28 de abr de 2017

O Conde Enfeitiçado - Julia Quinn


Michael Stirling é conhecido por toda a Londres por ser o libertino mais lendário que já frequentou a alta sociedade até então. Ele passou por um daqueles momentos que mudam sua vida para sempre na noite em que conheceu Francesca Bridgerton, apaixonando-se por ela praticamente à primeira vista.

Infelizmente para ele, tal evento extraordinário aconteceu no jantar de ensaio do casamento dela. Dali a trinta e seis horas, Francesca seria uma mulher casada. Com seu primo, a quem ele sempre considerara como irmão.

Os anos que se seguiram não poderiam ser descritos de outra forma que não tortura: Michael escondia ferrenhamente seu amor enquanto frequentava a casa de John e Francesca praticamente todos os dias, tanto pela grande estima a John quando pela amizade que acabara por cultivar com Francesca.

Em uma noite porém, John foi dormir para curar-se de uma dor de cabeça incomoda e não acordara mais. A ruptura brusca da amizade que havia nascido entre os três e os acontecimentos posteriores levaram a uma súbita ruptura entre os dois sobreviventes, a ponto de Michael isolar-se em outro continente para manter-se afastado de Francesca, e do que ele sentia por ela.

Mas os quatro anos de separação não foram o bastante. Ele ainda a ama e ela... Ela o acha diferente. Não sabe como, nem como aconteceu exatamente, mas seja lá o que for, o fez olhá-lo de outra maneira.

Algumas coisas são como um feitiço impossível de se escapar. O amor é uma delas.

Diferente de todos os outros livros Bridgertons até agora, O Conde Enfeitiçado tem um toque de tragédia que me fez ficar a todo o momento prestes a cair em lágrimas (e olha que eu bem que gosto de um drama em família). Gostei de ter visto o trabalho de pesquisa que a autora desenvolveu para tornar tudo mais verossímil e mais ainda de saber que parte da renda deste livro foi destinada a fundo de pesquisas destinado a pesquisa de remédios para a malária (para entender a referencia, favor ler o livro).

Juilia Quinn está se tornando uma de minhas autoras preferidas quando o assunto é quebra de ressaca literária. <3

25 de abr de 2017

Resistência - Affinity Konar


As vezes você escolhe um livro pela capa e se dá muito bem com isso. Em outras, se arrepende amargamente por não ter prestado mais atenção à sinopse. Resistência está no segundo caso.

Pearl e Stasha Zagorski são gêmeas idênticas que foram tiradas do vagão em que viajavam junto com sua mãe e avô para serem levadas ao campo de concentração de Aushwitz. Por dividirem a mesma carga genética, elas atraíram a curiosidade do Dr. Joseph Mengele, o Anjo da Morte ale.

Entre os horrores do campo de concentração e os experimentos de Menguele, Pearl e Stasha procuram se manter unidas e preservar o amor familiar e a esperança, mas mesmo o mundo particular criado por elas é frágil.

A história não para por aí mas, confesso, não consegui avançar.

Depois de tantos anos lendo o máximo de livros que consegui, achei que havia criado certa resistência contra algumas histórias. Algum tipo de barreira que não me deixasse imergir demais em enredos que se aprofundassem no sofrimento humano e, mais ainda, quando esse sofrimento é imposto a crianças. Bem, com Resistência descobri que continuo tão vulnerável quanto antes.

A muito custo consegui chegar á página 86, e isso foi depois de quatro dias me obrigando a continuar a leitura, mas não deu.

22 de abr de 2017

Bartleby, O Escrivão - Herman Melville


Herman Melville (1819 - 1891) é considerado um dos grandes autores americanos do século XIX. Morto no esquecimento, Moby Dick e seu autor alcançaram a merecida fama no século XX, fama esta que ainda mantém o livro entre as grandes obras literárias já publicadas.

Mas não estou aqui para falar da grande Baleia Branca (ao menos não ainda). Bartleby, o escrivão, foi publicado em 1856 em um livro de contos chamado The Piazza Tales. O escritor argentino Jorge Luis Borges, que fez o prefácio deste livro, comenta que, neste conto, Melville define um gênero que Franz Kafka aprofundaria a partir de 1919, com suas fantasias que dissecam o comportamento e o sentimento humano.

O narrador deste conto é um advogado aposentado, que nos apresenta um episódio ocorrido com ele na época em que possuía um escritório na Wall Street. Chefe de dois escrivães e um aprendiz, e vendo-se cada vez mais sobrecarregado com suas atribuições, ele decide colocar um anúncio procurando por mais um escrevente.

Quem responde é Bartleby, um rapaz "palidamente delicado, lamentavelmente respeitável e irremediavelmente desamparado". Trabalhador voraz e de personalidade discreta, ele "escrevia em silêncio, apaticamente, mecanicamente", sendo, constantemente, o primeiro a chegar ao escritório e o ultimo a sair dele.

Até que em uma tarde, quando uma série de cópias precisam ser revistas com urgência, o advogado pede que Bartleby se junte aos outros escrivães para a revisão e , após uma longa espera, tem como resposta "prefiro não fazê-lo". Tal frase não foi dita de maneira rude, nem continha nenhum traço de agitação, e sim com uma calma tal que o advogado não consegue reagir.

E assim acontece sucessivamente. A cada nova tarefa pedida a ele, a mesma resposta, "prefiro não fazê-lo", dita de maneira tranquila, porém taxativa, e assim, aos poucos, ele deixa de fazer as coisas, e mesmo as tarefas mais básicas de sua função são abandonadas.

Bartleby desperta sentimentos opostos: ao mesmo tempo em que sua sua previsibilidade, sobriedade e afabilidade de comportamento inspiram "confiança e certo instinto protetor" e fazem dele uma "valiosa aquisição" ao escritório, as mesmas características, somadas à apatia ferrenha diante de tudo "gere súbitos acessos de ira contra ele". 

É um tanto agoniante. Como se justifica agir contra alguém que não fez nada contra você? Que escolhe (usando o verbo favorito de Bartleby, que prefere" não fazer nada? Demite? Sim, é uma boa, só que ele "prefere continuar onde está" e não vai sair porque "prefere ali a outro lugar" ou "prefiro não me mover".

Ao perceber que alguns dos maneirismos de Bartleby estão se infiltrando no restante do escritório, o advogado recorre a uma solução mais drástica. Se ele não sai, saí o escritório. E advinha quem o novo dono encontra lá? Sim, ele mesmo, Bartleby, o escrivão.

A história é bem curtinha. Coisa de setenta páginas, mas não dá pra deixar de se sentir dividido tal como o advogado em relação a Bartleby. 

A José Olympio está, mais uma vez, de parabéns pelo excelente trabalho feito com esta edição. 

18 de abr de 2017

As Mil e Uma Noites #Livro04


O quarto e ultimo domo de As Mil e Uma noites reuniu textos de oito fontes diferentes para completar a quantidade de noites do título, oferecendo um exemplo da pluralidade de fontes e da diversidade de vozes e tons que a voz de Sahrazad pode assumir.

Os eixos das histórias oferecidas continuam mais ou menos os mesmos dos oferecidos nos outros domos: ascensão social, manutenção do poder e domesticação do sexo feminino (apenas lembrando que grande parte das narrações são ambientadas nos primeiros séculos da história humana conhecida e em uma região dominada pelo forte patriarcado). O que chama atenção nestas histórias é a capacidade humana de se alternar entre a piedade extrema e a mais implacável perversidade.

Entre as histórias, destaco a de Alauddin e a Lâmpada Mágica, que ocupa 214 noites ao todo e que nos mostra uma versão bem diferente da que estamos acostumados a associar a esta história (Disney e sua capacidade de adaptação hahahaha).

