22 de jun de 2017

Cinder - Marissa Meyer


Cinder é uma garota de dezesseis anos que tem algumas particularidades bem singulares: primeira, ela é a melhor mecânica da região (dizem que de toda Nova Pequim), segunda (e, na verdade, razão da primeira particularidade), ela é um ciborg, uma humana "concertada" com partes mecânicas (no caso dela, um pouco mais de 36 por cento do corpo, incluindo aí uma painel de controle capaz de baixar, por exemplo, esquemas mecânicos de toda e qualquer máquina que possa precisar de reparos.

Adotada por um casal quando ainda era muito criança, Cinder foi transformada em capacho doméstico após seu pai adotivo morrer. Sob a tutela de sua madrasta e de suas duas filhas (uma odiosa, outra não), ela é obrigada a trabalhar em um estande de mecânica para sustentar, sozinha, toda a família.

Até que em uma fatídica tarde sua alteza imperial, o príncipe Kai, a procura na oficina e pede que conserte seu androide doméstico o mais rápido possível, de preferencia antes do baile anual. Até aí, beleza, mas (só para desandar um pouquinho), a irmã "não-má" é contaminada pela letumose, uma epidemia de nível mundial, altamente contagiosa, sem cura e que mata dolorosamente rápido. E só para piorar mais um pouquinho, sua madrasta a entrega como voluntária para um programa de pesquisa de doenças que usa ciborgs como cobaias. E ninguém nunca voltou de lá para contar a história.

A história se desenrola como quem não quer nada. Apenas uma garota de dezesseis anos sustentando a casa em que convive com pessoas detestáveis e falando (e pensando) excessivamente demais no príncipe imperial. Mas ok, né, ela só tem dezesseis anos.

Aí a história começa a se formar e você percebe que não é só uma garota tentando viver sua vida comum. Em resumo: a leitura é boa, e a história é tranquila a ponto de você não ver as páginas passando. Não é exatamente uma maravilha, embora tenha melhorado bastante quando o príncipe ficou em um plano diferente que o primeiro (talvez em algum lugar entre o primeiro e segundo plano) mas, ainda assim, me deixou curiosa relação ao próximo livro (que já pedi emprestado por sinal).

19 de jun de 2017

A Filha do Sangue - Anne Bishop


O mundo de A filha do Sangue é diferente de tudo o que já li até agora. 

Nesse mundo, a magia é proveniente de Joias de Poder e a hierarquia é matriarcal. Àqueles que são atribuídas Joias, diz-se que pertence aos Sangue. Os machos, que, assim como as mulheres, podem, ou não, possuir uma Joia tem a função de proteger e servir às Rainhas, regentes do Sangue, coração da terra e centro moral do povo de seu território.

Houve um tempo em que o conceito de servir à sua Rainha era a gloria e honra de um macho. Mas a essência dos Sangue foi corrompida, e eles passaram a ser brutalizados desde a infância e a servir de escravos dos caprichos de Rainhas gananciosas e cruéis. 

Séculos se seguiram à profecia. A Feiticeira passou a ser mais uma lenda entre tantas outras que povoavam a história da terra... Até que uma criança de cabelos dourados e travessos olhos azuis-safira perturbou a raiva e o clamor de Daemon SaDiabo, um Príncipe dos Senhores da Guerra. Raiva por terem feito o que fizeram a seu amado irmão, clamor por uma Rainha que respeitasse e acreditasse.

Em outra parte do mundo, no Inferno, para ser mais exata, um outro ser, mais antigo e mais poderoso que Daemon também aguardava, impelido por uma promessa feita séculos antes de esperar a filha de sua alma. O inferno não é um lugar para os vivos, mas uma garotinha brilhou no mundo escuro e Saetan SaDiabo viu diante de si a Feiticeira a quem esperava.

Jaenelle Angelline, doze anos, conhecida em muitos lugares (lugares demais não necessariamente localizados no mesmo plano) está no centro de tudo. A "Feiticeira", aquela que restaurará os Sangue ao que era, ao que nunca deveriam ter deixado de ser.

A narrativa começa complicada. Não complicada de difícil, mas complicada de confusa. Os nomes, títulos e a dinâmica do universo de Anne Bishop embaralham a mente e a linha da narrativa é difusa. Mas então todas as cenas aparentemente soltas se conectam a uma progressão e tudo passa a fazer sentido. E é genial, incrivelmente bem construído e sedutoramente viciante.

15 de jun de 2017

O Livro de Sangue e Sombra - Robin Wasserman


Nora Kane é uma estudante de 15 anos que, graças a seu excelente conhecimento em latim (idioma que aprendeu com o pai e que passou a ser um refúgio quando as atribulações começaram em sua casa), conseguiu uma vaga no grupo de pesquisa da universidade local sobre um alquimista do século XV.

Relegada à tarefa (um tanto secundária) de traduzir as cartas enviadas pela filha do alquimista ao seu irmão mais velho, Nora acaba encontrando uma pista sobre a Lumen Dei um prodígio da engenharia da época que, segundo dizia a lenda, dava ao homem o conhecimento divino direto de sua fonte.

A noite da comemoração pela descoberta que asseguraria o futuro acadêmico de todos os envolvidos não terminou exatamente como o previsto: Chris, seu melhor amigo, morto a facadas em sua própria sala de estar; Adriane, sua amiga e namorada de Chris, catatônica ao lado do corpo com cortes em ambos os lados da boca; e Max, seu namorado. não apenas desaparecido como principal suspeito do crime.

Nora não acredita que a culpa tenha sido de Max. Como poderia? Mas como ele pode deixá-la sozinha para enfrentar o que aquele assassinato horrível causou?

De alguma maneira ela sabe: a chave para encontrar o assassino de seu melhor amigo e Max e inocentar seu namorado das acusações contra ele está em Praga, a cidade onde a lenda da Lumen Dei sobrevive em meio a criptas, igrejas, cemitérios e séculos de histórias.

Robin Wasserman é uma autora a ser vigiada de perto: trama inteligente, excelente estilo narrativo, boa construção de personagem e enredo bem formulado. A história te prende até a última linha e, ao final, você consegue sentir exatamente como Nora: não há como sair ileso. A partir dali a questão é como sobreviver depois do ocorrido.

Fazia muito que não encontrava uma história tão boa assim. A leitura foi excelente e definitivamente a recomendo.

8 de jun de 2017

Por Que eu Leio?


A resposta a essa pergunta mudou ao longo dos anos.

A primeira resposta seria "porque era o que dava para fazer sozinha". Pois é. Filha única, vivendo em uma rua em que os filhos dos vizinhos tinham quinze quando você tinha nove e sofrendo (um certo grau de) bullying na escola. Brincar de boneca no tapete da sala era divertido, mas chegava um momento em que o tédio dominava e seus pais queriam ver TV sem pisar em coisas de Barbie por toda a sala. Ver minha mãe lendo me incentivava a me perder por horas e horas em Um Tesouro de Contos de Fadas, livro ainda hoje muito querido e jamais esquecido.

Alguns anos mais tarde, a resposta se desdobraria para "leio porque é seguro e divertido". Por essa época, confesso, os livros disputaram (e quase perderam) espaço para outras formas de entretenimento. Foram momentos difíceis, em que muitas vezes eu me perguntava se havia algo de errado comigo, ou por que as pessoas ao meu redor (leia-se, principalmente, coleguinhas de escola) não gostavam de mim, mas também foram meus momentos mais maravilhosos: foi a época em que fui à Nárnia e à Terra Média pela primeira vez. Recebi a carta de Hogwarts pouco tempo depois.

A parti desse ponto, passei a ler por uma mistura de escape, prazer e conforto (não necessariamente nessa ordem). Lugares distantes, duelos ousados, feitiços e príncipes disfarçados me disseram, continuamente, e de diferentes maneiras, que tudo bem ser diferente e que eu não estava sozinha. Ia ser difícil, as pessoas iriam tentar me machucar, mas eu ia conseguir passar por aquela fase. Sempre haveria um mago cinzento gritando ao monstro que ele não passaria. Ou uma criatura prateada (que hoje deve se parecer com um cachorro) mantendo as trevas longe. 

Os livros me davam força e conforto, e ainda dão para falar a verdade.

