13 de fev de 2017

A Livraria Mágica de Paris - Nina George


O monsieur Jean Perdu é livreiro parisiense que ficou conhecido como farmacêutico literário. Em seu barco-livraria carinhosamente chamado de Farmácia Literária, ele receita livros que ajudam a amenizar e curar os males da alma.

Mas há um sofrimento que ele não consegue curar: o seu. Há vinte um anos, a mulher que ele amava o deixou de repente. Eles adormeceram juntos e, quando acordou, ela já não estava mais lá. De ***, só restara um quarto trancado, cuja a porta foi coberta por estantes e mais estantes de livros, vários anos de vazio, e uma carta, escrita por ela, que chegou à seu apartamento meses após seu sumiço, e que ele nunca teve coragem de ler,

Em um verão, uma vizinha nova chega ao seu andar e, motivado (quase pressionado) pela senhoria e pela zeladora do prédio, Perdu abre a caixa de Pandora e liberta lembranças que mudarão para sempre sua vida.

Inicialmente, tive alguns problemas para engrenas a leitura, e realmente não consegui entender o que estava acontecendo: o enredo começou lindo e a narrativa é muito boa, mas a cada cinco minutos eu me distraía. Cheguei inclusive a começar a história toda de novo (estava na página quarenta ou coisa assim) para ver se eu reabsorvia melhor a história. Mas aí a leitura engrenou.

E não, A Livraria Mágica de Paris não é um livro bonito. Ele é lindo na verdade. É a história de um homem que volta a viver depois de ter perdido o amor de sua vida. É a história de alguém que se acostumou a estar nos bastidores da vida dos outros e que volta, aos poucos, a ser o personagem principal de sua própria história.

E o melhor de tudo, é a história de um amante da literatura que busca a beleza que existe no livro que narra sua própria história. É a busca pela poesia em uma narrativa interrompida pelo melancolismo.

Nina George acertou em cada palavra e em cada vírgula usada. E espero mesmo me lembrar deste livro quando estiver escolhendo as melhores leituras de 2017, pois definitivamente ele estará na lista. 

10 de fev de 2017

A Garota do Calendário (Maio) - Audrey Carlan


Em Maio Mia Saunders será enviada para o Havaí para ser modelo em uma campanha de moda praia que tem como slogan "amor em todos os tamanhos". O contratante é o fotógrafo italiano super famoso Angel D'Amico, muito apaixonado e casado a anos com uma linda latina (que foi quem escolheu Mia para a campanha.

Em compensação, a primeira pessoa que ela vê ao chegar ao Havaí é um samoano de um metro e noventa que tem metade do corpo tatuado e um apetite difícil de ser saciado. Tai Niko ganhou rapidamente o status de "o homem mais impressionante já conhecido" e, a bem da verdade, um dos mais fofos também. A devoção de Tai com sua família, com a tradição de seu povo e a paixão que ele guarda para a família que ele espera formar um dia é emocionante.

A lição de Maio envolve justamente essa parte da vida de Mia. Depois de anos vivendo para sustentar e criar a irmã mais nova, Maddy se tornou uma mulher linda e inteligente que está prestes a formar sua própria família com um homem que a ama. E agora? Como mudar o rumo de sua vida depois de tantos anos se devotando a uma tarefa que não é mais de sua inteira responsabilidade?

A resposta ela encontrou com Tai (e com a família dele): viver a vida, deixar acontecer e viver o momento. O que for para acontecer, acontecerá. 

É só confiar na jornada. <3

7 de fev de 2017

Tarzan - Edgar Rice Burroughs


Uma das minhas metas de leitura extra que fiz este ano foi diminuir o numero de exemplares da Editora Zahar para ler. Acabei pegando Tarzan para conhecer um pouco mais a escrita de Edgar Rice Burroughs, autor da série John Carter, que comprei na Bienal de 2016.

Em sua expedição rumo a um posto avançado da Inglaterra na África, Lorde Greystoke e sua esposa zarpam em um navio cujo capitão é rude e cruel com seus marujos. Em um motim que resultou na morte do capitão e de todos os oficiais a bordo, sua vida e a de sua esposa foi poupada por estes terem se mantidos neutro durante o acontecido.

O capitão empossado, na tentativa de protegê-los, deixa-os em uma praia deserta junto com suprimentos com a promessa de mandar socorro assim que possível for.

Mas a ajuda nunca chega. E, nesse meio tempo, nasce o filho do casal, um menino que, por conta de diversos acasos do destino, acaba sendo adotado por uma antropoide que acabou de perder sua cria. É assim que Tarzan, o homem-macaco surge.

