30 de out de 2014

O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson



Publicado pela primeira vez em 1886, O Médico e o Monstro ainda é considerado uma referencia na personalidade fragmentada do ser humano dentro da literatura.

A introdução a obra nessa edição é rápida (se não me falha a memória, todo pocket é assim). Mais do que rápida, ela é condensada, mas nada que uma leitura mais atenta (e um pouco de exercício de neurônios) não resolva.

Dá para dizer que essa história possui três narradores distintos: o advogado Utterson, uma das vítimas de Hyde e, por fim, o próprio Dr. Jekyll. É nesse  ultimo que ocorre todo o ápice da história.
"Outros poderão prosseguir, outros exceder-me-ão nestes limites; mas atrevo-me a pensar que o homem será um dia caracterizado pela sua constituição multiforme, incongruente, com suas facetas independentes uma das outras."
A história em si não é assustadora. O que assusta é a ideia que está por trás do texto: ter seu lado bom e seu lado ruim conscientes um do outro e lutando pela posse de um mesmo corpo (detalhe que cada personalidade deixa uma marca diferente no físico do indivíduo).

Essa edição trás ainda duas outras histórias de Stevenson: Markheim e Janet do Pescoço Torcido (nome atraente não?)

Markheim é um bandido, um assaltante e assassino que, em dia de Natal, está cometendo mais um de seus crimes. Mas no meio da ação, enquanto ele tenta achar a cave do cofre de sua vítima, um visitante (que em momento algum é identificado, mas que te deixa com muitas pulgas atras da orelha) chega à cena iniciando um debate (de falas longas demais para o meu gosto) pela salvação (ou perdição?) do corpo (ou da alma?) do criminoso.

Quanto ao último conto... Credo! Só digo isso.

Robert Louis Stevenson foi um escritor escocês do século XIX. Uma coisa curiosa é que, pelo que entendi, sua obra A Ilha do Tesouro foi uma das obras que inspirou J. M. Barrie (de Peter Pan) a criar a Terra do Nunca.

26 de out de 2014

Exposição O Encantado (Attilio Colnago)


Eu já devo ter comentado por aqui que meu atual estágio está belissimamente bem posicionado no que diz respeito ao centro histórico de Vitória. O que, graças a uma bem-aventurada mente, tem significado exposições constantes em diferentes locais da cidade. O Palácio Anchieta é (até onde sei) o espaço mais bem preparado para receber exposições de maior renome, e já foram expostos trabalhos de Portinari, Di Cavalcante (que não consegui fazer a postagem), além de vários artistas capixabas.

Nascido no interior do Espírito Santo, Attilio Colnago estudou artes na Universidade Federal do Espírito Santo, onde ingressou em 1973. Sua ênfase é desenho de figura humana. Teve formação complementar por meio de participação ativa nos festivais de inverno de Diamantina e Ouro Preto, onde se iniciou o contato com a arte religiosa barroca, influência marcante em seu trabalho artístico,uma das matérias que leciona atualmente nesta instituição.

A exposição "O Encantado" reúne ilustrações, gravuras, desenhos, figurinos desenhados para algumas peças locais e um vídeo sobre ele e sua obra, além de alguns objetos que fazem parte do processo criativo dele (que vão desde os tradicionais materiais até fotografias, pregos, cabelos, espinhos, facas, e outras coisas que podem ser encontradas a esmo).

Eu gostei muito da exposição. Percebi que ele trabalha muito com sobreposição entre imagens e colagens, e achei interessante a maneira com que ele faz isso sem misturar os dois elementos. As coisas ficam (a meu ver) harmoniosas, diferentes e realmente muito bacanas.

