5 de fev de 2018

A Nova Sinfonia - Harvey Sachs


Há alguns anos (quando minha vida era mais simples e eu tinha alguma companhia frequente para frequentar o teatro de Vitória), passei por uma fase de apreciação a música clássica. Confesso (com um pouco de embaraço), que não a escuto mais com tanta frequência, e que mal e porcamente sou capaz de reconhecer uma ou duas obras (muito menos associá-las a seus compositores).

Ainda assim, foi justamente o gosto por ela que me levou a pedir este livro.

Estreada em maio de 1824 em Viena, na Áustria, a Nona Sinfonia de Beethoven alcançou o status de simbolo da liberdade e da alegria, e uma tentativa mais que bem sucedida em ajudar a humanidade a encontrar a saída da escuridão em direção à luz em uma época em que a repressão das dinastias absolutistas tentavam retomar o controle perdido (ou ameaçado) com a Revolução Francesa e com as guerras napoleônicas.

Misturando biografia, história e memória, Harvey Sachs (entre outras coisas, escritor e historiador de música), coloca um prisma na Nona Sinfonia, permitindo-nos ver, através dela, traços da politica, da estética e do ambiente na qual ela se insere.

Assim como seu objeto de estudo, este livro se divide em quatro partes, dos quais destaco os três últimos, em que ele desbrava, respectivamente, o ambiente político e artístico em que se desenvolveu a sinfonia, uma descrição quase roteirística da Nona (não faço a minima ideia se essa palavra existe, ou se a estou empregando de maneira correta, mas me pareceu confuso e estranho definir a terceira parte como "a execução da Nona em palavras") e, por ultimo, os ecos que esta produziu na musica clássica que a sucedeu.

Deixo claro aqui que destaco estas três partes não pela primeira ser ruim, mas porque foram estas que me convenceram a amar este livro com um carinho (quase) incomum.

O início da leitura foi arrastado (devo ter gasto uns três dias só nessas setenta primeiras páginas, e, admito, por muito pouco não a larguei antes da cinquenta. Para minha felicidade, cheguei à segunda parte do livro, e a minha felicidade se completou ao ler o que o ano de 1824 representou nas artes da música, da pintura e da literatura (a minha sorte foi tanta que enfim tive uma excelente elucidação sobre O Vermelho e O Negro, obra lida recentemente mas não muito compreendida na ocasião).

É uma pena que A Nova Sinfonia (este livro) não encontre tantos entusiastas. Apesar do tema (a sinfonia) ter a fama de "difícil" e "complexa" , a leitura é agradável, relativamente fácil para leigos e altamente instrutiva.

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