Mais ou menos no Ensino Médio, graças ao meu professor de literatura, minha cabeça assimilou que os livros gravam, em maior ou menos grau, a época em que em foram escritos, e que obras de cem, cento e cinquenta anos podem vencer a brevidade de uma vida. Sempre fico embasbacada com isso. Conseguem imaginar algo de mil e duzentos anos ainda vivo e presente? Ou de dois mil anos? Então, alguns de nossos conhecimentos podem datar de ainda mais longe e, no entanto, os usamos cotidianamente. Ideias utilizadas por algum autor do século passado são re-inventadas e usadas no estouro de vendas atual. É o mesmo, mas é diferente. É todo um universo ressurgindo de suas cinzas para continuar vivo.

Hoje, eu posso dizer que leio porque os livros me confortam, me dão força e me mostram que existe muito mais lá fora do que sonha minha parca filosofia. Graças aos livros, vivo, viajo, aprendo, construo, destruo e refaço tudo de novo.

Leio para conhecer a mim mesma e ao outro. 
Leio para me conectar ao passado, ao presente e ao futuro. 
Leio para suportar a solidão e manter a sanidade. 
Leio para esquecer e curar meus machucados e para reforçar minhas defesas contra pancadas alheias. 
Leio para me incentivar a não desistir. 
Leio para continuar acreditando.

E vocês, por que leem?

(Essa postagem foi baseada em uma pergunta da Editora Harper Collins em comemoração aos duzentos anos da existência da editora.)

5 de jun de 2017

Belas Maldições - Terry Pratchett e Neil Gaiman


Céus e Infernos decidiram, e o mundo está com seus dias contados. Anos, para ser mais exato. Dali a exatos onze anos, O Grande Plano Divino será concretizado. Não há como escapar do Grande Final. A não ser que uma freira satanista entregar o bebê Anticristo para o casal errado.

Junte a isso um anjo e um demônio que veem nessa guerra a perda iminente de suas tão confortáveis (embora não exatamente pacatas) vidas terrenas. Ao perceberem o rumo inesperado do plano que fora planejado séculos e séculos atrás, os dois não sabem direito como agir: seguir o plano original e lutar na Guerra Celestial mais uma vez ou tentar um plano B, mesmo sabendo que eles podem (quase com certeza) enfrentar o resto da Eternidade sofrendo as consequências de sua provável falha.

Querendo evitar o Armagedon e encontrar o Anticristo perdido (que agora é um garotinho de onze anos que vive numa cidadezinha tranquila do interior) eles também encontram uma jovem ocultista dona do único livro da humanidade que prevê, com uma assombrosa exatidão, os acontecimentos do fim do mundo, a existência de caçadores de bruxas e, (por que não?) os cavaleiros do Apocalipse (em suas versões século XX).

Aziraphale (o anjo) e Crowley (o demônio) precisam ser rápidos, o tempo não é a única coisa que está acabando.

De modo geral, a história possui três momentos: o início, com Aziraphale e Crowley conversando nos primórdios da criação, o "onze anos antes", e o Armagedon e consequências. Para ser bem sincera, a parte que mais gostei, e a que fez a leitura ser a mais divertida de todo o livro, foi o final da terceira parte (as consequências). 

No mais, a coisa toda é tão absurda e aleatória quanto a mente fértil de uma criança de onze anos de idade cuja ideia de passatempo é "aprontar" na vizinhança de uma cidade pequena e "enfrentar" o "valentão" da escola.

Achei interessante a maneira como os quatro cavaleiros do Apocalipse foram trabalhados, a adaptação deles ao século XXI foi bem feita (especialmente o Morte, sei lá, achei digno *risos*).

Pessoalmente, este livro não faz jus à toda fama de bom escritor que Neil Gaiman tem (tudo bem que não posso falar muita coisa sobre ele, mas sempre se espera mais de alguém que é tão elogiado pela sua boa escrita).

1 de jun de 2017

A Aventura do Estilo - Henry James e Robert Louis Stevenson



Apresentada pela mestre em Teoria da Literatura e em Literatura Comparada pela USP, Marina Brendan, o livro A Aventura do Estilo, reúne algumas correspondências trocadas entre os autores ingleses Henry James (1843-1916) e Robert Louis Stevenson (1850-1894) e alguns ensaios que um fez sobre a pessoa e a literatura do outro.

A relação entre esses dois autores tão diferentes (mas nem tanto) em sua produção teve início em  abril de 1884, por meio do ensaio "A Arte da Ficção" escrito por H. James e publicado na Longman's Magazine, ao qual R.L. Stevenson respondeu, publicamente com "Um Humilde Protesto", publicado na mesma revista, em dezembro do mesmo ano. O educado debate literário iniciou uma contínua troca de cartas entre os dois, onde ambos falavam sobre suas vidas, sobre suas produções, e também sobre o cenário literário que eles habitavam.

Ao encontrar este livro nas news da Rocco, confesso que não sabia exatamente o que esperar, tive experiências anteriores com os dois autores, é verdade, mas conhecer uma pessoa por meio de sua obra é uma coisa que não necessariamente corresponde à esfera pessoal desse indivíduo, mas fiquei animada com ele desde a leitura das orelhas: diante de mim esteva o registro de dois autores que sobreviveram ao teste do tempo, e eu só conseguia me sentir como uma mosquinha presenciando o encontro de dois gigantes.

Me surpreendi com os dois autores na verdade. E mais ainda por ver que nós leitores sofremos de dramas bastantes parecidos com os dramas vividos pelos leitores de antigamente: o drama de esperar a continuação de uma história, a vontade quase incontrolável de ajoelhar-se diante de seu autor favorito, as discussões intermináveis sobre o andamento das leituras e sobre o estilo de escrita alheio.

As cartas, infelizmente, rarearam depois que Stevenson mudou-se para Samoa (Estados Unidos) por causa do péssimo sistema de correios da ilha, ainda assim, os dois mantiveram a amizade viva até a repentina morte de Stevenson em 1894. E é de James, falando sobre Stevenson os dois ensaios que encerram este livro.

É triste ver que um livro tão rico desperta tão pouco interesse. Para se ter uma ideia, na página do skoob, apenas 20 pessoas o marcaram como "quero ler", e apenas uma, eu, no caso, o está lendo. 

22 de mai de 2017

Rastros de Sangue - Val McDermid


Rastros de Sangue é um bom exemplo de "sequencia de histórias independentes" que não são tão independentes assim. Em O Canto da Sereia, livro de 2014 também publicado pela Record, a detetive Carol Jordan recorre ao psicólogo Tonny Hill quando se depara com quatro corpos mutilados e torturados. O conhecimento de Hill o permite entrar na mente do criminoso para estabelecer um perfil que possibilite desvendar sua identidade. 

Dá certo, mas tanto Hill quanto Jordan saem traumatizados do caso.

O enredo de Rastros de Sangue começa com o primeiro dia da recém-criada Força-Tarefa Nacional de Criação de Perfis, uma vitória conquistada depois do bem-sucedido desfecho do caso do "Assassino de Bonecas".

Durante o treinamento da força-tarefa, Tonny passou um exercício aparentemente simples aos seus treinees: encontrar, a partir de uma séries de arquivos de casos não solucionados de adolescentes desaparecidos, possíveis conexões, mesmo que hipotéticas. Ao longo do brainstorming, uma hipótese um tanto descabida, mas substancialmente intrigante surge. 

A teoria é descartada pelo grupo, mas quando a pessoa que a conjecturou aparece cruelmente morta, eles sabem: no meio de todos os desaparecimentos estudados, eles haviam encontrado o rastro de um serial killer.

Uma nova caçada foi iniciada.

Carol Jordan não ficou indiferente. Mesmo não fazendo parte da , sua jurisdição (e graças a alguma pressão de seu chefe imediato), ela foi a primeira a pedir a consultoria da Força-Tarefa Nacional de Criação de Perfis em um caso de incêndios em série na cidade em que estava alocada. Jordan estava na sala durante o brainstorming, e sentiu tanto quanto os outros ao saber o que acontecera ao treinee.

Voltando ao primeiro parágrafo desta resenha, apesar de as histórias serem claramente independentes uma das outras, em vários trechos tive dificuldade em entender a referência ao primeiro livro. Já vi autores que fazem questão de dar uma esplainada rápida sobre o que ocorrera, mas McDermid não se dá ao trabalho de fazê-lo. A informação ficou incompleta e, por isso, não foi uma experiência de leitura muito boa.

Quanto ao ritmo de leitura, bem, este livro tem 488 páginas e tive a impressão de que a história mesmo só começou nas 150 ultimas. Não relevou muito essa questão pois, mesmo com todas as informações reunidas, encontrar o fio de Ariadne que os conduziria a um motivo sólido para prender a pessoa em questão foi difícil. Mas sabe quando você tem a impressão de que algumas coisas poderiam ser encurtadas? Talvez menos dramas externos (leia-se a coisa inexplicada entre Tony e Carol, que, por sua vez, tem muito a ver com a falta de entendimento prévio sobre o assunto), ou coisa assim. Sei que demorei alguns dias nas primeiras trezentas e poucas páginas e somente algumas horas na parte final do enredo.

