12 de fev de 2014

20 Mil Léguas Submarinas - Jules Verne



Desde que comecei a me aventurar pela literatura dos séculos passados (uma busca mega-rápida indicou que a obra mais antiga da minha estante é do séc. XVI) eu sempre me preocupei em buscar algo sobre o autor e sobre o período (cronológico e literário) em que ele está situado. Essa (linda) edição publicada pela Ed.Zahar trás uma maravilhosa apresentação do autor e da obra. É de se apaixonar antes mesmo de se começar a ler.

Nascido na França de 1828, JULES Verne começou a exercitar seu talento para a literatura com dramas históricos, livretos de operetas e pequenas histórias de viagens, sem, no entanto, conseguir prestígio na área. Sua carreira como escritor foi alavancada graças à associação com o editor Pierre-Jules Hetzel, que já trabalhava com grandes nomes da época, como Alfred de Brehat, Victor Hugo, George Sand e Erckmann-Chatrian. A novela “Cinco semanas em um balão” (1862) foi o primeiro destaque na carreira de Verne.

O Ano é 1866, em diversas partes do mundo, navios de diversas nacionalidades começam a naufragar ou a sofrer sérios e inexplicáveis estragos. As poucas descrições fornecidas por quem presenciou os acidentes, e conseguiu chegar vivo a alguma costa, levam o mundo cientifico a crer que se trata de uma espécie de gigante marinho “cumprido, fusiforme, fosforescente em certas ocasiões e maior e mais veloz que uma baleia”. A bordo da fragata Abraham Lincon, o professor Aronnax participa de expedição incumbida de encontrar e abater tal monstro. Após dias de uma caçada às cegas, e de uma perseguição exaustiva, Aronnax, seu ajudante Conselho e o arpoador Ned Land descobrem que o monstro marinho é, na verdade, uma maravilha submarina concebida pelas mãos humanas.

A obra é narrada pelo professor Arronax como se fosse um diário de viagem. Ora instigante, ora arrastada (principalmente nos rompantes de termos científicos e explicações numéricas). Ainda assim, é interessantíssima.

Após algumas horas de cativeiro, Aronnax e seus companheiros se descobrem a bordo do Náutilus, uma maravilha mecânica e náutica projetada e construída pelo misterioso Capitão Nemo (por sinal, esse cara merece um post somente para ele... Quem sabe no futuro?). Apiedando-se dos invasores, Nemo os deixa vivos e livres dentro de sua embarcação, mas sem a possibilidade de retornarem à terra firme. Mas as maravilhas guardadas pelas profundezas do oceano e as descobertas propiciadas pelo Náutilus ofuscam, ao menos inicialmente, toda a sensação de cativeiro que o professor poderia ter.
Dividida em duas partes (de 24 e 23 capítulos cada), a edição conta com mais de 70 ilustrações originais de Édouard Riou (1838-1900), que por sinal, foram pessoalmente supervisionadas por Verne. E como não amar uma edição que trás alguns comentários de rodapé feitos pelo próprio autor? Impossível! *-*

Tenho pra mim que a grande jogada de Jules Verne foi saber dosar a realidade e as projeções da ciência do Séc. XIX com um enredo fictício bem elaborado e instigante. Em alguns momentos da narrativa, você não consegue saber onde o fato científico termina ou onde o ficcional começa. E as referencias utilizadas por Verne, são em sua maioria (senão todas) verídicas. Cientistas, navegadores, escritores (inclusive com uma linda referencia a Victor Hugo), alguns fatos históricos (e essa edição trouxe vários comentários sobre cada uma dessas referencias) e etc, tudo foi feito para dar verossimilhança ao Náutilos.


E o objetivo foi alcançado com louvor, a história é simplesmente INCRÍVEL!

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