30 de mar de 2017

Farmácia Literária - Ella Berthoud & Susan Elderkin


Que os livros possuem poder de cura, todos os leitores sabem. Para nós, os aficionados pela arte da palavra escrita, a literatura proporciona momentos de prazer, consolo, coragem e, por que não dizer, esperança.

Mas você sabia que os livros podem ajudar a resolver uma gama muito maior de males? E não apenas para a alma, mas para a mente e para o corpo também. É aí que entra a maravilhosa ciência da biblioterapia, a cura por meio dos livros.

Concebido pelas britânicas Ella Berthoud e Susan Elderkin, a Farmácia Literária é um compilado de livros receitados para males que vão de "abandonar o barco, desejo de" a "zumbindo no ouvido", selecionando, entre os mais de dois mil anos de produção literária conhecida, aqueles capazes de nos reafirmar a capacidade dos livros de distrair, repercutir e mudar a maneira como vemos o mundo.

Farmácia Literária foi mais um dos achados incríveis deste ano. Geralmente, livros falam sobre literatura possuem a tendência a ser denso o bastante para tornar a leitura monótona, mas não houve uma página sequer em que não tive a impressão de estar sentada junto a elas em uma sala aconchegante ouvindo-as falarem sobre seus livros favoritos. Eu era como uma criança pré-iniciada na arte de ler ouvindo atentamente minhas mestras.

A leitura é fácil, leve, engraçada e, ao mesmo tempo, muito informativa. Isso sem falar nas mais de 400 indicações incrivelmente bem explicadas. Como se não fosse o bastante, o livro trás ainda 38 listas de leitura e 30 "doenças relacionadas à leitura" (receio dizer que sofro de uma parte considerável destas).

Confesso que, no início, fiquei preocupada com tantas indicações. Como uma compradora compulsiva de livros em recuperação, receei cair na armadilha de entrar em lojas virtuais a todo momento, mas, por incrível que pareça, isso não aconteceu. A bem da verdade, eu mal tinha vontade de me dar tempo para jantar, quem dirá fazer uma pesquisa de preço (fora que, reconheci vários títulos da minha estante xD). Ao mesmo tempo, vários livros que já possuo se destacaram e reforçaram a vontade que tenho de lê-lo.

Existe uma curiosa relação deste livro com A Livraria Mágica de Paris. Monsieur Pardu, o protagonista do livro de Nina George, é um farmacêutico literário, indicando os melhores livros para curar os males que assolam seus clientes. Alguém, por favor, diga a ele que agora seu barco-livraria possui concorrência. xD

25 de mar de 2017

A Garota do Calendário (Junho) - Audrey Carlan


Junho. O sexto mês de Mia Saunders como acompanhante de luxo.

O cliente número seis é Warreen Shipley, um milionário de terceira idade que quer usar a beleza e a simpatia de Mia para amolecer políticos e homens de negócios para levar seus projetos filantrópicos adiante. Para Warren, tê-la como acompanhante é mostrar a esses homens que eles fazem parte do mesmo círculo e, por que, não tentar conquistar o apoio feminino para sua causa?

Mia é categórica: não vai rolar nenhum tipo de intimidade com Warren. Agora, quanto ao filho dele, Aaron Shipley, de trinta e cinco anos, senador mais jovem da Califórnia e um belo pedaço de mal caminho embalado em ternos sob medida...

O livro de Junho é um pouco mais grosso que os outros, 160 páginas, o que não diminuiu em nada sua facilidade de leitura, nem sua capacidade de prender o leitor. Ao contrário dos outros, no entanto, Junho mostra que nem todos os clientes (ou os que vivem ao redor deles) são um mar de carinho e camaradagem.

Mas Junho também mostra que, por mais que algumas coisas doam, por mais difíceis que algumas coisas sejam, Mia conquistou várias pessoas que realmente se importam com ela. Pessoas que atravessariam o país para cuidar dela, exatamente como uma família amorosa faria.

Para Mia, foram quatro os ensinamentos desta parte da jornada: Wes ainda era um assunto delicado, belas capas podem embalar conteúdos podres, os amigos são a família que você escolhe, e ela com certeza tinha os melhores amigos que alguém poderia ter.

22 de mar de 2017

A Louca da Casa - Rosa Monteiro


Enviado em Outubro de 2016 pela TAG - Experiência Literária, A Louca da Casa, da jornalista e romancista espanhola Rosa Monteiro, foi um  livro indicado pela também escritora Carola Saavedra, considerada um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros.

A Louca da casa é um livro curto, 170 páginas que discorrem, principalmente, sobre a literatura, sobre o fazer literatura, sobre essa louca pessoa que é o escritor e sobre tudo (ou quase tudo) o que os une.