Também destaco a série Conselho a Reis, que ocupam as noites entre 740 e 775. São 35 noites (quase o dobre em numero de páginas acho) em que as histórias vão para o segundo plano e se destacam conselhos para a boa governanças. Aqui se incluem desde máximas e sentenças propriamente ditas até pequenas fábulas que objetivam ensinar ao rei como reinar com justiça. Destaco essa parte por jamais ter lido algo tão chato em toda a minha vida. Quinze minutos de leitura me faziam precisar de duas horas ou mais de descanso e ainda assim não conseguia voltar à leitura. Acabou que acabei pulando mais de vinte páginas dessa parte e tive a ressaca literária mais perversa de que consigo me lembrar.

As histórias melhoraram depois, mas o dano causado por Conselho a Reis foi grande o bastante para me manter longe deste livro por quase dois meses. Terminei as histórias dando graças ao céus por não correr mais o risco de ter que passar por mais noites como aquelas.

Ler As  Mil e Uma Noites foi praticamente um objetivo de vida cumprido. hahahahahaah

10 de abr de 2017

Temporada Dos Ossos - Samantha Shanon


No último evento Fanáticos Rocco acabei ficando encarregada de apresentar este livro aos participantes, e não deu outra: fiquei doida de curiosidade para lê-lo. Vejamos e convenhamos, dizer que uma autora é a "próxima J. K. Rowling" atiça qualquer fã da diva maravilhosa.

O ano é 2059 de um mundo em que a clarividência não apenas existe como também é tratada como uma doença e exterminada como praga desde o século XIX. Paige Mahoney, a protagonista, é uma vidente (termo genérico para clarividentes) peculiar: seu dom é semelhante a um radar de mentes, sintonizando e reconhecendo diferentes tipos de mecanismos extra sensoriais. 

O mundo dela não é um lugar amistoso: os clarividentes são marginalizados e caçados pela Scion, a instituição do governo responsável pela caça e exterminação dos "desnaturais". Para eles, é viver mendigando e comercializando seus dons a preços esdrúxulos ou unir-se a um dos Sindicatos, grupos de videntes organizados liderados por um mime-lord (ou mine-rainha). Se a ultima frase deu a entender que a opção era ser um miserável independente ou um integrante de uma gangue, saiba que você e está totalmente certo. Paige está no segundo grupo. Ela é a Andarilha Onírica do grupo do Agregador Branco, uma das sete videntes mais poderosas do grupo. 

Certo dia, ao dirigir-se para a casa de seu pai, um acidente do metro a coloca na mira dos policiais da SCION, e mesmo seu treinamento em fuga e sobrevivência foi capaz de livrá-la da prisão. 

É então que ela é levada para a antiga cidade abandonada (e banida) de Oxford. Sheol I é uma comunidade prisional construída pelos Rephaites, seres poderosos que possuem uma ligação mais estreita com o Éter que os videntes achariam possível, e mantida pela Scion para manter os clarividentes longe dos naturais. É daí que vem o nome do livro: a Temporada dos Ossos é um acontecimento que ocorre a cada dez anos na cidadela dos naturais e que tem por objetivos capturar videntes e levá-los ao Sheol.

De fugitiva a prisioneira, Paige logo se dá conta do lugar em que está. Assim como logo se decide a fugir e voltar para o Sindicato, para o grupo que até então era como sua família. Ela quer fugir. Só precisa descobrir como.

O ponto alto da divulgação deste livro é um comentário comparando-a com J.K. Rowling. Achei meio presunçoso no inicio mas, a medida em que lia a história, tive que dar o braço a torcer. O estilo de narração e a progressão da história, de fato são bem parecidos e Samantha Shannon sabe muito bem como manter o desencadeamento da história sobre controle. As duas são escritoras bem precisas nesse sentido e sabem bem o que estão fazendo.

Este livro faz parte da Bone Season, mas, para falar a verdade, não entendi direito o motivo de haver continuação. Os acontecimentos iniciados tiveram conclusão e não consegui vislumbrar um objetivo que justificasse a existência de outros livros. Mesmo assim, se eles existirem, espero mesmo poder lê-los.

3 de abr de 2017

O Clube de Leitura de Jane Austen - Karen Joy Fowler


Apesar de sempre ouvir falar muito bem de suas obras, e de definitivamente ser uma das autoras mais respeitadas e cultuadas da história da literatura, nunca cheguei a concluir nenhum livro de Jane Austen (minhas três tentativas foram frustradas nos primeiros parágrafos e nunca mais me aventurei desde então).

De certa forma, foi essa incapacidade que me fez pedir O Clube de Leitura de Jane Austen. Talvez, pensei cá comigo, ver as histórias delas pela mentes dos que amam incondicionalmente sua obra, eu consiga uma melhor experiencia com a autora e talvez me fique mais uma vez motivada a lê-la.

Jocelyn, Bernadette, Sylvia, Allgra, Prudie e Grigg possuem suas vidas próprias no Central Valley, Califórnia. Mas, uma vez por mês, eles se reúnem na casa de alguém para discutir uma obra da escritora britânica Jane Austen.

Ao longo dos seis meses em que os encontros ocorrem, eles partilham mais do que a literatura, dividindo, mesmo com seus silêncios, suas perdas, conflitos, romances e amizades.

Narrado por uma sétima pessoa do clube, a narradora passeia pelo presente nos encontros do clube e em seus momentos anteriores, assim como nos revela um pouco do passado dos que receberão os outros integrantes do grupo. Em determinados momentos, foi confuso encontrar o que uma coisa tinha a ver com a outra, mas, ao mesmo tempo, fez sentido: o livro preferido de cada um tem a ver com o passado que o levou até ali.

Um dos personagens me chamou atenção. Na verdade, o que me chamou atenção foi como as mulheres tratavam Grigg, o único homem do grupo, 1)por ele ser homem, 2)por ele ser leitor assíduo de ficção científica, e 3) por ele nunca ter lido Jane Austen antes de ser convidado por Jocelyn (a organizadora do clube) para participar das reuniões. Em vários momentos me peguei enviando minha solidariedade ao pobre coitado entregue aos chacais como estava.

O livro trás ainda as sinopses de cada livro discutido e uma série de comentários sobre Jane Austen e suas obras feitos por várias pessoas ao longo do tempo.

De uma maneira geral, a leitura deste livro é fácil e cadenciada. Não há termos complicados e nem cenas fortes. Os amantes de Jane Austen certamente encontrariam várias referências aos livros abordados. A mim, que não li nenhum (ainda), todas elas passaram batidas. (Talvez por este motivo, tenha achado mais do que justo entregar meu exemplar à uma apaixonada por Austen. Sei lá, acho que vou me sentir mais confortável se souber que este clube de leitura está entre os seus).

30 de mar de 2017

Farmácia Literária - Ella Berthoud & Susan Elderkin


Que os livros possuem poder de cura, todos os leitores sabem. Para nós, os aficionados pela arte da palavra escrita, a literatura proporciona momentos de prazer, consolo, coragem e, por que não dizer, esperança.

Mas você sabia que os livros podem ajudar a resolver uma gama muito maior de males? E não apenas para a alma, mas para a mente e para o corpo também. É aí que entra a maravilhosa ciência da biblioterapia, a cura por meio dos livros.

Concebido pelas britânicas Ella Berthoud e Susan Elderkin, a Farmácia Literária é um compilado de livros receitados para males que vão de "abandonar o barco, desejo de" a "zumbindo no ouvido", selecionando, entre os mais de dois mil anos de produção literária conhecida, aqueles capazes de nos reafirmar a capacidade dos livros de distrair, repercutir e mudar a maneira como vemos o mundo.