Por fim, alguns erros de ortografia ao longo da tradução pareceram ter sido estrategicamente posicionados justamente nos momentos em que minha concentração estava de boa para excelente, me desconcentrando justamente quando eu conseguia algum ritmo decente.

Rastros de Sangue, infelizmente, não foi uma leitura exatamente proveitosa.

15 de mai de 2017

A Garota do Calendário (Julho) - Audrey Carlan


Aos ocorrências de Junho não fizeram com que Mia desistisse de sua jornada, a dívida com o ex-namorado e agiota que colocou seu pai em uma cama de hospital em estado de coma está menor, mas ainda longe de acabar. Depois de recarregar as energias ao lado de amigos queridos como Mase e Tai, a hora de partir para o próximo cliente chegou.

Em Miami, o cliente da vez é o astro do hip-hop Anton Santiago, mais conhecido como Latin Lov-ah. Ele está produzindo um vídeo-clipe para sua nova música de trabalho e, após ver fotos de Mia nas revistas com seus outros clientes, sabe que ela é a garota ideal para seu projeto.

Julho é um mês amargo, as lembranças do mês anterior estão recentes demais e, em vários momentos, lembranças do terrível episódio vieram a tona e desequilibraram o clima entre Mia e os recém conhecidos. Mas Julho também foi um mês de compreensão, entendimento e, por que não dizer, novos começos.

Gostei Julho por que Audrey conseguiu tratar muito bem um assunto delicado (por razões de spoiler, não posso falar muito, mas, se você por ventura já leu o livro de Junho, saberá do que estou falando). Assim como me enchi de alegria quando as cartas foram postas na mesa e ela admitiu algo que sabe desde Janeiro.

11 de mai de 2017

O Perfume - Patrick Suskind


Lá pras bandas de 2008, 2009, minha mãe e eu assistimos a um filme incrível sobre um rapaz que, na tentativa de produzir o melhor perfume do mundo, matava garotas para roubar seu aroma. Lembro-me que foi um dos filmes mais incríveis que vi naquele ano, e nunca consegui me esquecer dele (não totalmente pelo menos).

Anos mais tarde (acho que já estávamos em 2011, 2012 talvez), descobri que tal filme fora baseado em um livro alemão de 1985, e desde então comecei uma incessante por este título (assim como a outros livros que descobri na época). Final do mês passado, um outro amigo, dono de sebo, me presenteou com essa edição maravilhosa de 1995, época em que a Editora Record ainda era uma editora chamada Altaya.

O Perfume é uma história ambientada na França do século XVIII. Paris, a maior e mais populosa cidade do reino, é uma aglomeração fedorenta e nojenta em que humanos demais convivem com detritos e alimentos podres demais e o fedor resultante disso é uma massa de ar podre estagnada entre as construções da cidade.

É nessa cidade que nasce Jean-Baptiste Grenouille nasce. Embaixo de uma barraca de peixe podre, deixado pela mãe no meio da sujeira e da lama para morrer, assim como ela fizera com quatro outros recém nascidos antes dele. Mas aquele bebê denuncia sua vitalidade chorando, e, nesse simples ato de chorar, condena a mãe à forca.

Levado a um orfanato, a ama de leite que o amamenta não demora muito e o repele, devolvendo-o ao orfanato que a contratou e recusa uma oferta melhor sob a alegação de que aquele bebê "não cheira como os bebês devem cheirar". E mesmo depois de várias chacotas, o frei que o recebe da ama também o rechaça para um orfanato qualquer.

E Grenouille a tudo cheirava e a tudo lembrava. E, enquanto crescia e seu olfato se desenvolvia, todos os odores de Paris eram guardados em sua memória, dos mais pútridos até os mais delicados, e o olfato também lhe era base para o aprendizado das palavras, e aqueles signos linguísticos que designassem algo incorpóreo, como um conceito ou uma ideia, lhe eram difíceis demais, insignificantes.

Aos oito foi mandado para um curtume de carne, e aos doze conseguiu, graças aos seus dotes olfativos e à ambição do mestre perfumista, entrar no mundo da fabricação dos perfumes, onde aprendeu a mensurar substâncias, a misturar fragrâncias e a capturar odores simples.

Mas não era o bastante. Ele queria produzir o melhor perfume do mundo. Queria fazer para si o melhor perfume do mundo, e queria mostrar ao mundo que ele era o melhor perfumista do mundo. Tal perfume, ele descobriu, era composto pelo odor de certas jovens, pacientemente colhidos com perícia de mestre. Vinte e quatro jovens assassinadas para coroar o odor de uma jovem cujo o aroma era melhor que todo o que Grenouille havia cheirado até então.

O melhor perfume do mundo foi também sua ruína. Na vontade de se tornar um Deus entre os homens, Grenouille viu que a orgia desenfreada que uma única gota de sua preciosa criação lhe causava nojo e asco. E esse, ele sabia, era o fim. Mais precisamente, era o seu fim.

Depois de uma sequencia de livros abandonados, O Perfume foi um excelente retorno à crença de que existem excelentes livros no mundo. A narração de Susking é impecável e tudo, da primeira á ultima linha, está muito bem amarrado.

Livro com certeza recomendadíssimo. <3

5 de mai de 2017

Tardes Sensuais - Mila Wander, Nana Pauvolih, S. Miller, Danilo Barbosa, Janaina Rico


Depois de dois livros abandonados, apelei para um livro que foi muito bem elogiado na época de seu lançamento. Composto por cinco contos eróticos, Tardes Sensuais tem, como ponto convergente, os eventos ao entardecer e personagens mais que dispostos a satisfazer seus parceiros e/ou parceiras.

Falando como um todo, os cinco contos foram muito bem no meu conceito. Narrações bem feitas, personagens construídos e coisa e tal, mas tive minhas ressalvas no segundo conto (Um café da tarde) em relação ao linguajar do linguajar masculino (sabe quando uma pessoa usa diminutivo demais ao ponto de você não conseguir levar o cara a sério? Então, essa foi a minha impressão) e também quanto a uma das personagens secundárias (ou entendi a coisa toda muito errado, ou a criança de 12 anos agia como uma de 15, 16. Estranho não?). 

Palavras e Gemidos, de Danilo Barbosa, foi a mistura mais perfeita que já vi (ou li) entre literatura, sedução e erotismo, e nem por um segundo deixou de ficar entre os meus contos favoritos. Enquanto te Vigiava (Nila Wander) é um tanto estranho, já que a coisa toda acontece entre uma repórter paparazzi super eficiente (até demais alias) e seu artista alvo, mas acho que foi o que mais me fez rir (talvez pelo absurdo da situação).

Tarde Doce como Algodão-Doce (Nana Pauvolih) foi, de longe, o conto que mais gostei. O estilo narrativo dela e a história em si corresponderam bastante com todos os elogios que ouvi sobre os livros dela (e, pelo amor de Deus, preciso daquele sargento na minha vida!)

O final de Tabu, Prazer e Reencontro foi o mais fofo de todos e quase (eu disse quase) conseguiu fazer meus olhos ficarem úmidos. hahahaah

2 de mai de 2017

A Beleza é uma Ferida - Eka Kurniawan


Ainda não sei o que é pior: ter me estourado uma vez com Resistência ou ter me estourado uma segunda vez com este livro. Lá fui eu escolher um título pela capa ao me deparar com essa maravilha de ilustração (um tanto bizarra, eu sei, mas, ainda assim, linda) e ainda possuía o bônus de me permitir conhecer um autor exótico. Então pensei cá comigo, por que não?

A Beleza é uma Ferida foi escrita em 2002 por um indonésio chamado Eka Kurniawan. A história mistura fatos reais e fictícios para contar a história de Dewi Ayu, uma mestiça indo-holandesa que levanta de seu tumulo 21 anos após ser enterrada viva. 

Só que, para  falar a verdade, a coisa toda é mais sobre a história da Indonésia sobre qualquer outra coisa. Quer dizer, é claro que a história do país interfere na vida de seus personagens, mas o detalhamento das escaramuças entre exércitos (legais ou não) e demais forças atuantes é cansativo.