"Attilio busca na história a arte para impulsionar sua criatividade. Tem plena consciência de que cada obra é vista de forma diferente ao ser reinterpretada. A necessidade de ter obras históricas como base para seu trabalho talvez venha pela convicção de que somente a partir delas é possível criar algo novo. Esse novo, na perspectiva do artista, passa pela consciência de saber que suas releituras de obras passadas dependem muito das leituras que ele faz do seu presente"
- Paulo de Barros (Curador) - 

Ele também tralha muito com as cores, e algumas obras são meio ilustração meio pintura. Em outras aparecem muito o jogo entre tons claros e cores metálicas ou bem vivas, se não expliquei direito, aqui vai alguns exemplos:

















Outra coisa que eu achei maravilhoso foi que em alguns quadros (na maioria dos que estavam expostos pelo menos) o fundo do desenho é composto por palavras, escritos em português ou não que fazem ou não algum sentido (pelo menos para mim não fizeram muito). Quer dizer,, o cara juntou a arte escrita (por que caramba, a caligrafia era linda) com a arte pintada, com a arte colada (isso existe?) e ainda retomou algumas técnicas usadas desde a Idade Medieval! Não tudo num quadro só, mas sei lá, achei bonito. :)

Sobre Pontas de Metal
 (uma das técnicas usadas pelo artista em alguns dos quadros da exposição)
A Exposição “O Encantado" está aberta a visitação no Palácio Anchieta (Praça João Clímaco, Cidade Alta) de Terças às Sextas das 08h ás 17h e Sábados, Domingos e Feriados das 09h às 16h. A entrada é franca até o dia 02 de Novembro. A entrada é franca.


23 de out de 2014

As Brumas de Avalon: A Senhora da Magia - Marion Zimmer Bradley


"Esse é o grande segredo, conhecido de todos os homens cultos de nossa época: pelo pensamento criamos o mundo que nos cerca, novo a cada dia."

As Brumas de Avalon foi uma das primeiras histórias (se não a primeira) que li sobre Rei Artur (e apenas no dia anterior à confecção desta postagem reparei que tenho a minha disposição outras 4 versões). 

Apesar de começar sendo narrada por Igrane (mão de Artur), a história é contada sob a ótica de Morgana, irmã de Artur e Sacerdotisa da terra encantada de Avalon. Ela assume a narração um pouco após a página 100.

O interessante dessa narração é que ela é solene, dá para perceber nitidamente que a existem magias e Mistérios por trás dela. A coisa toda é irreal, mas verossímil demais para ser algo totalmente fictício (e eu AMO histórias assim).

Outra coisa que me faz gostar dessa série é o embate entre o cristianismo romano e a religião nativa. A todo o momento Morgana faz uma "comparação" entre as duas. E fica claro o antagonismo entre elas quando, em certo momento da história é dito algo como "Artur precisa lutar por duas religiões opostas, que tem seu ponto mais sagrado no que a outra considera ser um pecado mortal".

Este é o primeiro dos quatro livros da série As Brumas de Avalon. E percorre a infância de Morgana, sua iniciação no caminho da Deusa, a celebração do Grande Casamento entre a Virgem Caçadora e o Gamo-Rei, a coroação de Artur e o momento em que ela deixa a terra mágica.

19 de out de 2014

Os Mistérios de Warthia: A Profecia de Mídria - Denise Flaibam



Primeiro quero agradecer à lindíssima Denise Flaibam pela dedicatória (eu adoro esses recadinhos! *-*) e pelos marcadores enviados (um deles já ocupa um livro do tio Martin) e pela bolsinha MARAVILHOSA! Adorei muito! :3

Ao dar uma espiada nas ultimas páginas do livro (o que por sinal, não é nada indicado) tive a feliz surpresa de encontrar um guia de pronuncia de alguns nomes e significados e algumas palavras do "idioma antigo", além do mapa de Warthia, Para mim, são coisinhas desse tipo que dão um toque a mais que faz toda a diferença.

Serafine Delay é uma garota da relativamente pacata da Vila do Sol. Ela é doce e gentil com todos, mas um tanto impetuosa e curiosa. A vida tranquila acaba quando sua Vila é atacada por ferozes monstros e ela se vê como protagonista de algo que pode mudar o destino de Warthia para sempre.

Eu já morria de curiosidade de tanto ouvir três conhecidas minhas falando sobre o livro e fiquei super feliz quando a Denise me fez um preço camarada por dois exemplares (sim, haverá o sorteio de um livro autografado com mimos, mas isso é um assunto para próximas postagens).