Farmácia Literária foi mais um dos achados incríveis deste ano. Geralmente, livros falam sobre literatura possuem a tendência a ser denso o bastante para tornar a leitura monótona, mas não houve uma página sequer em que não tive a impressão de estar sentada junto a elas em uma sala aconchegante ouvindo-as falarem sobre seus livros favoritos. Eu era como uma criança pré-iniciada na arte de ler ouvindo atentamente minhas mestras.

A leitura é fácil, leve, engraçada e, ao mesmo tempo, muito informativa. Isso sem falar nas mais de 400 indicações incrivelmente bem explicadas. Como se não fosse o bastante, o livro trás ainda 38 listas de leitura e 30 "doenças relacionadas à leitura" (receio dizer que sofro de uma parte considerável destas).

Confesso que, no início, fiquei preocupada com tantas indicações. Como uma compradora compulsiva de livros em recuperação, receei cair na armadilha de entrar em lojas virtuais a todo momento, mas, por incrível que pareça, isso não aconteceu. A bem da verdade, eu mal tinha vontade de me dar tempo para jantar, quem dirá fazer uma pesquisa de preço (fora que, reconheci vários títulos da minha estante xD). Ao mesmo tempo, vários livros que já possuo se destacaram e reforçaram a vontade que tenho de lê-lo.

Existe uma curiosa relação deste livro com A Livraria Mágica de Paris. Monsieur Pardu, o protagonista do livro de Nina George, é um farmacêutico literário, indicando os melhores livros para curar os males que assolam seus clientes. Alguém, por favor, diga a ele que agora seu barco-livraria possui concorrência. xD

25 de mar de 2017

A Garota do Calendário (Junho) - Audrey Carlan


Junho. O sexto mês de Mia Saunders como acompanhante de luxo.

O cliente número seis é Warreen Shipley, um milionário de terceira idade que quer usar a beleza e a simpatia de Mia para amolecer políticos e homens de negócios para levar seus projetos filantrópicos adiante. Para Warren, tê-la como acompanhante é mostrar a esses homens que eles fazem parte do mesmo círculo e, por que, não tentar conquistar o apoio feminino para sua causa?

Mia é categórica: não vai rolar nenhum tipo de intimidade com Warren. Agora, quanto ao filho dele, Aaron Shipley, de trinta e cinco anos, senador mais jovem da Califórnia e um belo pedaço de mal caminho embalado em ternos sob medida...

O livro de Junho é um pouco mais grosso que os outros, 160 páginas, o que não diminuiu em nada sua facilidade de leitura, nem sua capacidade de prender o leitor. Ao contrário dos outros, no entanto, Junho mostra que nem todos os clientes (ou os que vivem ao redor deles) são um mar de carinho e camaradagem.

Mas Junho também mostra que, por mais que algumas coisas doam, por mais difíceis que algumas coisas sejam, Mia conquistou várias pessoas que realmente se importam com ela. Pessoas que atravessariam o país para cuidar dela, exatamente como uma família amorosa faria.

Para Mia, foram quatro os ensinamentos desta parte da jornada: Wes ainda era um assunto delicado, belas capas podem embalar conteúdos podres, os amigos são a família que você escolhe, e ela com certeza tinha os melhores amigos que alguém poderia ter.

22 de mar de 2017

A Louca da Casa - Rosa Monteiro


Enviado em Outubro de 2016 pela TAG - Experiência Literária, A Louca da Casa, da jornalista e romancista espanhola Rosa Monteiro, foi um  livro indicado pela também escritora Carola Saavedra, considerada um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros.

A Louca da casa é um livro curto, 170 páginas que discorrem, principalmente, sobre a literatura, sobre o fazer literatura, sobre essa louca pessoa que é o escritor e sobre tudo (ou quase tudo) o que os une.

São dezenove capítulos, cada um com mais ou menos cinco, talvez seis páginas, que não são difíceis de ler, mas que te deixam com a leve sensação de sobrecarga de informação. A necessidade de para, nem que seja por cinco minutos, a cada dois capítulos (às vezes menos que isso), foi um companheiro constante na leitura deste livro.

Ainda assim, foi uma leitura proveitosa. Ao unir ficção com não ficção, autobiografia e romance, Rosa Monteiro nos dá uma excelente ideia do que a Louca da Casa, a imaginação, é capaz de fazer a um indivíduo e ao ser humano.

19 de mar de 2017

Sua Secretária - Melanie Marchande


Não sei se já aconteceu isso com vocês, mas às vezes, quando compro um livro, mesmo que esteja morrendo de vontade de lê-lo, acabo o deixando para depois. Às vezes se passam mais de ano e só os leio quando os coloco na meta de leitura, em outras, bate uma paranoia inexplicável que só sossega depois de revirar todas as caixas de livros para encontrar aquele título que, do nada, você tem uma vontade incontrolável de ler.

Foi o que aconteceu comigo com este livro. O comprei na viajem que fiz à São Paulo na ocasião da Bienal, e ele ficou de lado desde então. Não sei o que aconteceu comigo esta semana, mas no meio de um esgotamento emocional que nem a releitura de Harry Potter e a Pedra Filosofal foi capaz de resolver, passei duas horas com esse livro na cabeça antes de entregar os pontos, vasculhar minhas caixas e começar a leitura. No capítulo dois eu já tinha rido tanto que a ideia de estar esgotada já me parecia absurda.

Adrian Risinger é um CEO arrogante, prepotente, com uma capacidade incrível de ser cruel e mesquinho quando quer (o que acontece praticamente todos os dias). Meghan Burns é sua secretária há cinco anos, o que é um milagre se considerarmos que suas secretárias não duravam mais que algumas semanas em seus postos de trabalho.

Só Meghan sabe o quanto é difícil, só ela percebe o quanto sua vida decaiu por causa da personalidade exploratória de Risinger, mas ela precisa do emprego, e, por mais absurdo que pareça, ela sabe que ele precisa dela (ninguém mais o aguentaria afinal).

Em uma noite de bebedeira, enquanto procurava na Amazon algum livro que a ajudasse a lidar com o chefe, o que ela encontra são os livros da autora Natalie McBride, uma série de livros eróticos intitulados A Secretária. Ela devora todos em menos de uma semana e mal consegue se controlar para o lançamento do novo livro.

Depois de uma tarde particularmente estressante no trabalho e mais alguns copos de bebida alcoólica, Meghan manda um e-mail desabafo para a autora dos livros, e assim as duas passam a se corresponder.

Semanas mais tarde Risinger a chama em seu escritório... E é aí que ela descobre que Natalie McBride é, na verdade, o pseudônimo que ele usou para publicar seus romances, e que ele quer que Meghan seja o rosto de Natalie durante alguns eventos de divulgação dos livros. (Não, isso não é um spoiler. Está na sinopse para todo mundo ver.)

Ela descobre também que os interesses de Adrian são variados. E que ela está incluída em todos eles.

Mesmo achando tudo um tanto absurdo, Meghan entra na brincadeira, e até que ela se diverte com o contato com as fãs de Natalie. E um adicional inesperado é que Adrian menos difícil de lidar do que ela imaginava... e até mais irresistível.

O livro é engraçado. Os dois são impagáveis e não param de falar merda um para o outro. Gostar de Meghan é fácil e um tanto natural até, já gostar do Adrian é mais complicado. Ele faz umas escolhas bem erradas e, a meu ver, até um tanto descabidas (para não falar cruéis). Ainda assim, é uma boa história.

13 de mar de 2017

Para Sir Phillip, com Amor - Julia Quinn


Tudo começou como uma inocente carta de condolências de Eloise Bridgerton ao viúvo de uma prima distante. Mas então Sir Phillip a respondeu e ainda lhe mandou uma delicada flor prensada. As correspondências ente os dois se mantiveram por um ano inteiro, até que, em uma de suas cartas, ele sugere à sua correspondente uma pequena temporada em sua casa, para que os dois se conheçam melhor e, assim, quem sabe, se  os dois perceberem que podem se dar bem, podem até casar-se.