A vida de Dewi Ayu tão pouco ajuda: presa em uma prisão japonesa, tornada prostituta por seus carcereiros (profissão que rendeu a ela fama sem igual na pequena cidade (vila?) de Halimunda, viu suas três filhas mais velhas (todas consideradas extremamente belas) se envolverem com homens nada louváveis (embora ela também não possa falar muito sobre o assunto), teve sua quarta filha quase aos cinquenta anos e foi enterrada doze dias após o parto porque "decidira que já tinha feito o bastante pelo mundo".

Fez algum sentido? Não sei você, mas eu realmente achei que não.

Apesar de ter resistido até a página 290, desisti. A Beleza é uma Ferida estava me cansando e, sinceramente, estava sendo um esforço inútil. Para todos os efeitos, aqui fica o meu aviso: cuidado com as capas dos livros: elas enganam. E muito.

28 de abr de 2017

O Conde Enfeitiçado - Julia Quinn


Michael Stirling é conhecido por toda a Londres por ser o libertino mais lendário que já frequentou a alta sociedade até então. Ele passou por um daqueles momentos que mudam sua vida para sempre na noite em que conheceu Francesca Bridgerton, apaixonando-se por ela praticamente à primeira vista.

Infelizmente para ele, tal evento extraordinário aconteceu no jantar de ensaio do casamento dela. Dali a trinta e seis horas, Francesca seria uma mulher casada. Com seu primo, a quem ele sempre considerara como irmão.

Os anos que se seguiram não poderiam ser descritos de outra forma que não tortura: Michael escondia ferrenhamente seu amor enquanto frequentava a casa de John e Francesca praticamente todos os dias, tanto pela grande estima a John quando pela amizade que acabara por cultivar com Francesca.

Em uma noite porém, John foi dormir para curar-se de uma dor de cabeça incomoda e não acordara mais. A ruptura brusca da amizade que havia nascido entre os três e os acontecimentos posteriores levaram a uma súbita ruptura entre os dois sobreviventes, a ponto de Michael isolar-se em outro continente para manter-se afastado de Francesca, e do que ele sentia por ela.

Mas os quatro anos de separação não foram o bastante. Ele ainda a ama e ela... Ela o acha diferente. Não sabe como, nem como aconteceu exatamente, mas seja lá o que for, o fez olhá-lo de outra maneira.

Algumas coisas são como um feitiço impossível de se escapar. O amor é uma delas.

Diferente de todos os outros livros Bridgertons até agora, O Conde Enfeitiçado tem um toque de tragédia que me fez ficar a todo o momento prestes a cair em lágrimas (e olha que eu bem que gosto de um drama em família). Gostei de ter visto o trabalho de pesquisa que a autora desenvolveu para tornar tudo mais verossímil e mais ainda de saber que parte da renda deste livro foi destinada a fundo de pesquisas destinado a pesquisa de remédios para a malária (para entender a referencia, favor ler o livro).

Juilia Quinn está se tornando uma de minhas autoras preferidas quando o assunto é quebra de ressaca literária. <3

25 de abr de 2017

Resistência - Affinity Konar


As vezes você escolhe um livro pela capa e se dá muito bem com isso. Em outras, se arrepende amargamente por não ter prestado mais atenção à sinopse. Resistência está no segundo caso.

Pearl e Stasha Zagorski são gêmeas idênticas que foram tiradas do vagão em que viajavam junto com sua mãe e avô para serem levadas ao campo de concentração de Aushwitz. Por dividirem a mesma carga genética, elas atraíram a curiosidade do Dr. Joseph Mengele, o Anjo da Morte ale.

Entre os horrores do campo de concentração e os experimentos de Menguele, Pearl e Stasha procuram se manter unidas e preservar o amor familiar e a esperança, mas mesmo o mundo particular criado por elas é frágil.

A história não para por aí mas, confesso, não consegui avançar.

Depois de tantos anos lendo o máximo de livros que consegui, achei que havia criado certa resistência contra algumas histórias. Algum tipo de barreira que não me deixasse imergir demais em enredos que se aprofundassem no sofrimento humano e, mais ainda, quando esse sofrimento é imposto a crianças. Bem, com Resistência descobri que continuo tão vulnerável quanto antes.

A muito custo consegui chegar á página 86, e isso foi depois de quatro dias me obrigando a continuar a leitura, mas não deu.

22 de abr de 2017

Bartleby, O Escrivão - Herman Melville


Herman Melville (1819 - 1891) é considerado um dos grandes autores americanos do século XIX. Morto no esquecimento, Moby Dick e seu autor alcançaram a merecida fama no século XX, fama esta que ainda mantém o livro entre as grandes obras literárias já publicadas.

Mas não estou aqui para falar da grande Baleia Branca (ao menos não ainda). Bartleby, o escrivão, foi publicado em 1856 em um livro de contos chamado The Piazza Tales. O escritor argentino Jorge Luis Borges, que fez o prefácio deste livro, comenta que, neste conto, Melville define um gênero que Franz Kafka aprofundaria a partir de 1919, com suas fantasias que dissecam o comportamento e o sentimento humano.

O narrador deste conto é um advogado aposentado, que nos apresenta um episódio ocorrido com ele na época em que possuía um escritório na Wall Street. Chefe de dois escrivães e um aprendiz, e vendo-se cada vez mais sobrecarregado com suas atribuições, ele decide colocar um anúncio procurando por mais um escrevente.

Quem responde é Bartleby, um rapaz "palidamente delicado, lamentavelmente respeitável e irremediavelmente desamparado". Trabalhador voraz e de personalidade discreta, ele "escrevia em silêncio, apaticamente, mecanicamente", sendo, constantemente, o primeiro a chegar ao escritório e o ultimo a sair dele.

Até que em uma tarde, quando uma série de cópias precisam ser revistas com urgência, o advogado pede que Bartleby se junte aos outros escrivães para a revisão e , após uma longa espera, tem como resposta "prefiro não fazê-lo". Tal frase não foi dita de maneira rude, nem continha nenhum traço de agitação, e sim com uma calma tal que o advogado não consegue reagir.

E assim acontece sucessivamente. A cada nova tarefa pedida a ele, a mesma resposta, "prefiro não fazê-lo", dita de maneira tranquila, porém taxativa, e assim, aos poucos, ele deixa de fazer as coisas, e mesmo as tarefas mais básicas de sua função são abandonadas.

Bartleby desperta sentimentos opostos: ao mesmo tempo em que sua sua previsibilidade, sobriedade e afabilidade de comportamento inspiram "confiança e certo instinto protetor" e fazem dele uma "valiosa aquisição" ao escritório, as mesmas características, somadas à apatia ferrenha diante de tudo "gere súbitos acessos de ira contra ele". 

É um tanto agoniante. Como se justifica agir contra alguém que não fez nada contra você? Que escolhe (usando o verbo favorito de Bartleby, que prefere" não fazer nada? Demite? Sim, é uma boa, só que ele "prefere continuar onde está" e não vai sair porque "prefere ali a outro lugar" ou "prefiro não me mover".

Ao perceber que alguns dos maneirismos de Bartleby estão se infiltrando no restante do escritório, o advogado recorre a uma solução mais drástica. Se ele não sai, saí o escritório. E advinha quem o novo dono encontra lá? Sim, ele mesmo, Bartleby, o escrivão.

A história é bem curtinha. Coisa de setenta páginas, mas não dá pra deixar de se sentir dividido tal como o advogado em relação a Bartleby. 

A José Olympio está, mais uma vez, de parabéns pelo excelente trabalho feito com esta edição. 

18 de abr de 2017

As Mil e Uma Noites #Livro04


O quarto e ultimo domo de As Mil e Uma noites reuniu textos de oito fontes diferentes para completar a quantidade de noites do título, oferecendo um exemplo da pluralidade de fontes e da diversidade de vozes e tons que a voz de Sahrazad pode assumir.

Os eixos das histórias oferecidas continuam mais ou menos os mesmos dos oferecidos nos outros domos: ascensão social, manutenção do poder e domesticação do sexo feminino (apenas lembrando que grande parte das narrações são ambientadas nos primeiros séculos da história humana conhecida e em uma região dominada pelo forte patriarcado). O que chama atenção nestas histórias é a capacidade humana de se alternar entre a piedade extrema e a mais implacável perversidade.

Entre as histórias, destaco a de Alauddin e a Lâmpada Mágica, que ocupa 214 noites ao todo e que nos mostra uma versão bem diferente da que estamos acostumados a associar a esta história (Disney e sua capacidade de adaptação hahahaha).

