24 de nov de 2017

O Coletor de Espíritos - Raphael Draccon


Até agora, tive experiencias ambivalentes com Raphael Draccon: ao mesmo tempo em que Fios de Prata foi um dos melhores livros que já li me anos anteriores, Dragões de Éter (obra que lhe rendeu ao menos boa parte de sua fama atual) foi uma total frustração. Ao ver O Coletor de Espíritos na news da Rocco, meu lado leitor que gosta de sofrer resolveu arriscar.

Sorte a minha que esse livro pendeu para o lado de Fios de Prata.

Existe, em algum lugar perdido do Brasil, um vilarejo esquecido pelo tempo chamado Véu-Vale. Ali, a iluminação é fornecida por tochas e a água vem das chuvas. Seria mais um vilarejo perdido no meio do nada se não fosse o terceiro dia seguido das noites de chuva. 

Nessas noites, os moradores se trancam em suas casas, as crianças se agarram aos pais e as mulheres desfiam seus terços em rezas fervorosas. Não pela chuva, mas pelos gritos que eles ouvem por causa dela.

Ninguém pensa em sair de Véu-Vale. Na verdade, ninguém nunca quis sair de lá. Para aquela gente, existe Véu-Vale, e a pessoa fazer o que os pais faziam era apenas o curso natural das coisas. Exceto para Gualter Hadam. 

Em um gesto que alguns chamaram de loucura, que outros chamaram de rebeldia e que ninguém conseguiu realmente entender, ele pegou a bicicleta que o pai fizeram para ele anos antes de sua morte e saiu pedalando da cidade.

Dez anos se passaram desde que ele foi para a cidade. Gualter se tornou psicólogo de renome com a clientela restrita a milionários e celebridades (incluindo ai o maior jogador de todos os tempos, um brasileiro conhecido mundialmente como Allejo). E mesmo morando em uma cobertura de um prédio de luxo na cidade grande, ele ainda escuta os gritos nas terceiras noites seguidas de chuva.

Ele volta a Véu-Vale ao receber a noticia de que a mãe sofrera um infarto, e é quando algo, nele e na cidade se agita. Os pesadelos de Gualter ficam piores. O que anda durante as terceiras noites de chuva se torna mais assustador.

É quando Gualter falha com seu primeiro paciente é que ele decide voltar a sua cidade natal e enfrentar não apenas seu passado, mas também seus medos. 

E é quando o véu que cobre Véu-Vale se rompe. O Coletor de Espíritos finalmente apareceu.

Juro mesmo que se começasse a chover eu iria ter um sério problema para dormir. O Coletor de Espíritos (o livro dessa vez, não o personagem) é uma leitura tensa, você lê sobre o terror que há na cidade sem nunca saber o que está acontecendo, ou o que (ou quem) está gritando. 

Ao mesmo tempo, exite nesse livro um caminho de expiação e de superação que te deixa torcendo para que tudo der certo, por que sabe que depois desse caminho há luz e descanso tanto para os que ficam quanto para os que já foram.

Fora que as referencias a Fios de Prata foram uma excelente surpresa a essa minha pessoa. <3

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