela não goste muito de sua versão protetora...

O estranho possui 575 páginas e, confesso, passei boa parte delas rindo quase descontroladamente. Gwendolyn é uma mulher de 33 anos que poderia muito bem se passar por adolescente sem nunca poder ser chamada de imatura. Cabeça de vento (sim) com os hormônios a mil (com certeza), e chamariz para problemas (e para homens gostosos também).

Um adicional que faço é que anos atrás, comecei a ler um livro em que o protagonista masculino era tão exagerado em relação à proteção da protagonista feminina que cheguei a abandonar a história (e por pouco não joguei o exemplar na parede). Hawk tem seus momentos de exagero, não negarei este fato, mas a questão é que a autora soube trabalhar esse aspecto sem deixar que o bizarro saísse do controle, e ainda fez a coisa toda ser absurdamente hilária.

A trama foi bem construída, assim como os personagens, e a narração manteve a qualidade ao longo de todo o livro. Kristen Ashley com certeza é uma autora que prestarei atenção daqui pra frente.

13 de jul de 2017

A Fera em Mim - Serena Valentino


Quando a Universo dos livros anunciou que traria histórias dos sucessos da Diney fiquei bem animada (até porque a empreitada incluiria meu amadíssimo A Bela e a Fera), mas depois de Frozen - Um Coração Congelado, minha empolgação diminuiu bastante (o livro não acrescentou pouco ou praticamente nada à história).

A bem da verdade, estava com receio de sofrer a mesma coisa e acabar tendo nada além do mais do mesmo de uma história que amo tanto, mas senti que já estava na hora de ler este livro.

E fiquei muito, mas muito contente mesmo de ver os detalhes que Serena Valentino acrescentou à história, e mais ainda em ver que ela fez isso sem interferir em praticamente nada da história como a conhecemos.

Tomando por base o filme da Disney de 1991 (amor eterno e incondicional a essa versão <3) A Fera em Mim começa na primeira noite de Bela como Prisioneira da Fera.

No jardim, tentando entender o motivo de Bela ter se oferecido como prisioneira no lugar de seu pai, a Fera acaba se perdendo é confrontado por três fadas que atormentam sua vida desde que a feiticeira jogou a maldição sobre ele e sobre o castelo. Logo em seguida, já irado pelos desaforos, ele ainda precisa ouvir sua "convidada" chamando-o de monstro (embora até ele admitisse que havia alguma verdade nisso).

Recluso em seu aposento na Ala Oeste, a Fera se deixa levar pelas lembranças do passado, da época em que era um príncipe humano, belo e feliz com a vida que tinha.

A Fera em Mim merece ser lido merece ser lido não apenas por ser A Bela e a Fera, mas por nos permitir olhar tudo pelos olhos do príncipe (e também por ter algumas referencias muito maneiras sobre os outros contos de fadas). Com o filme (com os filmes aliás), é bem fácil perceber o sofrimento pelo qual ele teve que passar até encontrar o amor de Bela, mas, de alguma maneira, esse livro conseguiu construir a personalidade de Adam de maneira bem mais precisa.

10 de jul de 2017

A Ordem dos Clarividentes - Samantha Shannon


(A Ordem dos Clarividentes é continuação de Temporada dos Ossos).

Com muito custo, Paige escapou escapou da colônia penal Sheol I. Mas o preço foi alto e o fim do cativeiro não significou o fim dos problemas: muitos os sobreviventes estão desaparecidos e ela se tornou a pessoa mais procurada de Londres.

Enquanto Scion caça a Andarilha Onírica, os líderes do Sindicato (grupo "organizado" dos videntes) perdem sua liderança semanas antes do governo colocar em teste um novo tipo de sensor identificador de videntes. O Sublord e seu séquito são encontrados mortos em seu covil. A nova liderança sairá de um duelo entre todos os candidatos que se dispuserem a arriscar suas vidas.

Jaxon Hall e seus Sete Selos se preparam para assumir o palco. Mas uma Mariposa se arriscará para, enfim, revelar os segredos que dividem a comunidade clarividente a quase dois séculos.

Segredos que virão à tona quando os Rephaites saírem das sombras.

Na resenha de Temporada dos Ossos comentei que não sabia a razão de o livro ter continuação. A verdade é que eu estava completamente enganada. A podridão de Sheol não estava confinada ao seu campo de concentração de videntes, a corrupção do Sindicato estava muito mais enraizada do que eu poderia ter imaginado e havia muito mais coisa rolando do que sonhava minha vã filosofia.

Comparado ao livro anterior, A ordem dos Clarividentes é mais tensa. O jogo aumentou demais em seus desdobramentos e o destino dos videntes ficam a cada momento mais incerto.