Também destaco a série Conselho a Reis, que ocupam as noites entre 740 e 775. São 35 noites (quase o dobre em numero de páginas acho) em que as histórias vão para o segundo plano e se destacam conselhos para a boa governanças. Aqui se incluem desde máximas e sentenças propriamente ditas até pequenas fábulas que objetivam ensinar ao rei como reinar com justiça. Destaco essa parte por jamais ter lido algo tão chato em toda a minha vida. Quinze minutos de leitura me faziam precisar de duas horas ou mais de descanso e ainda assim não conseguia voltar à leitura. Acabou que acabei pulando mais de vinte páginas dessa parte e tive a ressaca literária mais perversa de que consigo me lembrar.

As histórias melhoraram depois, mas o dano causado por Conselho a Reis foi grande o bastante para me manter longe deste livro por quase dois meses. Terminei as histórias dando graças ao céus por não correr mais o risco de ter que passar por mais noites como aquelas.

Ler As  Mil e Uma Noites foi praticamente um objetivo de vida cumprido. hahahahahaah

10 de abr de 2017

Temporada Dos Ossos - Samantha Shanon


No último evento Fanáticos Rocco acabei ficando encarregada de apresentar este livro aos participantes, e não deu outra: fiquei doida de curiosidade para lê-lo. Vejamos e convenhamos, dizer que uma autora é a "próxima J. K. Rowling" atiça qualquer fã da diva maravilhosa.

O ano é 2059 de um mundo em que a clarividência não apenas existe como também é tratada como uma doença e exterminada como praga desde o século XIX. Paige Mahoney, a protagonista, é uma vidente (termo genérico para clarividentes) peculiar: seu dom é semelhante a um radar de mentes, sintonizando e reconhecendo diferentes tipos de mecanismos extra sensoriais. 

O mundo dela não é um lugar amistoso: os clarividentes são marginalizados e caçados pela Scion, a instituição do governo responsável pela caça e exterminação dos "desnaturais". Para eles, é viver mendigando e comercializando seus dons a preços esdrúxulos ou unir-se a um dos Sindicatos, grupos de videntes organizados liderados por um mime-lord (ou mine-rainha). Se a ultima frase deu a entender que a opção era ser um miserável independente ou um integrante de uma gangue, saiba que você e está totalmente certo. Paige está no segundo grupo. Ela é a Andarilha Onírica do grupo do Agregador Branco, uma das sete videntes mais poderosas do grupo. 

Certo dia, ao dirigir-se para a casa de seu pai, um acidente do metro a coloca na mira dos policiais da SCION, e mesmo seu treinamento em fuga e sobrevivência foi capaz de livrá-la da prisão. 

É então que ela é levada para a antiga cidade abandonada (e banida) de Oxford. Sheol I é uma comunidade prisional construída pelos Rephaites, seres poderosos que possuem uma ligação mais estreita com o Éter que os videntes achariam possível, e mantida pela Scion para manter os clarividentes longe dos naturais. É daí que vem o nome do livro: a Temporada dos Ossos é um acontecimento que ocorre a cada dez anos na cidadela dos naturais e que tem por objetivos capturar videntes e levá-los ao Sheol.

De fugitiva a prisioneira, Paige logo se dá conta do lugar em que está. Assim como logo se decide a fugir e voltar para o Sindicato, para o grupo que até então era como sua família. Ela quer fugir. Só precisa descobrir como.

O ponto alto da divulgação deste livro é um comentário comparando-a com J.K. Rowling. Achei meio presunçoso no inicio mas, a medida em que lia a história, tive que dar o braço a torcer. O estilo de narração e a progressão da história, de fato são bem parecidos e Samantha Shannon sabe muito bem como manter o desencadeamento da história sobre controle. As duas são escritoras bem precisas nesse sentido e sabem bem o que estão fazendo.

Este livro faz parte da Bone Season, mas, para falar a verdade, não entendi direito o motivo de haver continuação. Os acontecimentos iniciados tiveram conclusão e não consegui vislumbrar um objetivo que justificasse a existência de outros livros. Mesmo assim, se eles existirem, espero mesmo poder lê-los.

3 de abr de 2017

O Clube de Leitura de Jane Austen - Karen Joy Fowler


Apesar de sempre ouvir falar muito bem de suas obras, e de definitivamente ser uma das autoras mais respeitadas e cultuadas da história da literatura, nunca cheguei a concluir nenhum livro de Jane Austen (minhas três tentativas foram frustradas nos primeiros parágrafos e nunca mais me aventurei desde então).

De certa forma, foi essa incapacidade que me fez pedir O Clube de Leitura de Jane Austen. Talvez, pensei cá comigo, ver as histórias delas pela mentes dos que amam incondicionalmente sua obra, eu consiga uma melhor experiencia com a autora e talvez me fique mais uma vez motivada a lê-la.

Jocelyn, Bernadette, Sylvia, Allgra, Prudie e Grigg possuem suas vidas próprias no Central Valley, Califórnia. Mas, uma vez por mês, eles se reúnem na casa de alguém para discutir uma obra da escritora britânica Jane Austen.

Ao longo dos seis meses em que os encontros ocorrem, eles partilham mais do que a literatura, dividindo, mesmo com seus silêncios, suas perdas, conflitos, romances e amizades.

Narrado por uma sétima pessoa do clube, a narradora passeia pelo presente nos encontros do clube e em seus momentos anteriores, assim como nos revela um pouco do passado dos que receberão os outros integrantes do grupo. Em determinados momentos, foi confuso encontrar o que uma coisa tinha a ver com a outra, mas, ao mesmo tempo, fez sentido: o livro preferido de cada um tem a ver com o passado que o levou até ali.

Um dos personagens me chamou atenção. Na verdade, o que me chamou atenção foi como as mulheres tratavam Grigg, o único homem do grupo, 1)por ele ser homem, 2)por ele ser leitor assíduo de ficção científica, e 3) por ele nunca ter lido Jane Austen antes de ser convidado por Jocelyn (a organizadora do clube) para participar das reuniões. Em vários momentos me peguei enviando minha solidariedade ao pobre coitado entregue aos chacais como estava.

O livro trás ainda as sinopses de cada livro discutido e uma série de comentários sobre Jane Austen e suas obras feitos por várias pessoas ao longo do tempo.

De uma maneira geral, a leitura deste livro é fácil e cadenciada. Não há termos complicados e nem cenas fortes. Os amantes de Jane Austen certamente encontrariam várias referências aos livros abordados. A mim, que não li nenhum (ainda), todas elas passaram batidas. (Talvez por este motivo, tenha achado mais do que justo entregar meu exemplar à uma apaixonada por Austen. Sei lá, acho que vou me sentir mais confortável se souber que este clube de leitura está entre os seus).

30 de mar de 2017

Farmácia Literária - Ella Berthoud & Susan Elderkin


Que os livros possuem poder de cura, todos os leitores sabem. Para nós, os aficionados pela arte da palavra escrita, a literatura proporciona momentos de prazer, consolo, coragem e, por que não dizer, esperança.

Mas você sabia que os livros podem ajudar a resolver uma gama muito maior de males? E não apenas para a alma, mas para a mente e para o corpo também. É aí que entra a maravilhosa ciência da biblioterapia, a cura por meio dos livros.

Concebido pelas britânicas Ella Berthoud e Susan Elderkin, a Farmácia Literária é um compilado de livros receitados para males que vão de "abandonar o barco, desejo de" a "zumbindo no ouvido", selecionando, entre os mais de dois mil anos de produção literária conhecida, aqueles capazes de nos reafirmar a capacidade dos livros de distrair, repercutir e mudar a maneira como vemos o mundo.

Farmácia Literária foi mais um dos achados incríveis deste ano. Geralmente, livros falam sobre literatura possuem a tendência a ser denso o bastante para tornar a leitura monótona, mas não houve uma página sequer em que não tive a impressão de estar sentada junto a elas em uma sala aconchegante ouvindo-as falarem sobre seus livros favoritos. Eu era como uma criança pré-iniciada na arte de ler ouvindo atentamente minhas mestras.

A leitura é fácil, leve, engraçada e, ao mesmo tempo, muito informativa. Isso sem falar nas mais de 400 indicações incrivelmente bem explicadas. Como se não fosse o bastante, o livro trás ainda 38 listas de leitura e 30 "doenças relacionadas à leitura" (receio dizer que sofro de uma parte considerável destas).

Confesso que, no início, fiquei preocupada com tantas indicações. Como uma compradora compulsiva de livros em recuperação, receei cair na armadilha de entrar em lojas virtuais a todo momento, mas, por incrível que pareça, isso não aconteceu. A bem da verdade, eu mal tinha vontade de me dar tempo para jantar, quem dirá fazer uma pesquisa de preço (fora que, reconheci vários títulos da minha estante xD). Ao mesmo tempo, vários livros que já possuo se destacaram e reforçaram a vontade que tenho de lê-lo.