São dezenove capítulos, cada um com mais ou menos cinco, talvez seis páginas, que não são difíceis de ler, mas que te deixam com a leve sensação de sobrecarga de informação. A necessidade de para, nem que seja por cinco minutos, a cada dois capítulos (às vezes menos que isso), foi um companheiro constante na leitura deste livro.

Ainda assim, foi uma leitura proveitosa. Ao unir ficção com não ficção, autobiografia e romance, Rosa Monteiro nos dá uma excelente ideia do que a Louca da Casa, a imaginação, é capaz de fazer a um indivíduo e ao ser humano.

19 de mar de 2017

Sua Secretária - Melanie Marchande


Não sei se já aconteceu isso com vocês, mas às vezes, quando compro um livro, mesmo que esteja morrendo de vontade de lê-lo, acabo o deixando para depois. Às vezes se passam mais de ano e só os leio quando os coloco na meta de leitura, em outras, bate uma paranoia inexplicável que só sossega depois de revirar todas as caixas de livros para encontrar aquele título que, do nada, você tem uma vontade incontrolável de ler.

Foi o que aconteceu comigo com este livro. O comprei na viajem que fiz à São Paulo na ocasião da Bienal, e ele ficou de lado desde então. Não sei o que aconteceu comigo esta semana, mas no meio de um esgotamento emocional que nem a releitura de Harry Potter e a Pedra Filosofal foi capaz de resolver, passei duas horas com esse livro na cabeça antes de entregar os pontos, vasculhar minhas caixas e começar a leitura. No capítulo dois eu já tinha rido tanto que a ideia de estar esgotada já me parecia absurda.

Adrian Risinger é um CEO arrogante, prepotente, com uma capacidade incrível de ser cruel e mesquinho quando quer (o que acontece praticamente todos os dias). Meghan Burns é sua secretária há cinco anos, o que é um milagre se considerarmos que suas secretárias não duravam mais que algumas semanas em seus postos de trabalho.

Só Meghan sabe o quanto é difícil, só ela percebe o quanto sua vida decaiu por causa da personalidade exploratória de Risinger, mas ela precisa do emprego, e, por mais absurdo que pareça, ela sabe que ele precisa dela (ninguém mais o aguentaria afinal).

Em uma noite de bebedeira, enquanto procurava na Amazon algum livro que a ajudasse a lidar com o chefe, o que ela encontra são os livros da autora Natalie McBride, uma série de livros eróticos intitulados A Secretária. Ela devora todos em menos de uma semana e mal consegue se controlar para o lançamento do novo livro.

Depois de uma tarde particularmente estressante no trabalho e mais alguns copos de bebida alcoólica, Meghan manda um e-mail desabafo para a autora dos livros, e assim as duas passam a se corresponder.

Semanas mais tarde Risinger a chama em seu escritório... E é aí que ela descobre que Natalie McBride é, na verdade, o pseudônimo que ele usou para publicar seus romances, e que ele quer que Meghan seja o rosto de Natalie durante alguns eventos de divulgação dos livros. (Não, isso não é um spoiler. Está na sinopse para todo mundo ver.)

Ela descobre também que os interesses de Adrian são variados. E que ela está incluída em todos eles.

Mesmo achando tudo um tanto absurdo, Meghan entra na brincadeira, e até que ela se diverte com o contato com as fãs de Natalie. E um adicional inesperado é que Adrian menos difícil de lidar do que ela imaginava... e até mais irresistível.

O livro é engraçado. Os dois são impagáveis e não param de falar merda um para o outro. Gostar de Meghan é fácil e um tanto natural até, já gostar do Adrian é mais complicado. Ele faz umas escolhas bem erradas e, a meu ver, até um tanto descabidas (para não falar cruéis). Ainda assim, é uma boa história.

13 de mar de 2017

Para Sir Phillip, com Amor - Julia Quinn


Tudo começou como uma inocente carta de condolências de Eloise Bridgerton ao viúvo de uma prima distante. Mas então Sir Phillip a respondeu e ainda lhe mandou uma delicada flor prensada. As correspondências ente os dois se mantiveram por um ano inteiro, até que, em uma de suas cartas, ele sugere à sua correspondente uma pequena temporada em sua casa, para que os dois se conheçam melhor e, assim, quem sabe, se  os dois perceberem que podem se dar bem, podem até casar-se.

A proposta é estranha, incomum para dizer o mínimo e, de longe, o pior pedido de casamento que Eloise já recebera, mas já faz um tempo que ela pensa no assunto. Ainda mais depois que, surpreendendo a todas as expectativas (dela e de basicamente toda Londres), sua amiga Penelope Featherington, conseguiu casar-se (e com seu irmão ainda por cima). Ela a adora, é claro, e está super feliz por ela, mas o casamento da amiga meio que frustou seus planos de dividir com ela sua vida de solteira.

