17 de set de 2016

O Fim da História - Lydia Davis


"Como encerrar uma história que parece estar sempre em aberto?"

Uma mulher sem nome sentada em uma livraria para recuperar-se de uma peça pregada por sua mente: depois de anos, ela, mais uma vez volta a observar o antigo apartamento de seu ex, esperando vê-lo mesmo que por um segundo. Só que ele já não mora naquele endereço há anos, e ela já não faz ideia de onde ele mora agora.

Enquanto bebe seu chá, ela divaga e conta para si mesma, e para nós, sobre ela, sobre ele, sobre o que se lembra dele, sobre eles e sobre ela depois dele. É como uma epifania de longa duração que ocorre em vários momentos diferentes, mas que nos é contada aos poucos.

"Ela" é uma tradutora que trabalha há anos no mesmo romance. Estranho (ou curioso) que, em vários momentos, o romance e o rapaz se confundiam como objeto de narração. Por várias vezes ela se referia ao romance como se estivesse se referindo a "ele", e o contrário também acontecia. Não a toa a primeira metade do livro foi bem confusa.

Em parte, essa confusão foi causada pela falta de linearidade da narração. "Ela" ia e voltava na linha do tempo da narração tantas vezes que pensei seriamente em abandonar a leitura pela falta de lógica, mas então percebi que a linha do tempo parou de ficar confusa e a história alcançou um ritmo mais constante. Tedioso, sonolento, mas constante, e isso me ajudou bastante a terminar o livro.

Percebi que nessa parte, a parte em que a narração fica mais firme, começou à medida em que ela foi se desprendendo dele, mesmo que não em definitivo.

Várias coisas contribuíram para que a relação entre eles fosse problemática: a diferença entre a idade dos dois (ela é mais velha, "cinco anos mais nova que a mãe dele" ou algo assim), a personalidade dele, a personalidade dela, e é bom dizer, um pouco de crueldade (talvez não intencional) por parte dos dois. Apesar de não termos muitos detalhes sobre como era realmente a relação dos dois, "ela" foi quem, aparentemente, saiu da relação mais abalada. Passaram-se meses até que ela se recuperasse, e mesmo assim não foi totalmente.

A não ser o trabalho feito na narração, que foi muito bom por sinal, pouca coisa me chamou atenção nesse livro. Em vários momentos precisei parar a leitura porquê estava caindo de sono, e isso depois de ler alguns poucos parágrafos. No fim, quando percebi que já tinha lido sessenta e nove por cento do livro, me obriguei a terminar, e, apesar dos trancos e barrancos, não me arrependi de todo.

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