Existe uma curiosa relação deste livro com A Livraria Mágica de Paris. Monsieur Pardu, o protagonista do livro de Nina George, é um farmacêutico literário, indicando os melhores livros para curar os males que assolam seus clientes. Alguém, por favor, diga a ele que agora seu barco-livraria possui concorrência. xD

25 de mar de 2017

A Garota do Calendário (Junho) - Audrey Carlan


Junho. O sexto mês de Mia Saunders como acompanhante de luxo.

O cliente número seis é Warreen Shipley, um milionário de terceira idade que quer usar a beleza e a simpatia de Mia para amolecer políticos e homens de negócios para levar seus projetos filantrópicos adiante. Para Warren, tê-la como acompanhante é mostrar a esses homens que eles fazem parte do mesmo círculo e, por que, não tentar conquistar o apoio feminino para sua causa?

Mia é categórica: não vai rolar nenhum tipo de intimidade com Warren. Agora, quanto ao filho dele, Aaron Shipley, de trinta e cinco anos, senador mais jovem da Califórnia e um belo pedaço de mal caminho embalado em ternos sob medida...

O livro de Junho é um pouco mais grosso que os outros, 160 páginas, o que não diminuiu em nada sua facilidade de leitura, nem sua capacidade de prender o leitor. Ao contrário dos outros, no entanto, Junho mostra que nem todos os clientes (ou os que vivem ao redor deles) são um mar de carinho e camaradagem.

Mas Junho também mostra que, por mais que algumas coisas doam, por mais difíceis que algumas coisas sejam, Mia conquistou várias pessoas que realmente se importam com ela. Pessoas que atravessariam o país para cuidar dela, exatamente como uma família amorosa faria.

Para Mia, foram quatro os ensinamentos desta parte da jornada: Wes ainda era um assunto delicado, belas capas podem embalar conteúdos podres, os amigos são a família que você escolhe, e ela com certeza tinha os melhores amigos que alguém poderia ter.

22 de mar de 2017

A Louca da Casa - Rosa Monteiro


Enviado em Outubro de 2016 pela TAG - Experiência Literária, A Louca da Casa, da jornalista e romancista espanhola Rosa Monteiro, foi um  livro indicado pela também escritora Carola Saavedra, considerada um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros.

A Louca da casa é um livro curto, 170 páginas que discorrem, principalmente, sobre a literatura, sobre o fazer literatura, sobre essa louca pessoa que é o escritor e sobre tudo (ou quase tudo) o que os une.

São dezenove capítulos, cada um com mais ou menos cinco, talvez seis páginas, que não são difíceis de ler, mas que te deixam com a leve sensação de sobrecarga de informação. A necessidade de para, nem que seja por cinco minutos, a cada dois capítulos (às vezes menos que isso), foi um companheiro constante na leitura deste livro.

Ainda assim, foi uma leitura proveitosa. Ao unir ficção com não ficção, autobiografia e romance, Rosa Monteiro nos dá uma excelente ideia do que a Louca da Casa, a imaginação, é capaz de fazer a um indivíduo e ao ser humano.

19 de mar de 2017

Sua Secretária - Melanie Marchande


Não sei se já aconteceu isso com vocês, mas às vezes, quando compro um livro, mesmo que esteja morrendo de vontade de lê-lo, acabo o deixando para depois. Às vezes se passam mais de ano e só os leio quando os coloco na meta de leitura, em outras, bate uma paranoia inexplicável que só sossega depois de revirar todas as caixas de livros para encontrar aquele título que, do nada, você tem uma vontade incontrolável de ler.

Foi o que aconteceu comigo com este livro. O comprei na viajem que fiz à São Paulo na ocasião da Bienal, e ele ficou de lado desde então. Não sei o que aconteceu comigo esta semana, mas no meio de um esgotamento emocional que nem a releitura de Harry Potter e a Pedra Filosofal foi capaz de resolver, passei duas horas com esse livro na cabeça antes de entregar os pontos, vasculhar minhas caixas e começar a leitura. No capítulo dois eu já tinha rido tanto que a ideia de estar esgotada já me parecia absurda.

Adrian Risinger é um CEO arrogante, prepotente, com uma capacidade incrível de ser cruel e mesquinho quando quer (o que acontece praticamente todos os dias). Meghan Burns é sua secretária há cinco anos, o que é um milagre se considerarmos que suas secretárias não duravam mais que algumas semanas em seus postos de trabalho.

Só Meghan sabe o quanto é difícil, só ela percebe o quanto sua vida decaiu por causa da personalidade exploratória de Risinger, mas ela precisa do emprego, e, por mais absurdo que pareça, ela sabe que ele precisa dela (ninguém mais o aguentaria afinal).

Em uma noite de bebedeira, enquanto procurava na Amazon algum livro que a ajudasse a lidar com o chefe, o que ela encontra são os livros da autora Natalie McBride, uma série de livros eróticos intitulados A Secretária. Ela devora todos em menos de uma semana e mal consegue se controlar para o lançamento do novo livro.

Depois de uma tarde particularmente estressante no trabalho e mais alguns copos de bebida alcoólica, Meghan manda um e-mail desabafo para a autora dos livros, e assim as duas passam a se corresponder.

Semanas mais tarde Risinger a chama em seu escritório... E é aí que ela descobre que Natalie McBride é, na verdade, o pseudônimo que ele usou para publicar seus romances, e que ele quer que Meghan seja o rosto de Natalie durante alguns eventos de divulgação dos livros. (Não, isso não é um spoiler. Está na sinopse para todo mundo ver.)

Ela descobre também que os interesses de Adrian são variados. E que ela está incluída em todos eles.

Mesmo achando tudo um tanto absurdo, Meghan entra na brincadeira, e até que ela se diverte com o contato com as fãs de Natalie. E um adicional inesperado é que Adrian menos difícil de lidar do que ela imaginava... e até mais irresistível.

O livro é engraçado. Os dois são impagáveis e não param de falar merda um para o outro. Gostar de Meghan é fácil e um tanto natural até, já gostar do Adrian é mais complicado. Ele faz umas escolhas bem erradas e, a meu ver, até um tanto descabidas (para não falar cruéis). Ainda assim, é uma boa história.

13 de mar de 2017

Para Sir Phillip, com Amor - Julia Quinn


Tudo começou como uma inocente carta de condolências de Eloise Bridgerton ao viúvo de uma prima distante. Mas então Sir Phillip a respondeu e ainda lhe mandou uma delicada flor prensada. As correspondências ente os dois se mantiveram por um ano inteiro, até que, em uma de suas cartas, ele sugere à sua correspondente uma pequena temporada em sua casa, para que os dois se conheçam melhor e, assim, quem sabe, se  os dois perceberem que podem se dar bem, podem até casar-se.

A proposta é estranha, incomum para dizer o mínimo e, de longe, o pior pedido de casamento que Eloise já recebera, mas já faz um tempo que ela pensa no assunto. Ainda mais depois que, surpreendendo a todas as expectativas (dela e de basicamente toda Londres), sua amiga Penelope Featherington, conseguiu casar-se (e com seu irmão ainda por cima). Ela a adora, é claro, e está super feliz por ela, mas o casamento da amiga meio que frustou seus planos de dividir com ela sua vida de solteira.

Em um ato que pode perfeitamente ser classificado com desesperado (embora Eloise jamais vá admitir isso para ninguém), ela aceita o convite e vai. Sozinha. Sem o conhecimento da família, e rezando para ter feito a coisa certa.

Phillip Crane não sabe o que é mais enervante: Eloise ter aparecido de repente em sua casa, ela não parar de falar por mais que um segundo, ou a insubordinação de seus dois filhos, que só faltam colocar a casa abaixo.

Descobrir que nenhum dos dois era como o outro esperava foi um choque para ambos. Ainda assim, no meio de tantas discussões e reações (quase sempre) explosivas, surgem momentos preciosos que fazem os dois terem vontade de dar aquela segunda chance e, quem sabe, perceberem que, mesmo com todas aquelas diferenças e imperfeições, eles são exatamente o que o outro precisa para, enfim, encontrar a felicidade familiar.

Até o momento, Para Sir Phillip, com Amor foi o livro que menos gostei da série. Apesar de ter tido momentos cômicos (quase sempre envolvendo o resto da família Bridgerton) e fofos, achei Phillip bastante irritante com aquela mania de fugir do assunto e se isolar em sua estufa "porque se ele não via ou não ouvia, podia fingir que não existia ou que não estava acontecendo". Sério, isso me irritou mais que a fome infinita de Collin.