Samantha Shannon, mais uma vez, mostrou que consegue manter a narração e a progressão da história em alto nível (e sim, a "comparação" com a diva J. K. Rowling se mantém nesses quesitos). O suspense as ondas de adrenalina que pairam sobre os personagens são facilmente sentidas pelos leitores e há muitas passagens que merecem toda a nossa atenção.

6 de jul de 2017

Um Romance Perigoso - Flávio Carneiro


Conheci Flávio Carneiro em um evento promovido pelo SESC em 2015 e tive a felicidade de ganhar o livro O Livro Roubado. Foi uma das melhores descobertas do ano e quase surtei ao ver um novo romance dele disponível para os parceiros da editora.

André se tornou detetive particular por acaso, mas não por acaso que ele continuou como tal. Ele e  o Gordo, seu "ajudante" e dono de um sebo Lapa, são leitores vorazes e aficionados por romances policiais, e suas bagagens literárias são suas maiores vantagens na hora investigação.

A noticia da primeira página do jornal é chocante: um famoso escritor de autoajuda foi encontrado morto em seu quarto de hotel após uma sessão de autógrafos. De acordo com as informações divulgadas pela policia, o escritor fora morto por uma injeção de estricnina no pescoço. Em uma parede, escrito em tinta vermelho sangue, os dizeres "X-9" e, próximo ao corpo, uma edição usada de A Irmãzinha, do escritor americano Raymond Chandler.

Menos de uma semana depois, outro assassinato: outro escritor de autoajuda, dessa vez em sua mansão, durante um jantar oferecido a mais de duzentos convidados, é encontrado morto por estricnina. Além da mesma edição de A Irmãzinha, um bilhete datilografado em tinta vermelha e encontrado no paletó da vitima com os dizeres "A CEIA".

A escrita de Flávio é maravilhosa, dinâmica, envolvente, e não deixa o leitor se perder nas divagações dos detetives (o que, para mim, sempre foi um ponto contra nos grandes nomes do gênero). André e Gordo quebram os pontos ais tensos da trama com as perambulações gastronômicas pelo Rio de Janeiro sem nunca deixar de desenvolver a linha investigativa da trama. E ele é muito bom na construções das referencias também (a que mais me impactou foi uma que, de um lado resgatava o tema do livro anterior, de outro abrangia o próprio livro em si).

Um Romance Perigoso é uma grande homenagem ao mundo romance policial. E, se você for do tipo que não faz a minima ideia do que ler sobre o gênero, André, Gordo e os contatos que os ajudam ao longo da investigação lhe darão várias indicações de por onde começar (eu, por exemplo, anotei todos e irei procurá-los!).

3 de jul de 2017

Um Beijo Inesquecível - Julia Quinn


Hyacint Bridgerton, a oitava e ultima rebenta de Violet e Edmund Bridgerton, é uma moça única, e ninguém com um mínimo de conhecimento sobre ela discordaria disso. Dona de uma inteligência quase cruel e de uma franqueza desconcertante, poucos são aqueles que conseguem lhe fazer companhia. 

E é justamente esse o problema: Hyacinth já está em sua quarta temporada e nenhum dos (poucos) pretendentes que a cortejara até aquele momento impressionou a caçula dos Bridgertons.

Durante um recital promovido pelos Smythe-Smith, ela conhece Gareth St. Clair, neto de Lady Danbury (uma das coroas mais legais de toda a série). Belo, atraente e, o mais incrível, capaz de manter uma conversa de verdade com Hyacinth (conseguindo, inclusive, a proeza de deixá-la momentaneamente sem fala e sentindo um frio na barriga de vez em quando).

Hyacinth está decidida a não se deixar levar por St. Clair. Ela sabe que a reputação dele é duvidosa e sabe também que possui uma reputação a zelar, mas o surgimento de um diário da avó italiana de St. Clair, e seus conhecimentos sobre o idioma, irá colocá-la diante de uma intrigante caçada.

Talvez nem ela nem Gareth estivessem procurando por todas as questões levantadas pelo diário da avó St. Clair, mas talvez eles encontrem todas as respostas que precisassem.

É estranho pensar que anos já se passaram desde o início da série (Anthony está "levemente grisalho") e que Hyacint e Greory estão em seus 22 e 24 anos respectivamente. E tudo o que pensamentos sobre ela ao longo dos livros anteriores estava certo afinal: é quase impossível controlar o gênio de Hyacint e ela sabe ser muito divertida quando quer.

Uma ressalva que encontrei neste livro foram os cortes de cena e a maneira como a autora mudava de um ponto de vista narrativo a outro: cada cena tinha uma introdução (uma linha que fosse) indicando, no mínimo, "quem", "onde" e "quando" (às vezes "o que" também). (Exemplo: "Apenas uma hora mais tarde..." ou "Ainda no beco, Gareth olha.."). Ficou estranho e sem sentido, e Julia Quinn já se mostrou competente o bastante para fazer uma ambientação rápida como essa de maneira integrada ao texto.