18 de fev de 2014

O Vampiro Armand – Anne Rice



Alguns acontecimentos em Memnoch deixaram-me um tanto receosa de ler esse volume de As Crônicas Vampirescas. Mas mesmo faltando apenas um livro para alcançar a lacuna da minha coleção, eu não consigo ficar longe. Estava com bastante saudade desses vampirinhos. (Embora não seja muito fã de Armand, pelo menos não até agora).

Há um tempo, perguntaram-me se as Crônicas poderiam ser lidas separadamente. Volto a responder: as histórias são independentes, porém interligadas. A não ser que você realmente deteste spoilers, a coleção pode ser lida em qualquer ordem. O Vampiro Armanda é o sexto na cronologia e se você não leu os livros anteriores, não tem problema, Armand pensou em você e recontou algumas partes da história de seu encontro com Luis, Claudia e Lestat (lindo, apenas. xD)

Seguindo o exemplo de O Vampiro Lestat, agora conhecemos mais detalhadamente a história de Armand. Narrado pelo próprio e escrita pelo cada vez mais misterioso David Talbot.
"Que serenidade. O homem mais velho nele de fato comandava a carne mais robusta e mais jovem, o sábio mortal com uma autoridade férrea sobre todas as coisas eternas e com um poder sobrenatural. Que combinação de energias! (Armand sobre David Talbot).
A primeira vez que li sobre Armand, no Entrevista com Vampiro, além de achá-lo louco e extremamente melancólico, havia algo de amargo na necessidade de amar e de ser amado por outros homens. Não entendi muito bem na época, mas agora, conhecendo sua infância (adolescência na verdade) e sua vida em Veneza sob a tutela de Marius, e seus pensamentos e sentimentos em relação a seu Mestre e Criador... Bem, esses traços de personalidades simplesmente começam a fazer sentido.

De um garoto tímido e traumatizado, Amadeu (outrora chamado de Andrei por sua família de Kiev) tornou-se um verdadeiro príncipe veneziano, vestindo os tecidos mais finos, aprendendo as artes da literatura, da pintura, da música e tudo o mais que Marius oferecia a ele e aos outros rapazes que viviam em seu palazzo. Ele aprendeu a amar e a ser amado por todos ao seu redor, que se rendiam às suas feições delicadas, mas era o amor à Marius que o fez desabrochar tanto como humano quanto como imortal.

Uma coisa que achei interessantíssima foi o abismo que existem entre as personalidades de Lestat e Armand. O primeiro, sempre intenso, desafiador e livre. O segundo, suave, sensível e um tanto carente. Eu já disse que AMO essa série? O vampiro Marius é outro mundo, completamente diferente dos dois (apesar de ter algumas congruências com a personalidade de Armand, sei lá, há em Marius uma carência não só de amar/ser amado, mas também de aprender e de ensinar, de querer acompanhar a evolução do homem no mundo).


Separado de Mestre e Criador, Amadeo é convertido e ensinado por Santino a ser um dos Filhos da Escuridão. E não somente para seguir a essa estranha fé, mas também para liderá-la em sua ramificação na França. Assim surge Armand, “o anjo errante de Satã, seu matador com ar infantil”. (E como o nome de Satã muda de imagem após Memnoch! Ah Memnoch, como fostes bem-sucedido em tua missão de ser o antagonista de Deus! O que me faz Lembrar: eu não sei se isso será algo constante nas próximas crônicas, mas desde Memnoch a carga de filosofia cristã entre os vampiros de Anne Rice tem ficado bastante evidenciada. E estou adorando isso.)

E que música misteriosa é essa, a Appassionata de Beethoven, que foi capaz de fazer Armand agarrar-se a vida e de tirar Lestat de seu sono sepulcral na capela do convento que era de Dora.

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