10 de mar de 2017

O Canto dos Segredos - Tana French


Concebido para ser uma válvula de escape para as privilegiadas alunas do colégio St. Kilda, o Canto dos Segredos é um enorme quadro de avisos em que as adolescentes desabafam e liberam o excesso de energia de forma segura e supervisionada. Até que um bilhete anonimo muda tudo ao divulgar a foto de um adolescente morto no ano anterior nos terrenos da escola, junto com a legenda "Eu sei quem matou".

Foi assim que o caso chegou ao detetive Stephen Moran: uma testemunha de um antigo caso viu o bilhete no quadro, tirou-o com cuidado e o levou até ele. Mas o caso não é dele. Moran é apenas um detetive estacionado no departamento de Casos Não solucionados. Mas ele reconhece sua chance quando a vê. Na homicídios, a pessoa á frente da investigação do assassinato de Christopher Harper é Antoniette Conway, e a mensagem dela para Stevphen é bem clara: "acompanhe meu ritmo, não dê um pio que sem ser solicitado, faça o contrário e voltará para o Casos Não Solucionados até sua aposentadoria".

E assim a investigação é recomeçada. De maneira mais discreta que antes, apenas dois detetives conversando com as adolescentes, sem muito alarde, sem muito escândalo, apenas seguindo um fio de Ariadne que surgiu no meio de um monte de palha.

Mas Moran é observador, e, mais que isso, ele sabe como a mente dos adolescentes funcionam. E, a meu ver, esse é o ponto alto de de toda a construção do enredo: Stephen sabe como ler uma pessoa, sabe como interpretá-la e como agir e reagir de modo a fazer com que ela se abra. Se alguém precisa de adulação, ele irá adulá-la. Se outra precisa que lhe injetem uma dose de confiança, é isso o que ele vai fazer. Se uma terceira merece ser tratada como um adulto que não pode ser subestimado, é assim que ele agirá. Ele quer concluir o trabalho que está em suas mãos, e ponto. 

A narração alterna entre duas frentes: A narrada pelo detetive Moran nos faz acompanhá-lo desde a chegada do bilhete à mãos dele e durante todas as vinte e quatro horas de trabalho árduo dentro dos muros do St. Kilda. A outra narração é distribuída entre quatro internas do colégio, e se alternam de acordo com os eventos ocorridos, iniciando-se oito meses e maio antes do assassinato de Chris Harper.

Outra coisa que me chamou atenção foi a maneira como a autora abordou o bullying entre adolescentes: a necessidade de se encaixar, e de se afirmar, mesmo que você só consiga fazer isso rebaixando os outros; a mesquinhez diante daqueles que, tendo encontrado uma fortaleza onde se defenderam, não ligam a minima para essas querelas, a crueldade que atinge a todos quando alguém de fora encontra um brecha por onde destilar veneno simplesmente por que sim e foda-se, elas merecem.

O Canto dos Segredos é um livro grande, são seiscentas e cinco páginas de uma história que não chega a ser pesada, mas que também não é um mar de rosas.

4 de mar de 2017

Entrevista Com o Vampiro: A História de Claudia - Anne Rice & Ashley Marie Witter


Cláudia, a vampira-criança criada por Lestat para chantagear Louis, é, sem dúvida, um dos personagens mais marcantes de todas as Crônicas Vampirescas. E é através de seus olhos que temos a história deste Grafic Novel

Adaptado e ilustrado por Ashley Marie Witter em 2012, A história de Cláudia é um complemento incrível à narração de Louis, e uma expansão maravilhosa do universo das Crônicas. As descrições feitas por Anne foram bem representadas nessas ilustrações, e achei incrível o predomínio do tom de sépia e o destaque dado ao vermelho do sangue.

É um pouco difícil descrever a experiência de leitura neste livro, e não apenas pelos quase quatro anos que se passaram desde a leitura do Entrevista com o Vampiro, mas também por também por não saber exatamente como avaliar o material que tenho em mãos.

Na narração de Louis, Claudia foi um período maravilhoso e sombrio, pois a personalidade dela mesclava muito do que ele odiava em Lestat com o que ele amava em si mesmo (e em Lestat). Lembro-me de que foi uma leitura pesada e um tanto opressora, pois estava um tanto evidente de que daquela história, todos os envolvidos sairiam irreparavelmente machucados (como de fato o foi).

Ao mesmo tempo, o fato de ter sido construído com ilustrações (muito incríveis por sinal) pareceu suavizar, ao menos um pouco, o peso que havia em cima do texto, tanto que consegui ler as 224 páginas em 3 ou 4 horas praticamente ininterruptas.

1 de mar de 2017

Dez Formas de Fazer um Coração se Derreter - Sarah MacLean


O prólogo de Dez Formas de Fazer um Coração se Derreter é um tanto tendencioso: um artigo de jornal de fofocas voltado para a alta sociedade londrina comentando sobre a dificuldade (e desespero) das moçoilas (e de suas mães) em encontrar um cavalheiro para levá-la ao altar. Por um breve momento, que durou cerca de dois parágrafos, imaginei que veria uma segunda versão de Lady Winstledon, mas logo em seguida percebi que meu equívoco: além da falta de indiretas explicitas e do tom menos sarcásticos, o Pérolas e Peliças é do tipo politicamente correto (adjetivo que não necessariamente pode ser aplicado ao folheto publicado em Os Bridgertons).

A redora (seja ela quem for), em sua humilde posição de observadora da alta sociedade, apresenta para suas leitoras a série "Lições para conquistar um Lorde". E o lorde mais cobiçado de todos é, sem dúvida, Nicholas St. John, o gêmeo mais novo de Gabriel, o marquês de Ralston (o protagonista de Nove Regras a Quebrar Antes de se Apaixonar), que, para o divertimento do irmão e de seu amigo Rock, não gostou nem um pouco da atenção recebida.

Determinado a escapar do desconforto que se tornara Londres depois dos artigos, Nicholas aceita partir em busca da irmã de um amigo, que desaparecera semanas antes. Apesar de saber que a procura despertaria uma habilidade que ele preferiria esquecer, a súplica do Duque de Leighton e a vontade de sumir de Londres, o convenceram. 

Além do mais, havia um outro fator determinante: havia uma mulher desaparecida, e mulheres em perigo sempre representaram sua ruína. E não deu outra: poucos dias após chegar à pequena vila de Dunscroft, o lugar para onde o rastro de lady Georgiana os levou, um grupo de enormes cavalos de tração corria descontrolada pela rua principal do vilarejo, indo direto em direção a uma mulher totalmente distraída na leitura de suas correspondências.

Isabel Townsend é irmã mais velha do atual conde de Reddich (então com dez anos) e administra a propriedade da família desde o falecimento dos pais. Ou tentou, pelo menos, já que as dívidas do Conde Perdulário a deixaram sem recursos sequer para pagar os funcionários da casa. Ameaçada pela chegada iminente de um tutor que provavelmente destruiria tudo o que ela levara anos para construir, ela decidi se desfazer de seu bem mais preciosos: uma coleção de estatuas gregas que lhe fora deixada de presente por sua mãe... E olha que coincidência encontrar Nicholas St. John, um dos melhores antiquários do reino, passando por sua vila!

Só que as coisas não saem exatamente como Isabel previra. Ao demostrar a Nicholas que havia segredos envolto a ela e à propriedade que abrigava as estatuas, ela atraiu sua atenção total. E talvez nenhum dos dois gostem do que irão descobrir. Ou, talvez, amem.

Apesar de ter gostado da maneira com que ele lidou com a situação toda, Nicholas que me perdoe, mas minha preferencia ainda é por Gabriel. Apesar de Isabel ter seus problemas em relação a confiar nos outros, na verdade, em confiar nos homens, em nenhum momento consegui me encantar com Nicholas, nem com Isabel. Foi um romance bonito? Sim. Fofo? Provável. Envolvente? Falo por mim quando digo que não.

13 de fev de 2017

A Livraria Mágica de Paris - Nina George


O monsieur Jean Perdu é livreiro parisiense que ficou conhecido como farmacêutico literário. Em seu barco-livraria carinhosamente chamado de Farmácia Literária, ele receita livros que ajudam a amenizar e curar os males da alma.