Em um ato que pode perfeitamente ser classificado com desesperado (embora Eloise jamais vá admitir isso para ninguém), ela aceita o convite e vai. Sozinha. Sem o conhecimento da família, e rezando para ter feito a coisa certa.

Phillip Crane não sabe o que é mais enervante: Eloise ter aparecido de repente em sua casa, ela não parar de falar por mais que um segundo, ou a insubordinação de seus dois filhos, que só faltam colocar a casa abaixo.

Descobrir que nenhum dos dois era como o outro esperava foi um choque para ambos. Ainda assim, no meio de tantas discussões e reações (quase sempre) explosivas, surgem momentos preciosos que fazem os dois terem vontade de dar aquela segunda chance e, quem sabe, perceberem que, mesmo com todas aquelas diferenças e imperfeições, eles são exatamente o que o outro precisa para, enfim, encontrar a felicidade familiar.

Até o momento, Para Sir Phillip, com Amor foi o livro que menos gostei da série. Apesar de ter tido momentos cômicos (quase sempre envolvendo o resto da família Bridgerton) e fofos, achei Phillip bastante irritante com aquela mania de fugir do assunto e se isolar em sua estufa "porque se ele não via ou não ouvia, podia fingir que não existia ou que não estava acontecendo". Sério, isso me irritou mais que a fome infinita de Collin.

10 de mar de 2017

O Canto dos Segredos - Tana French


Concebido para ser uma válvula de escape para as privilegiadas alunas do colégio St. Kilda, o Canto dos Segredos é um enorme quadro de avisos em que as adolescentes desabafam e liberam o excesso de energia de forma segura e supervisionada. Até que um bilhete anonimo muda tudo ao divulgar a foto de um adolescente morto no ano anterior nos terrenos da escola, junto com a legenda "Eu sei quem matou".

Foi assim que o caso chegou ao detetive Stephen Moran: uma testemunha de um antigo caso viu o bilhete no quadro, tirou-o com cuidado e o levou até ele. Mas o caso não é dele. Moran é apenas um detetive estacionado no departamento de Casos Não solucionados. Mas ele reconhece sua chance quando a vê. Na homicídios, a pessoa á frente da investigação do assassinato de Christopher Harper é Antoniette Conway, e a mensagem dela para Stevphen é bem clara: "acompanhe meu ritmo, não dê um pio que sem ser solicitado, faça o contrário e voltará para o Casos Não Solucionados até sua aposentadoria".

E assim a investigação é recomeçada. De maneira mais discreta que antes, apenas dois detetives conversando com as adolescentes, sem muito alarde, sem muito escândalo, apenas seguindo um fio de Ariadne que surgiu no meio de um monte de palha.

Mas Moran é observador, e, mais que isso, ele sabe como a mente dos adolescentes funcionam. E, a meu ver, esse é o ponto alto de de toda a construção do enredo: Stephen sabe como ler uma pessoa, sabe como interpretá-la e como agir e reagir de modo a fazer com que ela se abra. Se alguém precisa de adulação, ele irá adulá-la. Se outra precisa que lhe injetem uma dose de confiança, é isso o que ele vai fazer. Se uma terceira merece ser tratada como um adulto que não pode ser subestimado, é assim que ele agirá. Ele quer concluir o trabalho que está em suas mãos, e ponto. 

A narração alterna entre duas frentes: A narrada pelo detetive Moran nos faz acompanhá-lo desde a chegada do bilhete à mãos dele e durante todas as vinte e quatro horas de trabalho árduo dentro dos muros do St. Kilda. A outra narração é distribuída entre quatro internas do colégio, e se alternam de acordo com os eventos ocorridos, iniciando-se oito meses e maio antes do assassinato de Chris Harper.

Outra coisa que me chamou atenção foi a maneira como a autora abordou o bullying entre adolescentes: a necessidade de se encaixar, e de se afirmar, mesmo que você só consiga fazer isso rebaixando os outros; a mesquinhez diante daqueles que, tendo encontrado uma fortaleza onde se defenderam, não ligam a minima para essas querelas, a crueldade que atinge a todos quando alguém de fora encontra um brecha por onde destilar veneno simplesmente por que sim e foda-se, elas merecem.

O Canto dos Segredos é um livro grande, são seiscentas e cinco páginas de uma história que não chega a ser pesada, mas que também não é um mar de rosas.