Anos mais tarde, com Tarzan já adulto, um estranho objeto chega à praia e dele desembarcam os primeiros homens brancos que ele já viu na vida, assim como a primeira fêmea: Jane Porter, filha de um professor que descobriu um grande tesouro antes de sua expedição se amotinar contra seu capitão. É ela quem faz com que Tarzan se decida por abandonar todo o mundo que conhece para, assim, pertencer ao dela.

E não, não tem nada de Disney aqui.

Apesar de os traços civilizados estarem incrustados em Tarzan a ponto de ele agir como um cavalheiro para com Jane e até ser auto de data a ponto de aprender a ler e a escrever somente com o auxílio dos livros que seus pais haviam levado consigo, ele ainda é um ser rude e selvagem. É de partir o coração na verdade, sempre fico torcendo por um final feliz.

Sobre a escrita de Burroughs, só posso dizer que gostei. Ele é dinâmico e sabe como montar a narração.

A edição da Zahar ainda trás 40 ilustrações de Hal Foster, um dos mais consagrados ilustradores que emprestaram seu talento ás pulp fictions de Tarzan.

1 de fev de 2017

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - Jonh Tiffany & Jack Thorne


Quando saiu a notícia que o mundo de Harry Potter ganharia uma peça de teatro, o mundo inteiro surtou de empolgação, e eu não fiquei atrás. Depois de tantos anos, depois de tantas boas lembranças, saber que aquele mundo especial não tinha sido esquecido... foi eufórico. Quando saiu a pré-venda dos livros então, confesso que a única coisa que me impediu de ter comprado o livro logo de cara foi a esperança que a Rocco mandasse esse livro para os parceiros (o fato de Harry Potter e J.K. Rowling ser do catálogo da editora contribuiu e MUITO para meu surto quando me tornei parceira hahahaha).

Demorou, mas Harry Potter e a Criança Amaldiçoada finalmente chegou na minha casa como um excelente presente de Natal atrasado. hahahaha

Dezenove anos se passaram desde a Batalha de Hogwarts. Agora, Harry e Gina levam seu segundo filho, Alvo Severo Potter para pegar o trem rumo ao seu primeiro ano na escola de Magia e Bruxaria que os pais frequentaram.

É curioso construir a personalidade de Alvo Potter: diferente do irmão mais velho e da irmã mais nova, ele é mais quieto, e, ao contrário dos irmãos, não lida muito bem com o peso de ser "filho de Harry Potter". Para piorar só um pouquinho a pressão, o Chapéu Seletor o manda para a Sonserina, ele se descobre ser péssimo em Quadribol e seu melhor (e único amigo) é Escórpio Malfoy, o filho de Draco Malfoy (Doninha Saltitante para os íntimos hahaha),

Em um final de férias, Alvo escuta uma conversa entre Harry, Gina e Amos Digory sobre o rumor de um vira-tempo apreendido pelo Ministério da Magia. Amos, ainda arrasado pela morte de Cedrico tantos anos antes, tenta convencer Harry a usar o vira tempo para trazer Cedrico de volta a vida. Harry se recusa, é claro, isso é impossível. Mas ainda assim, ele ainda se sente culpado pela morte do rapaz.

E é quando Alvo Severo Potter tem a brilhante ideia (só que não) de roubar o vira-tempo do Ministério da Magia e honrar o legado da família de procurar confusão e se meter onde não devia... E é obvio que ia dar merda. Muita merda aliás. Mas bem, contar o tamanho da besteira resultante é spoiler, então, vamos as considerações finais:

Apesar de ter ouvido de pessoas (que com certeza sabem muito mais de Harry Potter que eu) que A Criança Amaldiçoada é um livro que pode ser facilmente desconsiderado, terminei a leitura descordando dessa premissa. 

Primeiro porque Escórpio Malfoy é o garoto mais fofo do mundo (e nada me convencerá do contrário). Segundo porque os criadores de A Criança Amaldiçoada souberam trabalhar muito bem com os personagens originais, e fiquei MUITO contente com o que foi feito deles. A bem da verdade, adorei ver Harry e Malfoy trabalhando juntos. Sempre achei que a única coisa que travava a amizade deles era a arrogância e a péssima influencia do pai. Não estava muito errada afinal. hehehe

Foi bom rever todos aqueles personagens (devo ter chorado em umas três partes diferentes do livro) e, apesar de não ter a escrita maravilhosa da J. K. Rowling, a mensagem que ela nos passou naqueles sete livros inesquecíveis se manteve. A meu ver A Criança Amaldiçoada merece, com todas as honras, o status de "a oitava história".