Mas há um sofrimento que ele não consegue curar: o seu. Há vinte um anos, a mulher que ele amava o deixou de repente. Eles adormeceram juntos e, quando acordou, ela já não estava mais lá. De ***, só restara um quarto trancado, cuja a porta foi coberta por estantes e mais estantes de livros, vários anos de vazio, e uma carta, escrita por ela, que chegou à seu apartamento meses após seu sumiço, e que ele nunca teve coragem de ler,

Em um verão, uma vizinha nova chega ao seu andar e, motivado (quase pressionado) pela senhoria e pela zeladora do prédio, Perdu abre a caixa de Pandora e liberta lembranças que mudarão para sempre sua vida.

Inicialmente, tive alguns problemas para engrenas a leitura, e realmente não consegui entender o que estava acontecendo: o enredo começou lindo e a narrativa é muito boa, mas a cada cinco minutos eu me distraía. Cheguei inclusive a começar a história toda de novo (estava na página quarenta ou coisa assim) para ver se eu reabsorvia melhor a história. Mas aí a leitura engrenou.

E não, A Livraria Mágica de Paris não é um livro bonito. Ele é lindo na verdade. É a história de um homem que volta a viver depois de ter perdido o amor de sua vida. É a história de alguém que se acostumou a estar nos bastidores da vida dos outros e que volta, aos poucos, a ser o personagem principal de sua própria história.

E o melhor de tudo, é a história de um amante da literatura que busca a beleza que existe no livro que narra sua própria história. É a busca pela poesia em uma narrativa interrompida pelo melancolismo.

Nina George acertou em cada palavra e em cada vírgula usada. E espero mesmo me lembrar deste livro quando estiver escolhendo as melhores leituras de 2017, pois definitivamente ele estará na lista. 

10 de fev de 2017

A Garota do Calendário (Maio) - Audrey Carlan


Em Maio Mia Saunders será enviada para o Havaí para ser modelo em uma campanha de moda praia que tem como slogan "amor em todos os tamanhos". O contratante é o fotógrafo italiano super famoso Angel D'Amico, muito apaixonado e casado a anos com uma linda latina (que foi quem escolheu Mia para a campanha.

Em compensação, a primeira pessoa que ela vê ao chegar ao Havaí é um samoano de um metro e noventa que tem metade do corpo tatuado e um apetite difícil de ser saciado. Tai Niko ganhou rapidamente o status de "o homem mais impressionante já conhecido" e, a bem da verdade, um dos mais fofos também. A devoção de Tai com sua família, com a tradição de seu povo e a paixão que ele guarda para a família que ele espera formar um dia é emocionante.

A lição de Maio envolve justamente essa parte da vida de Mia. Depois de anos vivendo para sustentar e criar a irmã mais nova, Maddy se tornou uma mulher linda e inteligente que está prestes a formar sua própria família com um homem que a ama. E agora? Como mudar o rumo de sua vida depois de tantos anos se devotando a uma tarefa que não é mais de sua inteira responsabilidade?

A resposta ela encontrou com Tai (e com a família dele): viver a vida, deixar acontecer e viver o momento. O que for para acontecer, acontecerá. 

É só confiar na jornada. <3

7 de fev de 2017

Tarzan - Edgar Rice Burroughs


Uma das minhas metas de leitura extra que fiz este ano foi diminuir o numero de exemplares da Editora Zahar para ler. Acabei pegando Tarzan para conhecer um pouco mais a escrita de Edgar Rice Burroughs, autor da série John Carter, que comprei na Bienal de 2016.

Em sua expedição rumo a um posto avançado da Inglaterra na África, Lorde Greystoke e sua esposa zarpam em um navio cujo capitão é rude e cruel com seus marujos. Em um motim que resultou na morte do capitão e de todos os oficiais a bordo, sua vida e a de sua esposa foi poupada por estes terem se mantidos neutro durante o acontecido.

O capitão empossado, na tentativa de protegê-los, deixa-os em uma praia deserta junto com suprimentos com a promessa de mandar socorro assim que possível for.

Mas a ajuda nunca chega. E, nesse meio tempo, nasce o filho do casal, um menino que, por conta de diversos acasos do destino, acaba sendo adotado por uma antropoide que acabou de perder sua cria. É assim que Tarzan, o homem-macaco surge.

Anos mais tarde, com Tarzan já adulto, um estranho objeto chega à praia e dele desembarcam os primeiros homens brancos que ele já viu na vida, assim como a primeira fêmea: Jane Porter, filha de um professor que descobriu um grande tesouro antes de sua expedição se amotinar contra seu capitão. É ela quem faz com que Tarzan se decida por abandonar todo o mundo que conhece para, assim, pertencer ao dela.

E não, não tem nada de Disney aqui.

Apesar de os traços civilizados estarem incrustados em Tarzan a ponto de ele agir como um cavalheiro para com Jane e até ser auto de data a ponto de aprender a ler e a escrever somente com o auxílio dos livros que seus pais haviam levado consigo, ele ainda é um ser rude e selvagem. É de partir o coração na verdade, sempre fico torcendo por um final feliz.

Sobre a escrita de Burroughs, só posso dizer que gostei. Ele é dinâmico e sabe como montar a narração.

A edição da Zahar ainda trás 40 ilustrações de Hal Foster, um dos mais consagrados ilustradores que emprestaram seu talento ás pulp fictions de Tarzan.

1 de fev de 2017

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - Jonh Tiffany & Jack Thorne


Quando saiu a notícia que o mundo de Harry Potter ganharia uma peça de teatro, o mundo inteiro surtou de empolgação, e eu não fiquei atrás. Depois de tantos anos, depois de tantas boas lembranças, saber que aquele mundo especial não tinha sido esquecido... foi eufórico. Quando saiu a pré-venda dos livros então, confesso que a única coisa que me impediu de ter comprado o livro logo de cara foi a esperança que a Rocco mandasse esse livro para os parceiros (o fato de Harry Potter e J.K. Rowling ser do catálogo da editora contribuiu e MUITO para meu surto quando me tornei parceira hahahaha).

Demorou, mas Harry Potter e a Criança Amaldiçoada finalmente chegou na minha casa como um excelente presente de Natal atrasado. hahahaha

Dezenove anos se passaram desde a Batalha de Hogwarts. Agora, Harry e Gina levam seu segundo filho, Alvo Severo Potter para pegar o trem rumo ao seu primeiro ano na escola de Magia e Bruxaria que os pais frequentaram.

É curioso construir a personalidade de Alvo Potter: diferente do irmão mais velho e da irmã mais nova, ele é mais quieto, e, ao contrário dos irmãos, não lida muito bem com o peso de ser "filho de Harry Potter". Para piorar só um pouquinho a pressão, o Chapéu Seletor o manda para a Sonserina, ele se descobre ser péssimo em Quadribol e seu melhor (e único amigo) é Escórpio Malfoy, o filho de Draco Malfoy (Doninha Saltitante para os íntimos hahaha),

Em um final de férias, Alvo escuta uma conversa entre Harry, Gina e Amos Digory sobre o rumor de um vira-tempo apreendido pelo Ministério da Magia. Amos, ainda arrasado pela morte de Cedrico tantos anos antes, tenta convencer Harry a usar o vira tempo para trazer Cedrico de volta a vida. Harry se recusa, é claro, isso é impossível. Mas ainda assim, ele ainda se sente culpado pela morte do rapaz.

E é quando Alvo Severo Potter tem a brilhante ideia (só que não) de roubar o vira-tempo do Ministério da Magia e honrar o legado da família de procurar confusão e se meter onde não devia... E é obvio que ia dar merda. Muita merda aliás. Mas bem, contar o tamanho da besteira resultante é spoiler, então, vamos as considerações finais:

Apesar de ter ouvido de pessoas (que com certeza sabem muito mais de Harry Potter que eu) que A Criança Amaldiçoada é um livro que pode ser facilmente desconsiderado, terminei a leitura descordando dessa premissa. 

Primeiro porque Escórpio Malfoy é o garoto mais fofo do mundo (e nada me convencerá do contrário). Segundo porque os criadores de A Criança Amaldiçoada souberam trabalhar muito bem com os personagens originais, e fiquei MUITO contente com o que foi feito deles. A bem da verdade, adorei ver Harry e Malfoy trabalhando juntos. Sempre achei que a única coisa que travava a amizade deles era a arrogância e a péssima influencia do pai. Não estava muito errada afinal. hehehe

Foi bom rever todos aqueles personagens (devo ter chorado em umas três partes diferentes do livro) e, apesar de não ter a escrita maravilhosa da J. K. Rowling, a mensagem que ela nos passou naqueles sete livros inesquecíveis se manteve. A meu ver A Criança Amaldiçoada merece, com todas as honras, o status de "a oitava história".