A proposta é estranha, incomum para dizer o mínimo e, de longe, o pior pedido de casamento que Eloise já recebera, mas já faz um tempo que ela pensa no assunto. Ainda mais depois que, surpreendendo a todas as expectativas (dela e de basicamente toda Londres), sua amiga Penelope Featherington, conseguiu casar-se (e com seu irmão ainda por cima). Ela a adora, é claro, e está super feliz por ela, mas o casamento da amiga meio que frustou seus planos de dividir com ela sua vida de solteira.

Em um ato que pode perfeitamente ser classificado com desesperado (embora Eloise jamais vá admitir isso para ninguém), ela aceita o convite e vai. Sozinha. Sem o conhecimento da família, e rezando para ter feito a coisa certa.

Phillip Crane não sabe o que é mais enervante: Eloise ter aparecido de repente em sua casa, ela não parar de falar por mais que um segundo, ou a insubordinação de seus dois filhos, que só faltam colocar a casa abaixo.

Descobrir que nenhum dos dois era como o outro esperava foi um choque para ambos. Ainda assim, no meio de tantas discussões e reações (quase sempre) explosivas, surgem momentos preciosos que fazem os dois terem vontade de dar aquela segunda chance e, quem sabe, perceberem que, mesmo com todas aquelas diferenças e imperfeições, eles são exatamente o que o outro precisa para, enfim, encontrar a felicidade familiar.

Até o momento, Para Sir Phillip, com Amor foi o livro que menos gostei da série. Apesar de ter tido momentos cômicos (quase sempre envolvendo o resto da família Bridgerton) e fofos, achei Phillip bastante irritante com aquela mania de fugir do assunto e se isolar em sua estufa "porque se ele não via ou não ouvia, podia fingir que não existia ou que não estava acontecendo". Sério, isso me irritou mais que a fome infinita de Collin.

10 de mar de 2017

O Canto dos Segredos - Tana French


Concebido para ser uma válvula de escape para as privilegiadas alunas do colégio St. Kilda, o Canto dos Segredos é um enorme quadro de avisos em que as adolescentes desabafam e liberam o excesso de energia de forma segura e supervisionada. Até que um bilhete anonimo muda tudo ao divulgar a foto de um adolescente morto no ano anterior nos terrenos da escola, junto com a legenda "Eu sei quem matou".

Foi assim que o caso chegou ao detetive Stephen Moran: uma testemunha de um antigo caso viu o bilhete no quadro, tirou-o com cuidado e o levou até ele. Mas o caso não é dele. Moran é apenas um detetive estacionado no departamento de Casos Não solucionados. Mas ele reconhece sua chance quando a vê. Na homicídios, a pessoa á frente da investigação do assassinato de Christopher Harper é Antoniette Conway, e a mensagem dela para Stevphen é bem clara: "acompanhe meu ritmo, não dê um pio que sem ser solicitado, faça o contrário e voltará para o Casos Não Solucionados até sua aposentadoria".

E assim a investigação é recomeçada. De maneira mais discreta que antes, apenas dois detetives conversando com as adolescentes, sem muito alarde, sem muito escândalo, apenas seguindo um fio de Ariadne que surgiu no meio de um monte de palha.

Mas Moran é observador, e, mais que isso, ele sabe como a mente dos adolescentes funcionam. E, a meu ver, esse é o ponto alto de de toda a construção do enredo: Stephen sabe como ler uma pessoa, sabe como interpretá-la e como agir e reagir de modo a fazer com que ela se abra. Se alguém precisa de adulação, ele irá adulá-la. Se outra precisa que lhe injetem uma dose de confiança, é isso o que ele vai fazer. Se uma terceira merece ser tratada como um adulto que não pode ser subestimado, é assim que ele agirá. Ele quer concluir o trabalho que está em suas mãos, e ponto. 

A narração alterna entre duas frentes: A narrada pelo detetive Moran nos faz acompanhá-lo desde a chegada do bilhete à mãos dele e durante todas as vinte e quatro horas de trabalho árduo dentro dos muros do St. Kilda. A outra narração é distribuída entre quatro internas do colégio, e se alternam de acordo com os eventos ocorridos, iniciando-se oito meses e maio antes do assassinato de Chris Harper.

Outra coisa que me chamou atenção foi a maneira como a autora abordou o bullying entre adolescentes: a necessidade de se encaixar, e de se afirmar, mesmo que você só consiga fazer isso rebaixando os outros; a mesquinhez diante daqueles que, tendo encontrado uma fortaleza onde se defenderam, não ligam a minima para essas querelas, a crueldade que atinge a todos quando alguém de fora encontra um brecha por onde destilar veneno simplesmente por que sim e foda-se, elas merecem.

O Canto dos Segredos é um livro grande, são seiscentas e cinco páginas de uma história que não chega a ser pesada, mas que também não é um mar de rosas.

4 de mar de 2017

Entrevista Com o Vampiro: A História de Claudia - Anne Rice & Ashley Marie Witter


Cláudia, a vampira-criança criada por Lestat para chantagear Louis, é, sem dúvida, um dos personagens mais marcantes de todas as Crônicas Vampirescas. E é através de seus olhos que temos a história deste Grafic Novel

Adaptado e ilustrado por Ashley Marie Witter em 2012, A história de Cláudia é um complemento incrível à narração de Louis, e uma expansão maravilhosa do universo das Crônicas. As descrições feitas por Anne foram bem representadas nessas ilustrações, e achei incrível o predomínio do tom de sépia e o destaque dado ao vermelho do sangue.

É um pouco difícil descrever a experiência de leitura neste livro, e não apenas pelos quase quatro anos que se passaram desde a leitura do Entrevista com o Vampiro, mas também por também por não saber exatamente como avaliar o material que tenho em mãos.

Na narração de Louis, Claudia foi um período maravilhoso e sombrio, pois a personalidade dela mesclava muito do que ele odiava em Lestat com o que ele amava em si mesmo (e em Lestat). Lembro-me de que foi uma leitura pesada e um tanto opressora, pois estava um tanto evidente de que daquela história, todos os envolvidos sairiam irreparavelmente machucados (como de fato o foi).

Ao mesmo tempo, o fato de ter sido construído com ilustrações (muito incríveis por sinal) pareceu suavizar, ao menos um pouco, o peso que havia em cima do texto, tanto que consegui ler as 224 páginas em 3 ou 4 horas praticamente ininterruptas.

1 de mar de 2017

Dez Formas de Fazer um Coração se Derreter - Sarah MacLean


O prólogo de Dez Formas de Fazer um Coração se Derreter é um tanto tendencioso: um artigo de jornal de fofocas voltado para a alta sociedade londrina comentando sobre a dificuldade (e desespero) das moçoilas (e de suas mães) em encontrar um cavalheiro para levá-la ao altar. Por um breve momento, que durou cerca de dois parágrafos, imaginei que veria uma segunda versão de Lady Winstledon, mas logo em seguida percebi que meu equívoco: além da falta de indiretas explicitas e do tom menos sarcásticos, o Pérolas e Peliças é do tipo politicamente correto (adjetivo que não necessariamente pode ser aplicado ao folheto publicado em Os Bridgertons).

A redora (seja ela quem for), em sua humilde posição de observadora da alta sociedade, apresenta para suas leitoras a série "Lições para conquistar um Lorde". E o lorde mais cobiçado de todos é, sem dúvida, Nicholas St. John, o gêmeo mais novo de Gabriel, o marquês de Ralston (o protagonista de Nove Regras a Quebrar Antes de se Apaixonar), que, para o divertimento do irmão e de seu amigo Rock, não gostou nem um pouco da atenção recebida.