Foi muito fácil pegar carinho por essa história. A narrativa é bem tranquila de se seguir, e reparei que algumas coisas que "incomodaram" uma de minhas amigas não me atrapalhou em nada, muito menos me incomodou. Na verdade, fiquei bem contente por que, de tanto a narração voltar ao fato de que Serafine possui a pele morena, acabei animando em fazer um cosplay da personagem (ou alguma coisa parecida com isso).

Enfim, eu gostei bastante da narração, foi descritiva na medida certa e sem aquele monte de "o que ela não sabia", ou "o que ela não viu", ou ainda "ela não reparou que..." que, sinceramente, me tiram do sério. O enredo em sim também foi bem montado, tinha pouca coisa realmente obvia na história (a maioria instiga o leitor a juntar "A" e "B" e coisas assim são sempre bem-vindas).

Pessoalmente, acabei o livro agradecendo o investimento feito e ansiosíssima pelo próximo volume da série. :)

15 de out de 2014

Peter Pan - J. M. Barrie


Essa é a edição de bolso do livro ilustrado e comentado lançado em 2012 também pela Editora Zahar.

Eu comprei o box que brilha no escuro em parte por causa dele, mas sinceramente, me arrependo (em parte por esperar as belas apresentações das quais já me acostumei em encontrar nas edições e os comentários do tradutor).

Algumas histórias possuem o dom de despertar uma vozinha de contador de história dentro da sua cabeça. Foi assim com Alice e com O Mágico de Oz. Mas em Peter Pan essa vozinha é tão incrível que até o maior deboche de Peter ganha o tom certo das histórias que são contadas antes de irmos dormir.

E é muito legal ver o quanto o narrador acredita nas coisas incríveis da Terra do Nunca, e é quase impossível não começar a sussurrar:


A sensação que fica quando você termina de ler é aquele gostinho de infância que você insiste em manter dentro de si. É lindo! *-*

Não posso passar por Peter Pan sem comentar a participação dele na 3ª Season de Once Upon a Time: Eu não estava conseguindo ver as correspondências até chegar a parte em que Wendy pede para voltar para casa. O narrador, que volte e meia chamava Peter de arrogante (o tipo de arrogância de criança líder de turma, sabem?), começou a descrevê-lo como cruel e cínico. Foi coisa de um ou dois parágrafos, mas de fato, o Peter Pan de OUT era assim. A Sininho também não foi lá muito parecida (em questão de comportamento), e tanto ela quanto o Gancho (principalmente o Gancho) me lembraram mais o desenho animado que conhecemos do que a série.

11 de out de 2014

Violino - Anne Rice


Eu achava que Lestat possuía momentos de melancólicos. Também achava que Louis era excessivamente depressivo... Mas a narradora desse livro supera (e muito) esses dois.

Triana (a personagem-narrador) acaba de perder seu marido para a AIDS. Ele morreu em casa, aparentemente tranquilo. Ela o limpou, o cobriu, o manteve limpo e protegido durante as três noites divididas com o marido morto.

Toda essa cena, a do velamento particular, a do velório público, toda essa parte fúnebre é acompanhada, de longe, por um violinista misterioso. E que som ele tirava do violino! Para Triana, daquele violino saía a melodia perfeita para embalar todo o seu sentimento de perda e toda a sua simpatia pela morte.

Se há uma palavra que defina a personagem principal desse livro, é atormentada. E muito. A narração é cheia de lembranças rancorosas, cheia de fantasmas e de amargura. E o violinista conseguiu piorar ainda mais as coisas.

“Me enlouquecer, nenhuma possibilidade. Mas por que você quer que eu sofra, por que você quer que eu me lembre dessas coisas, por que você toca tão lindamente quando eu me lembro?”

A narração de Triana acaba, para minha surpresa, no Brasil. E pela segunda vez, Anne Rice usufrui do clima sobrenatural e místico do candomblé (para quem não se lembra, David Talbot possuiu fortes elações com o candomblé quando era vivo).