4 de mar de 2017

Entrevista Com o Vampiro: A História de Claudia - Anne Rice & Ashley Marie Witter


Cláudia, a vampira-criança criada por Lestat para chantagear Louis, é, sem dúvida, um dos personagens mais marcantes de todas as Crônicas Vampirescas. E é através de seus olhos que temos a história deste Grafic Novel

Adaptado e ilustrado por Ashley Marie Witter em 2012, A história de Cláudia é um complemento incrível à narração de Louis, e uma expansão maravilhosa do universo das Crônicas. As descrições feitas por Anne foram bem representadas nessas ilustrações, e achei incrível o predomínio do tom de sépia e o destaque dado ao vermelho do sangue.

É um pouco difícil descrever a experiência de leitura neste livro, e não apenas pelos quase quatro anos que se passaram desde a leitura do Entrevista com o Vampiro, mas também por também por não saber exatamente como avaliar o material que tenho em mãos.

Na narração de Louis, Claudia foi um período maravilhoso e sombrio, pois a personalidade dela mesclava muito do que ele odiava em Lestat com o que ele amava em si mesmo (e em Lestat). Lembro-me de que foi uma leitura pesada e um tanto opressora, pois estava um tanto evidente de que daquela história, todos os envolvidos sairiam irreparavelmente machucados (como de fato o foi).

Ao mesmo tempo, o fato de ter sido construído com ilustrações (muito incríveis por sinal) pareceu suavizar, ao menos um pouco, o peso que havia em cima do texto, tanto que consegui ler as 224 páginas em 3 ou 4 horas praticamente ininterruptas.

1 de mar de 2017

Dez Formas de Fazer um Coração se Derreter - Sarah MacLean


O prólogo de Dez Formas de Fazer um Coração se Derreter é um tanto tendencioso: um artigo de jornal de fofocas voltado para a alta sociedade londrina comentando sobre a dificuldade (e desespero) das moçoilas (e de suas mães) em encontrar um cavalheiro para levá-la ao altar. Por um breve momento, que durou cerca de dois parágrafos, imaginei que veria uma segunda versão de Lady Winstledon, mas logo em seguida percebi que meu equívoco: além da falta de indiretas explicitas e do tom menos sarcásticos, o Pérolas e Peliças é do tipo politicamente correto (adjetivo que não necessariamente pode ser aplicado ao folheto publicado em Os Bridgertons).

A redora (seja ela quem for), em sua humilde posição de observadora da alta sociedade, apresenta para suas leitoras a série "Lições para conquistar um Lorde". E o lorde mais cobiçado de todos é, sem dúvida, Nicholas St. John, o gêmeo mais novo de Gabriel, o marquês de Ralston (o protagonista de Nove Regras a Quebrar Antes de se Apaixonar), que, para o divertimento do irmão e de seu amigo Rock, não gostou nem um pouco da atenção recebida.

Determinado a escapar do desconforto que se tornara Londres depois dos artigos, Nicholas aceita partir em busca da irmã de um amigo, que desaparecera semanas antes. Apesar de saber que a procura despertaria uma habilidade que ele preferiria esquecer, a súplica do Duque de Leighton e a vontade de sumir de Londres, o convenceram. 

Além do mais, havia um outro fator determinante: havia uma mulher desaparecida, e mulheres em perigo sempre representaram sua ruína. E não deu outra: poucos dias após chegar à pequena vila de Dunscroft, o lugar para onde o rastro de lady Georgiana os levou, um grupo de enormes cavalos de tração corria descontrolada pela rua principal do vilarejo, indo direto em direção a uma mulher totalmente distraída na leitura de suas correspondências.

Isabel Townsend é irmã mais velha do atual conde de Reddich (então com dez anos) e administra a propriedade da família desde o falecimento dos pais. Ou tentou, pelo menos, já que as dívidas do Conde Perdulário a deixaram sem recursos sequer para pagar os funcionários da casa. Ameaçada pela chegada iminente de um tutor que provavelmente destruiria tudo o que ela levara anos para construir, ela decidi se desfazer de seu bem mais preciosos: uma coleção de estatuas gregas que lhe fora deixada de presente por sua mãe... E olha que coincidência encontrar Nicholas St. John, um dos melhores antiquários do reino, passando por sua vila!

Só que as coisas não saem exatamente como Isabel previra. Ao demostrar a Nicholas que havia segredos envolto a ela e à propriedade que abrigava as estatuas, ela atraiu sua atenção total. E talvez nenhum dos dois gostem do que irão descobrir. Ou, talvez, amem.

Apesar de ter gostado da maneira com que ele lidou com a situação toda, Nicholas que me perdoe, mas minha preferencia ainda é por Gabriel. Apesar de Isabel ter seus problemas em relação a confiar nos outros, na verdade, em confiar nos homens, em nenhum momento consegui me encantar com Nicholas, nem com Isabel. Foi um romance bonito? Sim. Fofo? Provável. Envolvente? Falo por mim quando digo que não.