Determinado a escapar do desconforto que se tornara Londres depois dos artigos, Nicholas aceita partir em busca da irmã de um amigo, que desaparecera semanas antes. Apesar de saber que a procura despertaria uma habilidade que ele preferiria esquecer, a súplica do Duque de Leighton e a vontade de sumir de Londres, o convenceram. 

Além do mais, havia um outro fator determinante: havia uma mulher desaparecida, e mulheres em perigo sempre representaram sua ruína. E não deu outra: poucos dias após chegar à pequena vila de Dunscroft, o lugar para onde o rastro de lady Georgiana os levou, um grupo de enormes cavalos de tração corria descontrolada pela rua principal do vilarejo, indo direto em direção a uma mulher totalmente distraída na leitura de suas correspondências.

Isabel Townsend é irmã mais velha do atual conde de Reddich (então com dez anos) e administra a propriedade da família desde o falecimento dos pais. Ou tentou, pelo menos, já que as dívidas do Conde Perdulário a deixaram sem recursos sequer para pagar os funcionários da casa. Ameaçada pela chegada iminente de um tutor que provavelmente destruiria tudo o que ela levara anos para construir, ela decidi se desfazer de seu bem mais preciosos: uma coleção de estatuas gregas que lhe fora deixada de presente por sua mãe... E olha que coincidência encontrar Nicholas St. John, um dos melhores antiquários do reino, passando por sua vila!

Só que as coisas não saem exatamente como Isabel previra. Ao demostrar a Nicholas que havia segredos envolto a ela e à propriedade que abrigava as estatuas, ela atraiu sua atenção total. E talvez nenhum dos dois gostem do que irão descobrir. Ou, talvez, amem.

Apesar de ter gostado da maneira com que ele lidou com a situação toda, Nicholas que me perdoe, mas minha preferencia ainda é por Gabriel. Apesar de Isabel ter seus problemas em relação a confiar nos outros, na verdade, em confiar nos homens, em nenhum momento consegui me encantar com Nicholas, nem com Isabel. Foi um romance bonito? Sim. Fofo? Provável. Envolvente? Falo por mim quando digo que não.

13 de fev de 2017

A Livraria Mágica de Paris - Nina George


O monsieur Jean Perdu é livreiro parisiense que ficou conhecido como farmacêutico literário. Em seu barco-livraria carinhosamente chamado de Farmácia Literária, ele receita livros que ajudam a amenizar e curar os males da alma.

Mas há um sofrimento que ele não consegue curar: o seu. Há vinte um anos, a mulher que ele amava o deixou de repente. Eles adormeceram juntos e, quando acordou, ela já não estava mais lá. De ***, só restara um quarto trancado, cuja a porta foi coberta por estantes e mais estantes de livros, vários anos de vazio, e uma carta, escrita por ela, que chegou à seu apartamento meses após seu sumiço, e que ele nunca teve coragem de ler,

Em um verão, uma vizinha nova chega ao seu andar e, motivado (quase pressionado) pela senhoria e pela zeladora do prédio, Perdu abre a caixa de Pandora e liberta lembranças que mudarão para sempre sua vida.

Inicialmente, tive alguns problemas para engrenas a leitura, e realmente não consegui entender o que estava acontecendo: o enredo começou lindo e a narrativa é muito boa, mas a cada cinco minutos eu me distraía. Cheguei inclusive a começar a história toda de novo (estava na página quarenta ou coisa assim) para ver se eu reabsorvia melhor a história. Mas aí a leitura engrenou.

E não, A Livraria Mágica de Paris não é um livro bonito. Ele é lindo na verdade. É a história de um homem que volta a viver depois de ter perdido o amor de sua vida. É a história de alguém que se acostumou a estar nos bastidores da vida dos outros e que volta, aos poucos, a ser o personagem principal de sua própria história.

E o melhor de tudo, é a história de um amante da literatura que busca a beleza que existe no livro que narra sua própria história. É a busca pela poesia em uma narrativa interrompida pelo melancolismo.

Nina George acertou em cada palavra e em cada vírgula usada. E espero mesmo me lembrar deste livro quando estiver escolhendo as melhores leituras de 2017, pois definitivamente ele estará na lista. 

10 de fev de 2017

A Garota do Calendário (Maio) - Audrey Carlan


Em Maio Mia Saunders será enviada para o Havaí para ser modelo em uma campanha de moda praia que tem como slogan "amor em todos os tamanhos". O contratante é o fotógrafo italiano super famoso Angel D'Amico, muito apaixonado e casado a anos com uma linda latina (que foi quem escolheu Mia para a campanha.

Em compensação, a primeira pessoa que ela vê ao chegar ao Havaí é um samoano de um metro e noventa que tem metade do corpo tatuado e um apetite difícil de ser saciado. Tai Niko ganhou rapidamente o status de "o homem mais impressionante já conhecido" e, a bem da verdade, um dos mais fofos também. A devoção de Tai com sua família, com a tradição de seu povo e a paixão que ele guarda para a família que ele espera formar um dia é emocionante.

A lição de Maio envolve justamente essa parte da vida de Mia. Depois de anos vivendo para sustentar e criar a irmã mais nova, Maddy se tornou uma mulher linda e inteligente que está prestes a formar sua própria família com um homem que a ama. E agora? Como mudar o rumo de sua vida depois de tantos anos se devotando a uma tarefa que não é mais de sua inteira responsabilidade?

A resposta ela encontrou com Tai (e com a família dele): viver a vida, deixar acontecer e viver o momento. O que for para acontecer, acontecerá. 

É só confiar na jornada. <3

7 de fev de 2017

Tarzan - Edgar Rice Burroughs


Uma das minhas metas de leitura extra que fiz este ano foi diminuir o numero de exemplares da Editora Zahar para ler. Acabei pegando Tarzan para conhecer um pouco mais a escrita de Edgar Rice Burroughs, autor da série John Carter, que comprei na Bienal de 2016.

Em sua expedição rumo a um posto avançado da Inglaterra na África, Lorde Greystoke e sua esposa zarpam em um navio cujo capitão é rude e cruel com seus marujos. Em um motim que resultou na morte do capitão e de todos os oficiais a bordo, sua vida e a de sua esposa foi poupada por estes terem se mantidos neutro durante o acontecido.

O capitão empossado, na tentativa de protegê-los, deixa-os em uma praia deserta junto com suprimentos com a promessa de mandar socorro assim que possível for.

Mas a ajuda nunca chega. E, nesse meio tempo, nasce o filho do casal, um menino que, por conta de diversos acasos do destino, acaba sendo adotado por uma antropoide que acabou de perder sua cria. É assim que Tarzan, o homem-macaco surge.

Anos mais tarde, com Tarzan já adulto, um estranho objeto chega à praia e dele desembarcam os primeiros homens brancos que ele já viu na vida, assim como a primeira fêmea: Jane Porter, filha de um professor que descobriu um grande tesouro antes de sua expedição se amotinar contra seu capitão. É ela quem faz com que Tarzan se decida por abandonar todo o mundo que conhece para, assim, pertencer ao dela.

E não, não tem nada de Disney aqui.

Apesar de os traços civilizados estarem incrustados em Tarzan a ponto de ele agir como um cavalheiro para com Jane e até ser auto de data a ponto de aprender a ler e a escrever somente com o auxílio dos livros que seus pais haviam levado consigo, ele ainda é um ser rude e selvagem. É de partir o coração na verdade, sempre fico torcendo por um final feliz.

Sobre a escrita de Burroughs, só posso dizer que gostei. Ele é dinâmico e sabe como montar a narração.

A edição da Zahar ainda trás 40 ilustrações de Hal Foster, um dos mais consagrados ilustradores que emprestaram seu talento ás pulp fictions de Tarzan.