Consegui perceber algumas semelhanças entre Violino e As Crônicas Vampirescas. Não só a questão sobrenatural, mas a melancolia, a insistência em se prender ao passado e em remoer traumas.

Há algo nas narrativas de Anne Rice que me faz ficar completamente atenta a história, mas a algo nessa história que me obrigou a fazer paradas constantes (talvez o tom mais fúnebre da narrativa).

7 de out de 2014

Sorteio#2 - Promoção de Aniversário do Ler Para Divertir!





Promoção comemorativa do aniversário de 4 anos do blog Ler para Divertir

Participe desta festa de livros que os Blogs Ler para Divertir, Addiction for Books, Amo Muito Livros e Filmes, Atributos de verão, Memoirs and Books, Meu Passatempo blábláblá..., O Capítulo do Livro, Soletrando Felicidade prepararam para vocês.

Serão sorteados 3 ganhadores - cada um vai ganhar 4 prêmios

O primeiro colocado escolhe 2 prêmios, da lista de prêmios,
O segundo escolhe 2 prêmios da lista restante,
O terceiro escolhe 2 prêmios da lista restante,
E depois nova rodada para escolher os 2 prêmios restantes de cada ganhador.

Regras
  1. A Promoção é válida até 31 de Outubro de 2014
  2. O sorteio será pelo Raffecopter, dia 01 de Novembro de 2014.
  3. Obrigatório: Deixar um comentário nessa postagem indicando sua participação.
  4. O(a) ganhador(a) deve residir em território nacional.
  5. Depois de comunicado, o ganhador têm o prazo de 7 dias para enviar os seus dados completos de endereço para o e-mail: lerparadivertir@gmail.com. Após o envio dos seus dados, os blogs terão o prazo de até 30 dias para o envio dos livros.
Prêmios

Um Dia [David Nicholls]
O Doador de Memórias [Lois Lowry]
As árvores das Lágrima [Naseem Rakha]
O Beijo da série Bruxos e Bruxas [James Patterson e Jill Dembowski]
Desejos [Alexandra Bullen]
Esperando por Você [Susane Colasanti]
Ricos & Rústicos (3 livros com 6 histórias)
Dimensões.BR - Volume 1 - Contos Fantásticos no Brasil
Claro que Te Amo [Tammy Luciano]
Cretino Irresistível [Christina Lauren]
Kit de Mimos 1
Kit de mimos 2

Inscrições

4 de out de 2014

Wild Cards: Ases Nas Alturas - George R. R. Martin


Mais de 30 anos se passaram desde a infestação do vírus Cartas Selvagens (Takis-A). O mundo já se acostumou com os Ases e com os Curingas.

A ameaça, agora é outra. E ela vem de dentro e de fora da Terra: na Terra, sob a forma de uma seita maçon bizarra que busca trazer o mostro TIAMAT para devastar nosso planeta. No espaço, uma criatura temida por todos os universos encontrou na Terra um ambiente de alimento farto. Toda a trama apresentada nesse livro gira entorno desse ponto.

Poucos personagens do primeiro livro foram realmente aproveitados, se não me engano, apenas seis ou sete que foram principais se mantiveram como tal, os outros meio que ficaram de stand by para que outros pudessem levar destaque.

Aliás, ao personagem de capa é o do George Martin, que me surpreendeu bastante com o tom amargurado e depressivo do Grande e Poderoso Tartaruga. 

O espaço de tempo dessa parte da história de Wild Cards é bem menor que a anterior, arrisco-me a dizer que todos os ocorridos se deram em um período de, no máximo, um ano (talvez pouca coisa mais que isso). 

Ainda comparando com o volume anterior, a narração é um pouquinho mais complexa, mas acho que foi por causa da quantidade de batalhas individuas, além da velocidade das mesmas (excesso de frases curtas as vezes me fazem perder demais o fio da história).

"Poder atrai poder e aflição atrai aflição. Todos perdemos algo de precioso para nós nesta batalha contra o horror. Mas precisamos seguir em frente, seguir em frente e virar as costas para a escuridão, se pudermos."
 - Dr. Tackyon -