27 de nov de 2017

Underground Airlines - Ben H. Winters


Às vezes dou muita sorte no que diz respeito a julgar livros pela capa (principalmente quando a sinopse não passa de vários comentários sobre a obra). Em outras vezes, não me dou tão bem assim. Undergrond Airlines foi um dos títulos do segundo caso.

Em  um grande momento "e se" de sua vida como escritor, Ben H. Winters imaginou um mundo em que a Guerra de Secessão americana (1861-1865) nunca ocorreu. Os Estados Unidos da América seguiram a sua história do jeito que estavam: alguns estados extinguiram o trabalho escravo em seus territórios enquanto outros o perpetuaram.

Hoje, 2017, ainda há quatro estados escravocratas, ou "Os Quatro Injustos": Louisiana, Mississippi, Alabana e Carolina. Estados dominados por plantations e por cidades em que pessoas de cor devem, necessariamente, andar logo atras de uma pessoa branca que se responsabilize por ela, vigiado por policiais brancos (que podem muito bem ignorá-los ou espancá-los) e por atiradores negros que podem simplesmente atirar em caso de conduta inadequada.

A escravidão nesses estados é legalizada e regularizada e as "Pessoas Obrigadas ao Trabalho" passam suas vidas inteiras sendo compradas, vendidas e marcadas como propriedade alheia. A não ser que aconteça e você consiga fugir e/ou ser resgatado por algum grupo abolicionista e ainda tenha a sorte de chegar são e salvo ao Canadá (porquê se você for pego nos Estados Unidos você será reconduzido à plantation de onde você fugiu).

Já que tocamos no assunto, vamos ao protagonista dessa história: Victor é um ex-escravo que foi recrutado pelo governo federal para caçar escravos foragidos e entregá-los aos autoridades que irão reconduzi-lo ao proprietário original. Sua missão atual é descobrir o paradeiro de um escravo conhecido como Jackdown, que, aparentemente, está sendo mantido em Indianápolis, Indiana, por uma célula local de um movimento abolicionista clandestino chamado Underground Airlines.

O problema é que a caçada a Jackdaw acaba se tornando uma ponta de iceberg em uma trama muito pior (e muito mais desumana).

A grande questão desse livro é que a narrativa não me envolveu. Nem o protagonista para falar a verdade. Acho que o objetivo dessa história era mostrar que vivemos em  um mundo livre, mas não tão livre assim. Escravos existem, o preconceito racial também, mas todos fingem que não e assim seguimos a vida. 

Bem, talvez seja esse o ponto mesmo, e talvez Underground Airlines tenha tido um impacto muito maior lá nos Estados Unidos, mas, infelizmente, no rank de melhores leituras do ano, esse livro não está bem colocado (a não ser que se tenha por referencia os números maiores da lista).

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