16 de jan de 2015

O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde


De Wild a Wilde... Que coisa não?

Oscar Wilde começou este romance de uma maneira bastante inteligente: dois personagens quase opostos em suas personalidades em uma conversa que acaba desembocando no jovem Dorian Gray.

Basil Hallward é um artista, um pintor para ser mais exato, que viu no jovem Dorian Gray a inspiração maior para seu trabalho. Dorian é descrito por ele como um rapaz de intensa beleza de corpo e de espírito.

O interlocultor de Basil é o Lorde Henry Wotton, um dos personagens mais desagradáveis que consigo me lembrar de ter conhecido. Aristocrata, ele defende que tudo o que vale a pena no mundo é o que é belo e o que dá prazer aos sentidos e à alma. 

Finalmente, temos Dorian Gray, e de fato ele é um garoto muito agradável, ingênuo, sem consciência do efeito que sua beleza produzia nos outros. Mas bastou apenas uma conversa com Lorde Henry para ele não só perceber o peso de sua aparência como também sentir inveja de um quadro pintado por Basil. Afinal, a beleza registrada no quadro se eternizaria, enquanto Dorian envelheceria, perderia sua juventude e, com ela, sua chance de viver (o que para Lorde Henry era a maior tragédia que poderia acontecer a uma pessoa).

Dorian Gray, influenciado (até demais) por Henry Wotton, passa a buscar o que é belo, o prazer e o luxo, e a praticamente menosprezar todo o resto.

E é em algum momento desse novo modo de vida, onde o prazer, o luxo e a beleza mandam, que o desejo de Dorian Gray é atendido, e o quadro feito por Basil recebe as alterações do tempo em lugar de seu dono... 
"Mas o quadro observava, aquele rosto lindo, transfigurado, o sorriso cruel. (...) Já havia alterado, e alteraria ainda mais. (...) Para cada pecado que cometesse, viria uma mancha sarapintar, danificar aquela formosura. (...) Alterado, ou inalterado, o quadro seria para ele, o emblema visível de sua consciência."
Entre os clássicos que já li, este é um entre os de linguagem mais difícil de se acompanhar. Não por causa do vocabulário, mas, principalmente, pela estrutura com a qual a narrativa foi construída. Ainda assim, o livro vale a pena. Os pontos discutidos por Wilde nessa obra são fascinantes.
"Qual a vantagem de um homem em conquistar o mundo inteiro e perder a própria alma?"

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