1 de fev de 2017

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - Jonh Tiffany & Jack Thorne


Quando saiu a notícia que o mundo de Harry Potter ganharia uma peça de teatro, o mundo inteiro surtou de empolgação, e eu não fiquei atrás. Depois de tantos anos, depois de tantas boas lembranças, saber que aquele mundo especial não tinha sido esquecido... foi eufórico. Quando saiu a pré-venda dos livros então, confesso que a única coisa que me impediu de ter comprado o livro logo de cara foi a esperança que a Rocco mandasse esse livro para os parceiros (o fato de Harry Potter e J.K. Rowling ser do catálogo da editora contribuiu e MUITO para meu surto quando me tornei parceira hahahaha).

Demorou, mas Harry Potter e a Criança Amaldiçoada finalmente chegou na minha casa como um excelente presente de Natal atrasado. hahahaha

Dezenove anos se passaram desde a Batalha de Hogwarts. Agora, Harry e Gina levam seu segundo filho, Alvo Severo Potter para pegar o trem rumo ao seu primeiro ano na escola de Magia e Bruxaria que os pais frequentaram.

É curioso construir a personalidade de Alvo Potter: diferente do irmão mais velho e da irmã mais nova, ele é mais quieto, e, ao contrário dos irmãos, não lida muito bem com o peso de ser "filho de Harry Potter". Para piorar só um pouquinho a pressão, o Chapéu Seletor o manda para a Sonserina, ele se descobre ser péssimo em Quadribol e seu melhor (e único amigo) é Escórpio Malfoy, o filho de Draco Malfoy (Doninha Saltitante para os íntimos hahaha),

Em um final de férias, Alvo escuta uma conversa entre Harry, Gina e Amos Digory sobre o rumor de um vira-tempo apreendido pelo Ministério da Magia. Amos, ainda arrasado pela morte de Cedrico tantos anos antes, tenta convencer Harry a usar o vira tempo para trazer Cedrico de volta a vida. Harry se recusa, é claro, isso é impossível. Mas ainda assim, ele ainda se sente culpado pela morte do rapaz.

E é quando Alvo Severo Potter tem a brilhante ideia (só que não) de roubar o vira-tempo do Ministério da Magia e honrar o legado da família de procurar confusão e se meter onde não devia... E é obvio que ia dar merda. Muita merda aliás. Mas bem, contar o tamanho da besteira resultante é spoiler, então, vamos as considerações finais:

Apesar de ter ouvido de pessoas (que com certeza sabem muito mais de Harry Potter que eu) que A Criança Amaldiçoada é um livro que pode ser facilmente desconsiderado, terminei a leitura descordando dessa premissa. 

Primeiro porque Escórpio Malfoy é o garoto mais fofo do mundo (e nada me convencerá do contrário). Segundo porque os criadores de A Criança Amaldiçoada souberam trabalhar muito bem com os personagens originais, e fiquei MUITO contente com o que foi feito deles. A bem da verdade, adorei ver Harry e Malfoy trabalhando juntos. Sempre achei que a única coisa que travava a amizade deles era a arrogância e a péssima influencia do pai. Não estava muito errada afinal. hehehe

Foi bom rever todos aqueles personagens (devo ter chorado em umas três partes diferentes do livro) e, apesar de não ter a escrita maravilhosa da J. K. Rowling, a mensagem que ela nos passou naqueles sete livros inesquecíveis se manteve. A meu ver A Criança Amaldiçoada merece, com todas as honras, o status de "a oitava história".

30 de jan de 2017

Os Segredos de Colin Bridgerton - Julia Quinn


Como filha e irmã de amigas da família Bridgertos, Penélope Featherington sempre frequentou a casa da família ou mesmo saiu em companhia de alguns (ou todos) eles. Foi em um desses eventos, no dia 6 de Abril de 1812, que ela, então com quinze anos, apaixonou-se por Colin, o terceiro filho da condessa Bridgerton.

Nos anos que se seguiram, as temporadas desastrosas de Penélope eram suavizadas somente pelas chances de ter Colin como parceiro de dança. mesmo que ele só o fizesse ou por insistência da mãe, ou pela simples gentileza de não deixá-la totalmente invisível nos grandes salões de baile.

Mas a agradável amizade que nasceu da convivência entre os dois não evitou que Colin destroçasse seu coração.

Sete anos depois do ocorrido, Penelope conformou-se com sua solteirice. Depois de tantos anos sendo invisível para a sociedade, como podia esperar que alguém a desposaria? Como ela poderia se casar com outro quando, mesmo sabendo que ele nunca a notaria, gostava tanto de outro?

É justamente então que o inacreditável acontece: Colin Bridgerton finalmente a vê, e sabe quando algo (ou, nesse caso, alguém) vira sem mundo de cabeça para baixo? Pois foi assim que ele se sentiu a cada nova descoberta feita sobre a amiga de sua irmã mais nova. Quem diria que a introvertida Penelope Featherington era tão inteligente? Ou tão bonita? 

Eventos inesperados (e segredos revelados) fizeram meu conceito sobre Colin Bridgerton disparar para o top 3 entre os Romances de Época já lidos: ao invés do pervertido inveterado, ou do anti-social mal humorada, Colin sempre foi doce, gentil, e com a incrível capacidade de se safar de qualquer problema com um sorriso. 

Adorei o processo de amadurecimento que Colin teve ao longo do livro. Adorei o fato de ele ter visto que para os outros era invisível e adorei ainda mais ele ter se apaixonado por essa descoberta. 

Sobre Penélope... Bem, a pouco que eu possa falar dela sem soltar um senhor spoiler, mas posso dizer que ela é muito mais do que vemos ou pensamos.

27 de jan de 2017

FROZEN: Um Coração Congelado - Elizabeth Rudnick


As poucas coisas que Anna se lembra de sua infância envolvem momentos felizes com seus pais, o rei e a rainha de Arendelle, e sua irmã mais velha, Elsa. Eles eram uma família amorosa e calorosa, ao menos até o acidente de trenó em que ela e sua irmã se envolveram.

Apesar de não se lembrar direito do que houve, tudo mudou em sua vida desde então. Seus pais se tornaram mais reservados, sua irmã foi mudada de quarto, a ponto de sua interação com ela ser reduzida a zero e, o pior, as portas do castelo foram fechadas, não restando mais que dois ou três serviçais indispensáveis. A situação de isolamento se agravou depois da morte dos pais anos mais tarde.

Mas ainda há esperança, o dia da coroação de Elsa também é o dia em que os portões do castelo serão abertos, e todo um novo mundo se abrirá para Anna. Um mundo de magia, amores a primeira vista, segredos e sentimentos congelados.

Então, se você reconheceu (minimamente) o enredo do filme Fronzen - Uma Aventura Congelante, saiba que é exatamente isso que você encontrará neste livro. A história é a mesma, exceto na parte das músicas (o que foi um alívio porque, juro, se tivesse as letras das músicas do filme, eu iria jogar este livro na parede).

Mas é TUDO igual? Não exatamente, A narrativa de Anna é dividida com o ponto de vista do Hans, desde o momento em que sua família recebe a notícia da morte dos reis de Arendelle, até sua condenação e expulsão. Mas adição, adição mesmo, foi coisa de uma cena. Duas talvez.

A bem da verdade, não sei o que esterava deste livro, mas enfim.

24 de jan de 2017

O Grande Experimento - Marcel Novaes



Apesar de sempre ter sido curiosa em relação à história americana, não tive maior contato com ela até decidir pelo tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso. Foi uma série da History Channel, na verdade, que me levou a escolher pelas iniciativas empreendedoras nos Estados Unidos no séculos XIX, e, a partir daí foi quase um ano pesquisando (quase) exaustivamente sobre o assunto.

O fato é que, desde então, essa história norte-americana tem um lugar muito especial na minha vida, e ler este livro fez com que eu revisitasse tudo isso. A capacidade que eles tiveram de defender seus ideais e desenvolver uma nação tão poderosa quanto ela é hoje praticamente do zero, sem excluir (ao menos não tanto quanto é usualmente visto) a maior parte da população.

Não se pode negar que os Estados Unidos são o melhor exemplo de democracia que se conhece hoje, (basta ver que nunca houve ruptura institucional no país, e que este possui a mesma Constituição desde sua criação, em 1787)

O Grande Experimento é um livro de divulgação histórica. Não é objetivo deste livro adicionar ou desmentir informações, mas trazer ao leitor brasileiro uma versão mais acessível, e talvez mais detalhada e explicativa, sobre o processo de criação dos Estados Unidos, sem nunca complicar na linguagem.

Para quem gosta do assunto, O Grande Experimento é leitura indispensável.

21 de jan de 2017

Runner: A Perseguição - Patrick Lee


Como sempre acontecia em suas noites insones (que eram, basicamente, todas) Sam Drydem saiu para correr pela orla da cidade. Era sempre a mesma corrida solitária, mas, naquela noite, a monotonia foi quebrada quando uma garotinha de aparentemente doze anos esbarrou nele. Ao ver seu estado ofegante, aterrorizada, e implorando por ajuda, Sam não pensa duas vezes antes de se lançar de cabeça na missão de proteger a pequena Rachel a qualquer custo.

Ele logo entende o motivo de ela estar fugindo tão desesperadamente: Rachel possui habilidades que a torna, ao mesmo tempo, muito valiosa e extremamente perigosa para pessoas poderosas demais para serem ignoradas.

Seria fácil para essas pessoas recapturar Rachel. Seria, se Dryden não fosse um soldado treinado pelas Forças Especiais Americanas. Mesmo estando fora da ativa já há alguns anos, o treinamento de Sam tornou boa parte do livro em uma caçada em que a presa, constantemente, fazia seu caçador transformar-se em um recruta em sua primeira missão de verdade.

Runner cumpre com a proposta feita: é um livro de ação com boa trama, reviravoltas bem feitas e enredo bem construído, mas não passa muito do esperado. Ao contrário de outros livros que pretendem ser ou se tornar mais do que um livro, este está muito bem sendo o que é, obrigado.

Colocando na balança, e um bom livro, mas não chega nem perto de ser um ótimo livro. Entendem?

18 de jan de 2017

À Sua Espera - Abbi Glines


Reese Ellis encontrou em Rosemary Beach um lugar para recomeçar. O pouco que se sabe sobre ela é que, além de muito reservada, ela não se sente muito a vontade com homens (exceto com seu amigo Jimmy, mas ele é gay, então, de acordo com a própria Reese, não conta) e que trabalha como faxineira nas casas dos milionários da cidade.

Em um de seus dias de limpeza, enquanto trabalhava na casa de uma cliente (que estava vazia, já que sua dona estava curtindo suas férias em Paris) Reese, como de costume, solta sua voz e começa a cantar a plenos pulmões.

Só que a casa não estava vazia.

Mase Mannimg viajou do Texas até a Florida depois de um dia exaustivo no rancho em que trabalha só para ver a meia-irmã e a sobrinha. Dando a si mesmo algumas merecidas horas de sono, ele para em uma das casas de seu pai, que ele sabe estar vazia, para descansar, mas uma voz realmente muito ruim o acorda. Furioso, elesai da cama para descobrir a origem do som que está estragando tantas musicas bonitas, mas seu mal humor desaparece no momento em que ele conhece Reese.

Para ela, é constrangedor saber que atrapalhou o sono de um hóspede da dona da casa, e por isso mesmo passa a ter cuidado redobrado para não fazer nenhum som durante o resto de seu expediente. Mas o tiro sai pela culatra e ela acaba, não somente fazendo bastante barulho como também se machucando em um acidente de trabalho.

Alguma coisa em Reese despertou um forte instinto de proteção em Mase. Mordido por esta necessidade, e por outros pequenos sinais demostrados por ela, ele começa uma aproximação lenta, gentil e, inicialmente, amigável.

Mase só quer ajudá-la, mas talvez Reese desperte nele sentimentos muito mais profundos que amizade.

O enredo de À Sua Espera é uma história de amor fofa e muito bonitinha. Gostei bastante de ver a maneira de Mesa reagir e lidar com os problemas de Reese (na verdade, acompanhar as reações dos protagonistas masculinos diante das nuances de personalidade de suas parceiras tem atraído cada vez mais).

Apesar de ter sido uma boa leitura, não cheguei a me empolgar muito com a história (o que é meio frustrante, já que ganhei este este livro de alguém cujo gosto literário se parece bastante com o meu).

15 de jan de 2017

Driven - K. Bromberg


Um dos momentos mais incríveis do ano passado foi o Encontro de Blogueiros da Universo dos Livros na Bienal de São Paulo. Além do encontro com o príncipe Adam e com a Belle (que me levou às lágrimas, ganhei um kit com cinco livro da editora. Driven foi um deles.

A Corporate Care é uma empresa que se dedica a arrecadar e administrar fundos e projetos filantrópicos. Seu mais recente evento de arrecadação está sendo comandado por Rylee Thomas, uma mulher que está acostumada a ter o controle sobre todos os fatores que a cercam, especialmente sua vida pessoal. Durante o evento, enquanto cuidava de um imprevisto surgido, Rylee fica presa no depósito e seu pânico a invade. Desesperada, ela grita e esmurra a porta, implorando por resgate.

De repente a porta se abre e ela esbarra em um belo exemplar do sexo masculino: um metro e noventa, ombros largos, pele bronzeada e que parece levar um letreiro neon gritando "MACHO ALFA" ao mundo. O mais estranho é que a mera presença dele faz com que todos os medos (e até um pouco do juízo) de Rylee sumam quase instantaneamente.

Colton Donovan é um piloto de corridas vencedor que está sempre sobre os holofotes. Dono de uma ferocidade dominadora, ele sempre joga para vencer... E agora ele quer Rylee, e fará de tudo para consegui-la. Tipo, de tudo mesmo, inclusive dar um lance de 25 mil dólares por um encontro com ela no leilão beneficente e fazer um projeto de mais de 1.5 milhões para o projeto beneficente mais amado dela.

Parece ser um discurso meio clichê. E, de fato, Driven está um tanto cheio deles. Mas as diferenças no enredo marcam vários pontos a favor deste livro. Para citar algumas, ao invés do CEO discreto e engravatado, o ambiente que ele domina são as pistas de corrida e toda a adrenalina que elas envolvem. Conton faz mais o estilo "adolescente que aproveita a vida" do que "adulto precoce que construiu seu império".

E só para registro, fiquei mais cativada pela Rylle do que pelo Colton. Talvez por saber pouco dele, ou pela maior parte dos clichês da história serem associados a ele, mas me peguei mais ansiosa pela evolução da parte dela da história do que outra coisa.

9 de jan de 2017

Rock Star - S. C. Stephens


Kellan Kyle é um rock star amador de Seatlle. Vocalista de uma banda que faz show regulares em um bar da cidade, ele não pode dizer que aproveita a vida que tem. Várias garotas se jogam na dele, os D-Bags fazem sucesso no cenário local, tudo certo até ai. Só que quando um amigo de longa data e a namorada chegam para alugar o quarto vago da casa dele... Bem, digamos a coisa desanda bastante e o caos se instaura.

Rock Star conta, basicamente, a mesma história de Intenso Demais, só que do ponto de vista do Kellan. E isso faz total diferença na maneira como você encara a história. Ao contrário de Kiera (que caiu um pouquinho mais no meu conceito por ter feito aquela coisa fofa chamada Kellan Kyle passar por aquilo), ele tem muito mais a desenvolver em termos emocionais, e isso enriqueceu em muito a narração dele.

Antes de começar a ler, fiquei com medo de ter o mesmo impeto de jogar o livro na parede (repetidas vezes) que tive ao ler a versão de Kiera, mas isso não aconteceu (só uma vez acho). Não sei se foi por já saber a história de antemão, ou se foi por perceber que ele não tinha (tantos) meios de se defender e se proteger sem se machucar ainda mais, mas foi bem mais fácil digerir a versão dela.

A time line da história vai de semanas antes da chegada de Danny e Kiera, até as pazes definitivas entre Kiera e Kellan e, ara falar a verdade, queria que a história continuasse. Kellan é o tipo de personagem que não te cansa, há sempre algo a se descobrir e aprender e, em termos de história, Complicado Demais é o que mais o amadurece.

Infelizmente, pelo que sondei na editora, este será o único livro do ponto de vista do Kellan. O que é uma pena, mas fazer o quê né? :(

6 de jan de 2017

A Garota do Calendário (Abril) - Audrey Carlan


Homens, cerveja e beisebol. As três coias que Mia considera obrigatória para um dia perfeito estão reunidos e disponíveis no cliente de Abril. Manson Murphy, um dos jogadores-estrelas do Red Sox, contratou Mia para ser sua namorada por um mês, a fim de melhorar a imagem dele com o time e com os patrocinadores.

Sabe quando um cara já começa de um jeito errado? Então, Mason começou com sua melhor face babaca, e, juro, cheguei a pensar que ele seria um cara extremamente desagradável (e que faria o livro ser tão desagradável quanto).

Felizmente, não foi assim. Pelo contrário. Mason logo começou a mostrar seu lado menos babaca e mais bacana. E, na verdade, Mason é um partidão e tanto, e quase (mas só quase) tomou o lugar do Fazano (o cliente de Março) do meu TOP 3.

Por falar em clientes passados, o (maravilhoso) francês Alec deu as caras neste livro, e, sim, ele é o atual dono do meu pódio nesta série. O mês de fevereiro representou uma das lições mais importantes que uma pessoa poderia aprender: amar a si mesma, permitir-se ser amada e aceitar o amor dos que lhe oferecem amor.

A lição de Abril é sempre dar o melhor de si e estar aberta às oportunidades que a vida lhe oferece. É se dar uma chance de encontrar a felicidade mesmo quando o caos e a tristeza parecem ser grande demais.

Cada vez mais A Garota do Calendário está se mostrando uma excelente série.

3 de jan de 2017

Melhores Leituras de 2016




















Bem, 2016 acabou e acho que esta seria uma boa ocasião para falar um pouco sobre o ano que passou. 

Muita coisa aconteceu nos últimos 365 dias, e apesar dos vários momentos tristes, eu posso considerar que 2016 foi, sim um ano muito muito bom. Fiz várias coisas que jamais pensei que faria e me diverti muito mais do que nos anos anteriores. E boa parte desses momentos divertidos (quase todos eu acho) envolveram, de uma maneira ou de outra, os livros.

Nunca vou superar a experiencia de ir nos sebos da Predoso de Morais em São Paulo, nem o breve, mas inesquecível, passeio na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi. A Bienal do Livro então, nossa! Acho que nunca surtei tanto na minha vida. hahahaha

Mas não foram apenas as livrarias e sebos que me encantaram, vários livros fizeram de 2016 um ano maravilhoso, e é deles que quero falar. Os livros estarão fora de ordem, já que é impossível dizer qual foi o melhor, e vou fazer o possível para não me estender demais,

É claro que eu só iria perceber que tem intrusos nesta foto só depois de ter guardado todos os livros em seus respectivos lugares. Tão típico! *risos*
O Livro dos Mortos e Complicado Demais foram publicações de 2016, mas leituras de 2015.

 O Livro da Morte > O que mais me chamou atenção foi a mitologia escolhida e a maneira com que o autor trabalhou com ela. O enredo é excelente, a narração é bem feita e o aprendizado que se leva dessa leitura é enorme. Além disso, PJ Pereira virou um dos autores que, com certeza ficarei de olho em 2017, até por que vem livo novo dele por aí. rs

Grey > Apesar de todos os pontos contra a história e contra a autora (que fique bem claro, pontos dados pelos outros), olhar a história de Cinquenta Tons de Cinza pelos olhos de Christian Grey deu uma perspectiva diferente à história.

Gostei do fato de a autora ter conseguido mudar toda a bagagem de vida do narrador sem mudar o centro da história: duas pessoas diferentes que, apesar dos defeitos, dos traumas e dos gostos, lutam para fazer o amor deles dar certo. Podem me chamar de clichê, mas eu adoro histórias assim.

Perigoso Demais > A Trilogia Rock Star é, talvez, a maior derrota que eu já tive em uma discussão sobre livros eróticos. Todo mundo que leu o Intenso Demais odiou tudo e todos e não quer nem saber do resto da série. Esse povo não sabe o que está perdendo. O segundo livro é ótimo e o terceiro consegue ser melhor ainda. Foi a finalização perfeita para uma série surpreendente.

A Dama de Papel e Fios de Prata > Coloquei esses dois livros no mesmo tópico pois, além de ser os únicos representantes da literatura nacional nesta lista, os dois autores me surpreenderam. Catarina Muniz criou um romance que me fez conhecer uma junção mágica entre o poeta e sua musica, entre a literatura e o amor, e cada momento dessa leitura foi incrível (menos a parte final, essa foi cruel e eu ainda não me recuperei dele). Já Fios de Prata surpreendeu pela maneira harmoniosa como o autor mesclou três mundos fantásticos (aparentemente) tão diferentes de maneira tão caprichosa, e a ligação destes mundos (que, na verdade são um só) com o mundo real foi totalmente fantástica (desculpem o trocadilho, foi a única palavra que encontrei para definir o que foi a leitura deste livro).

Vá, Coloque um Vigia > (isto pode conter um spoiler) Nunca na história deste blog um livro causou tanta dor ao meu coração. A história de Dill em O Sol é para Todos é uma das mais lindas e fofas do mundo e eu me apaixonei por aquela pessoa que estava fazendo um trabalho tão incrivelmente bom... E aí ele pega meu coração e picota ele em mil pedaços. Eu chorei de tristeza, de indignação e juro, foi muito difícil acreditar que aquelas duas pessoas eram a mesma.

A Improvável Jornada de Harold Fry e Stoner são dois representantes da Tag - Experiências Literárias que me marcaram pelos seus protagonistas. Harold Fry é um aposentado que transformou o ato de levar uma carta ao correio em uma jornada de auto descoberta e redenção. Willian Stoner é um sujeito manso, sem muitas perspectivas de vida, que descobriu na literatura uma paixão e uma carreira. Ser professor de literatura pode não ser uma profissão glamorosa, ou que te dará muito dinheiro ou muita fama, mas são poucas as pessoas que conseguem trabalhar com aquilo que realmente amam. Esses dois livros fizeram com que eu risse e chorasse junto com seus protagonistas de tão cativantes que eles são.

O Príncipe dos Canalhas, Desejo à Meia-Noite, Nove Regras a Quebrar Antes de se Apaixonar e O Duque e Eu > O que adorei nestes livros foi a personalidade das protagonistas femininas. Elas possuem personalidade forte e são capazes de bater de frente com quem quer que duvide de suas capacidades,  mas também são frágeis, por vezes inseguras quando o terreno é mais emocional. Uma vez apaixonada, uma vez entregue, é para sempre. E claro, adorei os protagonistas masculinos por saberem corresponder à suas damas. Por se colocarem como um porto seguro, por incentivá-las e ajudá-las a descobrir o mundo e a si mesmas.

Nossa, 2016 foi um ano de leituras tão boas! *-*